Conheça parque aquático que supera Disney e se torna o terceiro mais visitado do mundo
Complexo em Olímpia-SP recebeu 1,95 milhão de visitantes em 2025 e planeja investir mais de R$ 300 milhões nos próximos anos para manter crescimento

Um parque aquático localizado no interior de São Paulo registrou mais visitantes em 2025 do que cada um dos dois complexos aquáticos da Disney presentes no ranking global. A atração brasileira também ficou à frente de empreendimentos dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. O Thermas dos Laranjais, de Olímpia-SP, alcançou 1,95 milhão de visitas no ano e empatou com o Therme Erding, da Alemanha, na terceira posição mundial. Os dados fazem parte do novo levantamento da Themed Entertainment Association (TEA), associação internacional do setor de parques e atrações turísticas que reúne informações sobre os 20 complexos aquáticos mais visitados do planeta.
Como um parque do interior paulista alcançou o pódio mundial
O complexo que hoje ocupa a terceira posição global começou como um clube social em 1987. Olímpia, cidade que tinha sua economia ligada à citricultura, passou a atrair turistas interessados nas piscinas abastecidas por águas quentes subterrâneas. Com o tempo, o clube se transformou em um parque com mais de 60 atrações. A operação passou a exigir investimentos em toboáguas, piscinas e equipamentos capazes de atender milhares de visitantes por dia. A evolução do público mostra o resultado dessa estratégia. Em 2024, o Thermas dos Laranjais havia registrado 1,85 milhão de visitas. No ano seguinte, chegou a 1,95 milhão, um acréscimo de 100 mil entradas em apenas um ano, representando crescimento de 5,4%.
O desafio de crescer com espaço físico limitado
A expansão enfrenta um obstáculo concreto: o parque está próximo de seu limite de espaço para novas atrações dentro da área atual. Uma das respostas foi apostar em brinquedos de maior porte. Entre os projetos está o Nações, um complexo de toboáguas de 33 metros de altura que recebeu investimento de 61 milhões de reais. O parque atravessa seu maior ciclo de expansão, com um plano de 15 anos e mais de 300 milhões de reais em investimentos previstos, segundo a TEA. O desafio é ampliar a capacidade de receber visitantes sem depender apenas da construção de novos brinquedos. Projetos de hotelaria e outras atrações também fazem parte dos planos de longo prazo do empreendimento.
Quais são os parques aquáticos mais visitados do mundo
O Chimelong Water Park, de Guangzhou na China, lidera o ranking mundial com 2,5 milhões de visitas. Apesar da primeira posição, o parque registrou queda de 8,8% em relação a 2024. Na segunda colocação está o Aquaventure World, de Dubai, com 2 milhões de visitas. O Thermas dos Laranjais aparece logo depois, empatado com o Therme Erding. O parque brasileiro teve crescimento de 5,4%, enquanto o concorrente alemão avançou 2,1%. Os 20 parques aquáticos mais visitados do mundo somaram 31,151 milhões de entradas em 2025, crescimento de 1,7% em relação ao ano anterior.
Hot Beach lidera crescimento percentual entre brasileiros
O Hot Beach, também localizado em Olímpia, foi o parque brasileiro que mais cresceu percentualmente no ranking mundial. O complexo passou de 1,122 milhão de visitas em 2024 para 1,336 milhão em 2025, um aumento de 19,1%. Foram 214 mil entradas adicionais em um ano. O resultado colocou o empreendimento na 14ª posição mundial, à frente de parques da Alemanha, Austrália e Coreia do Sul. O Hot Beach é o parque mais novo entre os três representantes brasileiros da lista global. Inaugurado em 2017, ele faz parte do Grupo Ferrasa, empresa que começou no setor de construção civil e depois passou a investir em turismo.
