Voluntários podem passar cinco semanas de graça nos Alpes italianos e receber R$ 2 mil
Apesar de parecer uma oportunidade turística, o objetivo principal é científico

Um programa científico oferece a oportunidade de passar cinco semanas nos Alpes italianos com hospedagem, alimentação e transporte gratuitos, além de uma compensação de 400 euros. A iniciativa é conduzida pela Eurac Research e faz parte do estudo MAHE, que pesquisa os efeitos da altitude moderada no organismo humano.
Os participantes ficam hospedados no Rifugio Nino Corsi, a cerca de 2.300 metros de altitude, dentro do Parque Nacional do Stelvio, na região de Val Martello. O local é cercado por montanhas, lagos, cascatas e picos com mais de 3 mil metros de altitude.
Apesar de parecer uma oportunidade turística, o objetivo principal é científico. Durante a permanência no local, os voluntários passam por avaliações e medições para que os pesquisadores acompanhem como o organismo se adapta à menor disponibilidade de oxigênio em altitudes moderadas.
Como funciona o estudo
O programa MAHE investiga os efeitos de uma permanência prolongada em altitudes próximas de 2.300 metros. A pesquisa busca entender alterações em aspectos como pressão arterial, metabolismo, qualidade do sono e funcionamento do coração e dos pulmões.
A participação dura aproximadamente cinco semanas.
Na primeira semana, os voluntários ficam em Silandro, em uma região de menor altitude. Esse período serve para que os pesquisadores estabeleçam parâmetros iniciais de comparação.
Nas quatro semanas seguintes, o grupo é levado para o Rifugio Nino Corsi, onde permanece durante a maior parte do estudo.
Fora dos horários destinados às avaliações, os participantes têm tempo livre para aproveitar o entorno, estudar, trabalhar remotamente ou fazer atividades nos arredores, respeitando as condições estabelecidas pelo protocolo da pesquisa.
O que o voluntário recebe
Durante o período do estudo, todas as principais despesas são cobertas pela organização.
O pacote inclui:
- hospedagem;
- todas as refeições;
- transporte entre os locais previstos no estudo;
- seguro;
- acesso às instalações do refúgio;
- €400 brutos de compensação financeira.
O Rifugio Nino Corsi conta ainda com chuveiros com água quente, sauna, terraço panorâmico e Wi-Fi.
A hospedagem é feita em quartos compartilhados, em acomodações duplas ou coletivas.
Quem pode participar?
O estudo é destinado a homens e mulheres entre 18 e 40 anos, que normalmente vivem em regiões de baixa altitude.
Entre os critérios previstos estão:
- índice de massa corporal entre 18,4 e 24,9;
- não fumar;
- não praticar treinamento de resistência mais de duas vezes por semana;
- não ter hipertensão;
- não utilizar medicamentos de uso contínuo, com exceção de anticoncepcionais hormonais;
- não seguir dietas especiais;
- não possuir alergias ou intolerâncias alimentares;
- não ter transtornos alimentares;
- não apresentar deficiência de ferro diagnosticada.
Também ficam de fora gestantes e pessoas que tenham dormido em locais acima de 1.500 metros de altitude nas semanas anteriores ao estudo.
Os critérios têm como objetivo proteger os voluntários e garantir que os resultados possam ser comparados adequadamente entre os participantes.
Por que estudar a altitude?
A altitude reduz a pressão atmosférica e, consequentemente, a quantidade de oxigênio disponível para o organismo. O corpo precisa se adaptar a essa condição.
Grande parte das pesquisas sobre altitude foi realizada em condições extremas, como em locais acima de 4 mil metros. O estudo MAHE se concentra em uma altitude considerada moderada, próxima de 2.300 metros.
Os pesquisadores querem entender como a exposição prolongada a esse ambiente interfere no funcionamento do organismo e quais adaptações ocorrem ao longo das semanas.
Os resultados podem contribuir para o conhecimento sobre pessoas que vivem em regiões montanhosas ou passam períodos prolongados nesses locais.
Inscrições para 2026 já terminaram
A edição de 2026 do estudo foi programada para ocorrer entre meados de agosto e o início de outubro. Os voluntários foram divididos em grupos, com entradas em diferentes períodos.
A procura foi alta e as inscrições para esta edição já foram encerradas. A organização selecionou 12 participantes e pediu que novas candidaturas não fossem enviadas para o ciclo atual.
A Eurac Research recomenda acompanhar os canais oficiais da instituição para saber quando novas oportunidades de participação forem abertas.
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