Itatiaia

Tesouro de mais de 2.600 moedas medievais revela como circulava o dinheiro na Rússia

Descubra o que arqueólogos aprendem ao encontrar conjuntos intactos de moedas antigas e como esses achados reconstroem a economia de cidades do século XV

Por
Homem segura moedas enferrujadas com as mãos. No fundo, as Cataratas do Iguaçu
Tesouro de mais de 2.600 moedas medievais revela como circulava o dinheiro na Rússia • Urbia Cataratas (Eagle Eye Company)

Uma pequena jarra de cerâmica enterrada há quase 600 anos guardava mais de 2.600 moedas de prata em Kolomna, cidade a cerca de 100 quilômetros de Moscou, na Rússia. O conjunto foi descoberto durante escavações de resgate no centro histórico, próximo ao Kremlin local, e representa o maior tesouro completo de moedas russas da primeira metade do século XV disponível para pesquisa.

O achado oferece aos especialistas uma janela rara para a estrutura monetária do Principado de Moscou. Diferente de outros tesouros dispersos ao longo do tempo, este permaneceu intacto, permitindo que arqueólogos reconstruam com precisão como o dinheiro circulava em uma cidade medieval russa.

Por que tesouros de moedas intactos são raros e valiosos

A maioria dos conjuntos de moedas antigas chega aos pesquisadores fragmentada, com peças vendidas separadamente ou perdidas ao longo dos séculos. Quando arqueólogos encontram um tesouro completo dentro de seu recipiente original, como ocorreu em Kolomna, obtêm informação que nenhuma moeda isolada poderia fornecer.

O conjunto preservado revela quais emissões circulavam simultaneamente, em que proporções e qual era o poder de compra real da época. Cada detalhe da composição conta uma história sobre a economia local.

O que as 2.600 moedas revelam sobre Kolomna medieval

As peças foram cunhadas principalmente nas décadas de 1420 e 1430, durante os reinados dos príncipes Basílio I e Basílio II, conhecido como "o Obscuro". A análise da composição mostrou predominância absoluta de moedas dos grandes príncipes, com quase nenhuma cunhagem de príncipes subordinados.

Essa característica específica permitiu aos especialistas do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia associar o padrão à circulação monetária própria de Kolomna. A cidade era considerada a segunda mais importante do principado depois de Moscú, e o tesouro reflete exatamente esse status na hierarquia política e econômica.

Como eram as moedas russas do século XV

O tipo predominante no tesouro é a denga de prata, uma peça pequena e irregular que ganhou comparações com escamas de peixe por causa de sua forma. Essas moedas não tinham o formato circular padronizado que conhecemos hoje.

O valor total reunido na jarra foi estimado em cerca de 13 rublos, uma quantia considerável para a época. Segundo os pesquisadores, esse montante permitia comprar duas casas na cidade ou um rebanho inteiro de cavalos, indicando que o proprietário do tesouro pertencia a um setor acomodado da sociedade.

Moedas locais com o símbolo de um pássaro em voo

Dentro do conjunto, arqueólogos identificaram um grupo especialmente interessante: moedas cunhadas na própria Kolomna que mostram a imagem de uma ave em pleno voo. Essa característica iconográfica aparece associada aos últimos anos do reinado de Basílio I.

A presença dessas emissões locais no tesouro reforça a importância econômica da cidade, que tinha capacidade própria de cunhagem e mantinha circulação monetária ativa dentro do principado.

O método arqueológico por trás da descoberta

O achado aconteceu durante escavações de resgate no centro histórico de Kolomna, próximo ao Kremlin local. A jarra estava enterrada em uma fossa pouco profunda, método comum de ocultação de valores na época medieval.

A preservação completa do conjunto permitiu aos especialistas seguir o rastro de emissões concretas e examinar em detalhe a relação entre as distintas séries de moedas que circularam na cidade durante aquele período. Esse tipo de análise só é possível quando o material permanece intacto desde o momento em que foi enterrado.

O que tesouros numismáticos ensinam sobre sociedades antigas

Conjuntos de moedas preservadas funcionam como fotografias da economia de uma época. Eles registram não apenas valores monetários, mas também relações de poder, rotas comerciais e hierarquias políticas.

No caso de Kolomna, a ausência quase total de moedas de príncipes subordinados sugere que a cidade tinha acesso direto à cunhagem dos grandes príncipes. Esse detalhe conta mais sobre a estrutura do Principado de Moscou do que documentos escritos da época, muitos dos quais se perderam.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

 

 

Belo Horizonte