Com o avanço do
Dados recentes mostram que ondas de calor intenso têm sido cada vez mais frequentes, com registros acima dos 40ºC em alguns estados. Nesse cenário, médicos do esporte e educadores físicos reforçam que o corpo humano sofre um impacto direto quando é exigido além do limite térmico. A recomendação geral é clara: reduzir a intensidade do treino, ajustar horários e redobrar a atenção à hidratação.
O organismo funciona como um sistema de equilíbrio. Durante o exercício, a temperatura interna sobe e o corpo tenta se resfriar por meio do suor. Quando o ambiente está muito quente, esse mecanismo perde eficiência. O coração passa a trabalhar mais para irrigar músculos e pele ao mesmo tempo, o que aumenta o esforço cardiovascular e acelera o cansaço.
Especialistas explicam que, em dias quentes, a perda de líquidos pode chegar a dois litros por hora em atividades intensas. Sem reposição adequada, o desempenho cai rapidamente e surgem riscos como desidratação, cãibras, queda de pressão e até exaustão térmica. Não por acaso, os atendimentos médicos relacionados ao calor aumentam significativamente no verão, principalmente entre corredores e ciclistas.
A hidratação precisa começar antes mesmo do treino. Beber água ao longo do dia e reforçar a ingestão nas horas que antecedem a atividade ajuda o corpo a lidar melhor com o calor. Durante o exercício, pequenas quantidades de líquido em intervalos regulares são mais eficazes do que grandes volumes de uma só vez. Em treinos longos, a reposição de sais minerais também é essencial.
Outro ponto decisivo é o horário escolhido para se exercitar. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a combinação de calor intenso e radiação solar torna o esforço físico mais perigoso. As primeiras horas do dia e o final da tarde costumam oferecer condições mais seguras e confortáveis. Quando não há alternativa, ambientes fechados e climatizados se tornam a opção mais indicada.
A intensidade do treino também precisa ser ajustada. Profissionais recomendam reduzir entre 20 e 30 por cento da carga habitual quando a temperatura está elevada. A frequência cardíaca sobe mais rápido no calor, mesmo com menor esforço, e ignorar esse sinal pode levar à sobrecarga. Pausas mais longas entre séries ajudam o corpo a se recuperar e mantêm o treino mais seguro.
Roupas adequadas fazem diferença. Tecidos leves, de secagem rápida e cores claras facilitam a evaporação do suor e ajudam a manter o corpo mais fresco. O uso de protetor solar é indispensável, mesmo em treinos pela manhã, assim como bonés e óculos com proteção contra os raios solares.
Saber identificar os sinais de alerta é fundamental. Tontura, enjoo, dor de cabeça forte e confusão mental indicam que o corpo não está lidando bem com o calor e que o exercício deve ser interrompido imediatamente. Em casos mais graves, como a insolação, a temperatura corporal sobe perigosamente e há risco de perda de consciência, exigindo atendimento médico urgente.
A alimentação também precisa acompanhar as mudanças. Refeições leves, com frutas ricas em água e carboidratos de fácil digestão, ajudam a fornecer energia sem sobrecarregar o organismo. Evitar álcool e alimentos muito pesados nas horas anteriores ao treino é uma medida simples que reduz o risco de mal-estar.
Para quem pratica esportes de longa duração, como corrida e ciclismo, o cuidado deve ser ainda maior. Estratégias como adaptação gradual ao calor, planejamento de rotas com pontos de hidratação e até técnicas de resfriamento antes do exercício podem melhorar o desempenho e reduzir riscos.
Ainda de acordo com especialistas, em dias de calor extremo ou baixa umidade do ar, a melhor decisão pode ser adiar o treino, o que não é sinal de fraqueza, mas sim de respeito aos limites do corpo e cuidado com a saúde.