Você dorme com a TV ligada? De acordo com a psicologia, saiba como isso afeta o seu cérebro
Deixar a televisão ligada para dormir é mais comum do que se imagina, porém, existem alertas científicos que você deve levar em consideração

Para muitas pessoas, dormir só é possível com a televisão ligada. Séries já vistas inúmeras vezes, filmes conhecidos ou até o noticiário servem como trilha sonora para embalar o sono. O hábito, comum em milhares de casas, pode parecer inofensivo, mas especialistas afirmam que ele revela muito mais do que uma simples preferência noturna.
Segundo psicólogos e profissionais da saúde mental, dormir com a TV ligada costuma estar relacionado à maneira como o cérebro lida com o silêncio, a ansiedade e a necessidade de conforto emocional.
Quando o ambiente fica silencioso e sem estímulos, pensamentos acumulados ao longo do dia tendem a ganhar espaço. Preocupações, estresse, inseguranças e sentimentos de solidão podem surgir justamente na hora de dormir. Nesse contexto, a televisão funciona como uma forma de distração contínua, ajudando a reduzir o impacto desses pensamentos.
A psicóloga clínica Sarah Silverman explica que conteúdos familiares transmitem sensação de segurança e acolhimento. Para o cérebro, ouvir vozes conhecidas pode representar companhia, principalmente em períodos marcados por ansiedade, estresse emocional ou solidão.
Por que algumas pessoas precisam dormir com a TV ligada?
Especialistas apontam cinco razões mais comuns para esse comportamento:
Controle da ansiedade: o som da televisão ajuda a desviar a atenção de preocupações e pensamentos negativos;
Incômodo com o silêncio: algumas pessoas associam o silêncio absoluto a desconforto emocional;
Sensação de companhia: a TV pode amenizar sentimentos de solidão durante a noite;
Memórias afetivas da infância: quem cresceu em ambientes barulhentos tende a associar ruídos à sensação de proteção;
Dificuldade para relaxar: manter estímulos externos ativos pode ser uma forma inconsciente de evitar o estresse acumulado.
O impacto no organismo
Apesar de ajudar algumas pessoas a pegar no sono mais rapidamente, a ciência alerta que o hábito pode prejudicar a qualidade do descanso.
Pesquisas da Escola de Medicina de Harvard mostram que a luz azul emitida pelas telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo do sono. Com menos melatonina, o cérebro demora mais para entender que é hora de descansar.
Outro estudo, realizado pelo Departamento de Neurologia da Universidade Northwestern e publicado na revista PNAS, concluiu que dormir exposto à luz e ao som da televisão afeta os estágios profundos do sono. O resultado pode ser sensação de cansaço ao acordar, além de impactos em funções metabólicas e na regulação da pressão arterial.
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