Treinar no calor exige cuidados extras e mudança de ritmo para proteger a saúde

Especialistas alertam que exercícios em altas temperaturas pedem menos intensidade, mais hidratação e atenção aos sinais do corpo

Com o avanço do verão e as temperaturas cada vez mais altas em várias regiões do Brasil, praticar atividade física ao ar livre passou a exigir mais planejamento e consciência. Em dias em que os termômetros superam os 30ºC, manter o mesmo ritmo de treino pode colocar a saúde em risco e transformar um hábito saudável em um problema sério.

Dados recentes mostram que ondas de calor intenso têm sido cada vez mais frequentes, com registros acima dos 40ºC em alguns estados. Nesse cenário, médicos do esporte e educadores físicos reforçam que o corpo humano sofre um impacto direto quando é exigido além do limite térmico. A recomendação geral é clara: reduzir a intensidade do treino, ajustar horários e redobrar a atenção à hidratação.

O organismo funciona como um sistema de equilíbrio. Durante o exercício, a temperatura interna sobe e o corpo tenta se resfriar por meio do suor. Quando o ambiente está muito quente, esse mecanismo perde eficiência. O coração passa a trabalhar mais para irrigar músculos e pele ao mesmo tempo, o que aumenta o esforço cardiovascular e acelera o cansaço.

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Especialistas explicam que, em dias quentes, a perda de líquidos pode chegar a dois litros por hora em atividades intensas. Sem reposição adequada, o desempenho cai rapidamente e surgem riscos como desidratação, cãibras, queda de pressão e até exaustão térmica. Não por acaso, os atendimentos médicos relacionados ao calor aumentam significativamente no verão, principalmente entre corredores e ciclistas.

A hidratação precisa começar antes mesmo do treino. Beber água ao longo do dia e reforçar a ingestão nas horas que antecedem a atividade ajuda o corpo a lidar melhor com o calor. Durante o exercício, pequenas quantidades de líquido em intervalos regulares são mais eficazes do que grandes volumes de uma só vez. Em treinos longos, a reposição de sais minerais também é essencial.

Outro ponto decisivo é o horário escolhido para se exercitar. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a combinação de calor intenso e radiação solar torna o esforço físico mais perigoso. As primeiras horas do dia e o final da tarde costumam oferecer condições mais seguras e confortáveis. Quando não há alternativa, ambientes fechados e climatizados se tornam a opção mais indicada.

A intensidade do treino também precisa ser ajustada. Profissionais recomendam reduzir entre 20 e 30 por cento da carga habitual quando a temperatura está elevada. A frequência cardíaca sobe mais rápido no calor, mesmo com menor esforço, e ignorar esse sinal pode levar à sobrecarga. Pausas mais longas entre séries ajudam o corpo a se recuperar e mantêm o treino mais seguro.

Roupas adequadas fazem diferença. Tecidos leves, de secagem rápida e cores claras facilitam a evaporação do suor e ajudam a manter o corpo mais fresco. O uso de protetor solar é indispensável, mesmo em treinos pela manhã, assim como bonés e óculos com proteção contra os raios solares.

Saber identificar os sinais de alerta é fundamental. Tontura, enjoo, dor de cabeça forte e confusão mental indicam que o corpo não está lidando bem com o calor e que o exercício deve ser interrompido imediatamente. Em casos mais graves, como a insolação, a temperatura corporal sobe perigosamente e há risco de perda de consciência, exigindo atendimento médico urgente.

A alimentação também precisa acompanhar as mudanças. Refeições leves, com frutas ricas em água e carboidratos de fácil digestão, ajudam a fornecer energia sem sobrecarregar o organismo. Evitar álcool e alimentos muito pesados nas horas anteriores ao treino é uma medida simples que reduz o risco de mal-estar.

Para quem pratica esportes de longa duração, como corrida e ciclismo, o cuidado deve ser ainda maior. Estratégias como adaptação gradual ao calor, planejamento de rotas com pontos de hidratação e até técnicas de resfriamento antes do exercício podem melhorar o desempenho e reduzir riscos.

Ainda de acordo com especialistas, em dias de calor extremo ou baixa umidade do ar, a melhor decisão pode ser adiar o treino, o que não é sinal de fraqueza, mas sim de respeito aos limites do corpo e cuidado com a saúde.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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