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Conflito no Oriente Médio ameaça turismo e pode custar R$ 2,8 bilhões por dia

Segundo o WTTC, perdas chegam a € 515 milhões diários (cerca de R$ 2,8 bilhões) e podem derrubar fluxo de turistas em 2026

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Prédio danificado em Teerã, no Irã, após ataques de Israel
Colunas de fumaça se elevam após ataques com mísseis em Teerã, em 1º de março de 2026 • AFP

O conflito regional envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos pode provocar perdas diárias de cerca de € 515 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para a indústria de viagens e turismo no Oriente Médio. A estimativa é do World Travel & Tourism Council (WTTC) e considera projeções feitas antes da escalada do conflito na região.

Segundo o levantamento, o setor esperava que os visitantes internacionais gastassem € 178 bilhões no Oriente Médio em 2026. Com a tensão militar e as restrições aéreas, parte significativa dessa receita pode deixar de ser registrada.

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Impacto imediato na aviação

Um dos efeitos mais visíveis da crise está na aviação. Grandes hubs do Golfo, como Dubai, Abu Dhabi, Doha e Manama, costumam processar cerca de 526 mil passageiros por dia.

Com o fechamento de partes do espaço aéreo e cancelamentos de voos, esse volume caiu de forma significativa.

Dados da plataforma Flightradar24 mostram que companhias aéreas da região reduziram drasticamente suas operações. Em 24 de fevereiro, a Emirates, Etihad Airways e Qatar Airways operaram 527, 325 e 563 voos, respectivamente. Já em 10 de março, os números caíram para 309, 56 e 66 voos.

O Oriente Médio também tem papel estratégico no sistema global de transporte aéreo, representando cerca de 14% do tráfego internacional de conexão entre Europa, Ásia e África.

Cancelamentos e alerta de viagens

Uma mulher segura um cartaz do novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei (à direita), ao lado de seu falecido pai, Ali Khamenei, durante uma manifestação em apoio a ele na Praça Enghelab, em Teerã, em 9 de março de 2026Segundo Ibrahim Khaled, chefe de marketing da Middle East Travel Alliance, a escalada das tensões interrompeu um período recente de forte crescimento do turismo na região.

“Tínhamos observado crescimento constante no número de visitantes ano após ano, especialmente com os novos investimentos em turismo em toda a região”, disse Khaled à Euronews Travel.

“Infelizmente, vimos muitos cancelamentos de viagens para destinos que governos como os dos Estados Unidos e do Reino Unido colocaram em listas de alerta. Os voos estão sendo afetados e as viagens para essas áreas estão praticamente suspensas”, acrescentou.

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Queda no número de turistas

Um relatório da consultoria Tourism Economics indica que as chegadas internacionais ao Oriente Médio podem cair entre 11% e 27% em 2026.

Segundo as economistas Helen McDermott e Jessie Smith, isso representaria:

  • Redução de 23 a 38 milhões de visitantes internacionais
  • Perda de US$ 34 bilhões a US$ 56 bilhões em gastos turísticos

O impacto pode ser maior do que o registrado em conflitos anteriores, principalmente devido aos ataques retaliatórios do Irã e ao fechamento mais amplo do espaço aéreo.

Países do Golfo devem sentir mais os efeitos

A comunidade internacional teme que a guerra iniciada no último dia 7 se espalhe para outros países do Oriente Médio, e o Irã alertou que a região Os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) tendem a registrar as maiores perdas no turismo.

Entre os mais vulneráveis estão:

  • Emirados Árabes Unidos
  • Arábia Saudita

Isso ocorre porque ambos dependem fortemente da conectividade aérea e recebem grandes volumes de visitantes internacionais.

Já Catar e Bahrein podem sofrer impacto proporcionalmente menor, pois parte significativa das chegadas nesses países ocorre por via terrestre.

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Recuperação pode ser rápida

Apesar das perdas imediatas, especialistas avaliam que o setor pode se recuperar rapidamente quando a situação geopolítica se estabilizar.

Segundo Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, crises relacionadas à segurança costumam ter tempo de recuperação relativamente curto.

“O impacto dos gastos de visitantes internacionais no Oriente Médio é significativo, cerca de US$ 600 milhões por dia. Mas a história mostra que o turismo pode se recuperar rapidamente quando governos e empresas trabalham juntos para restaurar a confiança dos viajantes”, afirmou à Euronews.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.