A estratégia de expansão do Hot Beach Parques e Resorts
O crescimento do público acontece junto à expansão da hotelaria. Em 2025, o grupo registrou receita de 680 milhões de reais e projeta chegar a 750 milhões de reais em 2026. O faturamento considera os negócios do grupo, não apenas a bilheteria do parque. Hoje, o Hot Beach Parques e Resorts reúne o parque aquático e quatro resorts em Olímpia. A primeira fase do quinto resort está prevista para começar a operar no início de 2027, com cerca de 330 apartamentos. Ao fim das três etapas, o novo empreendimento deverá ter mais de 800 unidades. Com a expansão, a empresa pretende superar 2.000 apartamentos em Olímpia. Segundo o relatório da TEA, o Hot Beach tem mais de 530 milhões de reais em investimentos planejados até 2031.
Hot Park mantém posição entre os maiores do planeta
O terceiro brasileiro do ranking mundial é o Hot Park, localizado em Rio Quente, Goiás. O parque alcançou 1,475 milhão de visitas em 2025, contra 1,427 milhão no ano anterior. O crescimento foi de 3,4%, suficiente para manter o empreendimento entre os mais visitados do planeta, na 11ª posição. O parque pertence à Aviva, grupo responsável também por resorts e outros negócios de turismo. A história do Hot Park começou com a descoberta de águas naturalmente quentes em uma propriedade rural de Goiás. Ao longo das décadas, a região se transformou em um destino turístico com hospedagem e atrações aquáticas.
Brasil domina ranking regional da América Latina e Caribe
O peso do Brasil é ainda maior quando o recorte considera apenas a América Latina e o Caribe. Dos dez parques aquáticos mais visitados da região em 2025, seis ficam no Brasil. Quatro estão no interior de São Paulo, um em Goiás e outro no Ceará. Somados, os seis empreendimentos brasileiros registraram 7,4 milhões de visitas, o equivalente a cerca de 62% de toda a visitação dos dez parques do ranking regional. Os parques brasileiros na lista regional são: Thermas dos Laranjais (Olímpia, SP), Hot Park (Rio Quente, GO), Hot Beach (Olímpia, SP), Beach Park (Aquiraz, CE), Thermas Water Park (São Pedro, SP) e Magic City Water Park (Suzano, SP).
Beach Park e Thermas Water Park registram crescimento consistente
O Beach Park, em Aquiraz no Ceará, registrou uma das maiores taxas de crescimento da região. O público aumentou 16,5%, de 850 mil para 990 mil visitas. O desempenho aconteceu no mesmo ano em que o empreendimento inaugurou o Surreal, uma montanha-russa aquática da categoria Master Blaster, em que a água impulsiona as boias ao longo do percurso. A atração entrou em operação em março de 2025. Em São Pedro, também no interior paulista, o Thermas Water Park chegou a 932 mil visitas, crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior.
Por que a América Latina cresce mais que o mercado global
O contraste entre os dois rankings chama atenção. Enquanto os 20 maiores parques aquáticos do mundo cresceram apenas 1,7% em 2025, o conjunto dos dez maiores da América Latina e do Caribe registrou uma alta de 13,9%, segundo a TEA. Na análise que acompanha o relatório, a TEA relaciona o crescimento do setor latino-americano ao aumento da demanda por lazer, à recuperação do turismo e aos investimentos em novas atrações, áreas temáticas e hotéis. A região também tem uma oferta de grandes parques menor do que mercados mais desenvolvidos, como Estados Unidos e partes da Europa e da Ásia. Isso abre espaço para novas empresas, mas também aumenta a concorrência entre os operadores que já estão instalados.
O papel da hotelaria na estratégia de crescimento
Construir um toboágua ajuda a atrair público. Construir um resort pode fazer o visitante permanecer por vários dias. E oferecer novas experiências ao longo do ano pode convencer uma família a voltar. A estratégia responde a uma característica do setor: quem dorme no destino pode gastar com restaurantes, atrações, serviços e novas viagens. O custo dessa estratégia, porém, é elevado. Os investimentos precisam se transformar em novas entradas, diárias e consumo dentro dos complexos. Caso contrário, a expansão aumenta os custos sem garantir uma melhora proporcional nos resultados. Para parques como Thermas dos Laranjais, Hot Park e Hot Beach, o ranking de 2025 mostra que já existe público suficiente para disputar posições com alguns dos maiores operadores do mundo.
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