Subidas no degrau: o exercício do dia a dia que desafia os agachamentos e melhora a força
Para aperfeiçoar a execução das subidas e descidas, especialistas apontam seis recomendações práticas que devem ser implementadas progressivamente

O treinamento de força costuma ser dominado por exercícios clássicos como agachamentos, levantamento terra e passadas, recorrentemente utilizados para fortalecer os membros inferiores.
No entanto, uma alternativa simples, acessível e de baixo impacto começou a ganhar protagonismo no âmbito do exercício funcional. O interesse científico e prático está se voltando para a subida no degrau, ou step-up, um gesto cotidiano transformado em ferramenta de treino que combina ativação muscular, trabalho cardiovascular e melhora da capacidade funcional, sendo especialmente benéfico durante o processo de envelhecimento.
Benefícios e Fundamentos do Exercício
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Melhora da capacidade funcional: O movimento consiste basicamente em subir e baixar de uma plataforma utilizando uma única perna por vez. O professor Matt Kaeberlein, pesquisador em biologia do envelhecimento, explica que essa dinâmica unilateral incide diretamente na habilidade humana de realizar atividades cotidianas, como levantar-se de uma cadeira baixa, subir calçadas ou caminhar por escadas, reunindo fatores essenciais para o envelhecimento saudável.
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Maior ativação dos glúteos: O trabalho com o degrau envolve múltiplos grupos musculares, incluindo quadríceps, isquiossurais, flexores de quadril, sóleo e estabilizadores do tronco e articulações. Uma revisão publicada no Journal of Sports Science and Medicine concluiu que as subidas no degrau registraram a maior ativação do glúteo máximo quando comparadas a agachamentos, levantamento terra, elevações de quadril (hip thrust) e passadas. Este músculo cumpre uma função estrutural fundamental para manter a postura, absorver impactos e facilitar a locomoção.
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Baixo impacto articular: A carga gerada sobre as articulações é inferior àquela produzida por atividades como a corrida. O treinador pessoal Harry Jameson destaca que se trata de uma excelente opção para contextos de reabilitação por não gerar a compressão articular típica da corrida, revelando que o exercício fez parte de sua própria recuperação após uma cirurgia no quadril. Além disso, o caráter unilateral ajuda a identificar e corrigir desequilíbrios musculares.
Recomendações Práticas e Progressões
Para aperfeiçoar a execução das subidas e descidas, especialistas apontam seis recomendações práticas que devem ser implementadas progressivamente:
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Controle da altura inicial: Não se deve buscar uma altura muito elevada logo de início para evitar o risco de lesões. O ideal é começar com degraus domésticos e progredir gradualmente até atingir uma altura próxima a 32 centímetros, o suficiente para ativar a musculatura sem comprometer a técnica.
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Aperfeiçoamento do passo básico: A execução inicial deve ser feita sem nenhuma carga adicional. O praticante se posiciona de frente para o degrau, com os pés alinhados na largura dos quadris, garantindo que o impulso venha do calcanhar da perna apoiada na superfície e realizando a extensão completa do corpo no topo.
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Adição progressiva de carga: Após dominar o movimento básico, pode-se adicionar pesos para incrementar a intensidade. O uso de halteres leves ou de um colete de peso permite trabalhar ainda mais a força e a estabilidade, sendo sugerido iniciar com cargas reduzidas, entre 5 e 7 quilos.
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Impulso de joelho para explosão: Uma variação avançada consiste em elevar o joelho oposto em direção ao peito ao chegar ao topo do movimento, simulando a fase de uma corrida. Essa dinâmica adiciona um componente explosivo e trabalha a coordenação entre os membros superiores e inferiores.
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Alternância rápida para estímulo aeróbico: Realizar sequências velozes e alternadas com os pés sobre um degrau baixo confere um estímulo cardiovascular ao exercício. O treino pode começar em um ritmo moderado e aumentar progressivamente tanto em velocidade quanto em duração.
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Foco no descenso controlado: Baixar o degrau de forma lenta e controlada é fundamental para fortalecer o equilíbrio e a estabilidade. Essa fase excêntrica simula um padrão de movimento muito similar ao de um agachamento unilateral, consolidando os benefícios integrais da prática.
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