Colocar garrafas de água ao sol: para que serve e por que é usado em mais de 30 países
Descubra como método SODIS remove 99,9% das bactérias da água usando garrafas PET e luz solar; técnica é endossada pela OMS

Encher garrafas de plástico transparente com água e expô-las ao sol por várias horas não é uma superstição nem um tipo de mito urbano. Na verdade, a prática consiste em uma técnica científica de desinfecção que mais de dois milhões de pessoas usam diariamente em mais de 30 países, com o apoio, inclusive, da Organização Mundial da Saúde.
O método SODIS (desinfecção solar) combina radiação ultravioleta e calor para inativar bactérias que causam diarreia e doenças digestivas. Com um custo estimado de 0,63 dólar por pessoa por ano, de acordo com os registros do instituto Eawag, representa uma solução acessível para comunidades sem acesso a água potável da rede.
Como funciona a desinfecção solar da água?
O sistema opera por meio de dois mecanismos simultâneos. A radiação ultravioleta do tipo A penetra no recipiente e danifica o material genético dos microrganismos presentes na água. Ao mesmo tempo, o calor acumulado dentro da garrafa potencializa essa ação até que os patógenos sejam completamente inativados.
Essa combinação de luz UV-A e temperatura é o que diferencia o método SODIS de simplesmente deixar a água ao sol. O processo requer condições específicas para garantir a eficácia.
Requisitos para aplicar o método SODIS corretamente
O instituto suíço Eawag, desenvolvedor da técnica, estabelece quatro condições essenciais para que a desinfecção funcione. São eles:
Tipo de garrafa: recipientes de PET transparentes e incolores, de até dois litros, sem riscos profundos ou etiquetas que bloqueiem a luz.
Qualidade da água: baixa turbidez, com limite recomendado de 30 unidades nefelométricas (NTU).
Localização: exposição direta ao sol, de preferência sobre uma superfície que reflita o calor, como um telhado de metal.
Duração: seis horas de sol pleno ou dois dias consecutivos se o céu estiver nublado.
Quais resultados os estudos científicos demonstram?
Um artigo publicado na revista Scientific Reports avaliou o sistema por 12 meses em quatro comunidades rurais em Tigray, na Etiópia. O estudo incluiu 1.147 crianças menores de cinco anos.
Os testes microbiológicos conseguiram reduzir a presença de Escherichia coli, bactéria que vive no intestino de pessoas, em 99,9% em menos de três horas. Este resultado confirma a eficácia do método contra bactérias causadoras de doenças diarreicas, principal causa de mortalidade infantil em regiões sem saneamento básico.
Limitações do método que você deve conhecer
O método SODIS tem restrições claras documentadas pelos pesquisadores. Ele não inativa vírus em recipientes de PET, o que limita seu espectro de proteção. Também não elimina protozoários, exceto quando a água ultrapassa 40 graus Celsius durante a exposição.
É fundamental entender que este tratamento funciona como uma solução doméstica no ponto de consumo. Não substitui o acesso a redes de água potável, mas funciona como uma alternativa temporária ou complementar em contextos de emergência ou limitação de infraestrutura.
O Eawag coordena programas de promoção do método SODIS na África, Ásia e América Latina. Os registros do instituto indicam que mais de dois milhões de pessoas o usam regularmente, com um custo estimado de US$ 0,63 por pessoa por ano. A técnica está concentrada em comunidades rurais com acesso limitado à água tratada, representando uma alternativa para populações sem acesso a redes seguras de água potável.
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