Conheça a Monte Sião: turismo na capital do tricô vai além das compras de inverno
Cidade no Sul de Minas espera receber até 500 mil visitantes durante a Feira Nacional do Tricô; veja tudo que da para fazer além de atualizar o armário para o inverno

A cidade de Monte Sião, no Sul de Minas, conhecida nacionalmente pela produção de tricô e malhas, espera receber cerca de 500 mil visitantes durante a temporada de inverno deste ano. A estimativa da prefeitura considera a realização da Feira Nacional do Tricô (Fenat), entre os dias 30 de maio e 21 de junho, além do Festival de Inverno promovido no município.
Segundo o prefeito Maurício Zucato Junior, conhecido como Juninho Zucato (União Brasil), o setor de malhas representa atualmente entre 90% e 92% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade.
A Itatiaia esteve no município localizado na divisa de Minas Gerais com São Paulo. As ruas limpas e praças arborizadas se misturam ao grande número de lojas de tricô, com peças para diferentes públicos e preços mais baixos do que os encontrados em grandes centros urbanos. Com cerca de 20 mil habitantes, a cidade reúne influências mineiras e paulistas em uma temporada de inverno marcada por gastronomia, turismo religioso, compras e atrações culturais.
O cenário tenta romper a ideia de que a visita à cidade precisa estar centrada apenas na compra de roupas. A nova aposta do município é transformar Monte Sião em um destino turístico mais amplo, com experiências ligadas à cultura, culinária e lazer.
Feira de tricô e festival de inverno
A Fenat foi retomada pela atual gestão após cinco anos sem realização, segundo o prefeito. Neste ano, a expectativa é ampliar o fluxo turístico impulsionado principalmente pelo feriado prolongado de Corpus Christi e pela proximidade com cidades paulistas, como Águas de Lindóia.
De acordo com a administração municipal, Monte Sião recebe aproximadamente 2 milhões de visitantes por ano. Durante o inverno, o número de turistas chega a triplicar ou quadruplicar em relação aos outros períodos.
Além da Fenat, realizada no Centro de Exposições, a cidade promove o Festival de Inverno, iniciado em abril e previsto para seguir até julho, com mais de 150 atrações culturais, segundo a prefeitura. A estrutura principal fica montada na Praça Prefeito Mário Zucato.
Santuário da Medalha Milagrosa

Em frente à Praça Prefeito Mário Zucato está o Santuário da Medalha Milagrosa, considerado o primeiro templo do mundo dedicado à Nossa Senhora das Graças e à Medalha Milagrosa.
A devoção surgiu após as aparições de Maria à freira Catarina Labouré, na França, em 1830, mas foi no então Arraial do Jabuticabal, atual Monte Sião, que a primeira capela em homenagem à Medalha Milagrosa foi construída, em 1849.
A atual igreja começou a ser erguida em 1934, no mesmo local da antiga capela, e o espaço foi elevado à categoria de Santuário Arquidiocesano em 1999. O local recebe romeiros de diversas regiões, especialmente durante a Novena e Festa da Padroeira, realizada entre os dias 18 e 27 de novembro.
O santuário também é conhecido pelo chamado “Milagre da Chuva”. Segundo relatos da época, após a retirada da imagem da padroeira da igreja, em 1937, Monte Sião enfrentou quase dois anos de seca. Quando a imagem retornou ao altar, em uma procissão realizada em 5 de novembro de 1939, uma forte chuva atingiu a cidade. O episódio passou a integrar a tradição religiosa local.
Próximo à igreja, também é possível visitar a chamada Sala das Graças, espaço cercado por fotografias, roupas, cartas e objetos deixados por fiéis que relatam milagres atribuídos à Santa.
Cerâmica artesanal

Outro ponto tradicional da cidade é a Porcelana Monte Sião, fundada em 1959 e conhecida pela produção artesanal de porcelanas azuis e brancas.
A empresa começou fabricando bibelôs, mas passou a produzir peças inspiradas em um jarro português levado à fábrica por um cliente. Atualmente, a marca produz itens domésticos como xícaras, travessas, canecas e copos, todos feitos manualmente.
O processo inclui moldagem, pintura à mão, esmaltação e queima em forno a lenha a cerca de 1.300 °C. A fábrica mantém produção artesanal e também se tornou ponto turístico da cidade.
A loja e a fábrica ficam na Rua Sete de Setembro e costumam receber visitantes interessados nas peças.
Gastronomia mineira e influência italiana

A gastronomia também ganhou espaço entre os atrativos turísticos de Monte Sião. Entre os locais procurados pelos visitantes está a loja Queijos Eliane, conhecida pela venda de queijos artesanais, doces, cafés e produtos típicos mineiros. A reportagem indica o queijo temperado com manjericão.
Mas, segundo o prefeito Juninho Zucato, um prato se tornou praticamente obrigatório para quem visita a cidade: o chamado “macarrão quadrado”.
“É indispensável provar”, afirmou.
O prato é considerado um símbolo gastronômico local e está ligado à forte influência italiana na formação do município. Segundo a prefeitura, a receita surgiu a partir de uma família italiana da cidade, que aproveitou sobra de macarrão para criar uma nova preparação.
A receita leva molho branco e, após cerca de 24 horas refrigerada, é cortada em formato quadrado, empanada e frita. O prato costuma ser servido com molho de carne.
De acordo com o prefeito, o macarrão quadrado ganhou reconhecimento como patrimônio gastronômico e cultural do município e já foi tema de reportagens nacionais e programas de culinária da televisão brasileira.
Monte Sião possui forte presença de descendentes de italianos. Segundo o prefeito, cerca de 80% a 90% da população tem origem italiana, resultado do processo de imigração que ajudou a formar o município e impulsionou a tradição têxtil da cidade.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



