Sete coisas para fazer no celular que são melhores do que rolar feeds sem propósito
Descubra como transformar o tempo de tela em experiências cognitivamente estimulantes, socialmente conectivas e emocionalmente benéficas segundo a ciência

O smartphone na palma da sua mão pode ser aliado ou inimigo do bem-estar, dependendo de como você o utiliza. A maior parte dos adultos com menos de 45 anos deseja reduzir o tempo diante das telas, segundo pesquisa YouGov de 2025, mas o problema nem sempre é a quantidade de tempo gasto.
"A tecnologia pode certamente piorar o estado de espírito, mesmo entre pessoas saudáveis, dependendo daquilo para que a estamos a utilizar", explica Jon Elhai, professor catedrático de ciberpsicologia na Universidade de Toledo, Ohio. A chave está em conhecer seus objetivos pessoais e alinhar o uso do celular a eles, como aponta Joseph Bayer, professor da Escola de Comunicação da Universidade Estadual do Ohio. Este guia apresenta sete formas de usar o smartphone que a ciência comprova serem mais benéficas do que simplesmente percorrer feeds das redes sociais.
Videogames de ação rápida melhoram capacidade cognitiva
Jogar videogames no celular traz benefícios reais para o cérebro. Estudos científicos demonstram que jogos de ação rápida como Call of Duty e Fortnite aprimoram funções cognitivas, enquanto palavras cruzadas e jogos de tabuleiro também fortalecem as capacidades mentais.
As versões mobile de jogos clássicos tornaram o acesso simples. Bayer, que é entusiasta de jogos de tabuleiro, utiliza o celular para jogar Wingspan, um jogo sobre observação de aves. A mecânica assíncrona permite que ele e sua amiga terapeuta joguem suas partidas nos intervalos entre outras atividades.
"Jogar um jogo de tabuleiro online durante um minuto dá um pequeno reforço de energia entre tarefas de trabalho", relata Bayer. Entre os jogos de tabuleiro que migraram com sucesso para smartphones estão Catan, Código Secreto, Ticket to Ride, Ark Nova e Terraforming Mars.
Aplicativos de leitura conectam você a bibliotecas digitais gratuitas
A leitura regular de livros, revistas e jornais fortalece o cérebro e está associada a maior longevidade e declínio cognitivo mais lento, segundo pesquisas científicas.
As plataformas Libby e Hoopla oferecem acesso instantâneo e gratuito a livros eletrônicos, audiolivros e revistas através de parcerias com bibliotecas locais. No contexto brasileiro, a BiblioLED cumpre função semelhante, democratizando o acesso ao conteúdo literário.
Aplicativos de leitura digital permitem carregar facilmente o romance que você está acompanhando, transformando tempos mortos em momentos de leitura produtiva.
Comunidades online sobre hobbies conectam paixões e conhecimento
Os smartphones funcionam como pontes para o universo de informações sobre seus passatempos favoritos. Pesquisas científicas indicam que hobbies estão relacionados a melhor saúde mental, enquanto atividades criativas como música, dança e artes associam-se a envelhecimento cerebral mais lento.
O Reddit se destaca como recurso valioso nesse contexto. "É possível encontrar um subreddit para qualquer passatempo que tenhas", observa Elhai, que considera a plataforma útil para aprofundar conhecimento sobre diferentes atividades e conectar-se com praticantes.
Práticas de mindfulness reduzem ansiedade tanto quanto medicação
Aplicativos de meditação e atenção plena oferecem benefícios comprovados pela ciência. Estudos demonstram que exercícios de mindfulness podem ser tão eficazes quanto medicamentos para ansiedade na redução dos sintomas, e até períodos breves de meditação ajudam a alcançar estado de alerta relaxado.
Headspace e Calm figuram entre as aplicações mais populares dessa categoria. O mindfulness também auxilia no estabelecimento de relação mais saudável com o próprio smartphone.
Pesquisas mostram que maior consciência plena está ligada a uso mais equilibrado dos aparelhos. Pessoas conscientes de como e quando utilizam o celular estão mais protegidas contra uso problemático "do que as pessoas que simplesmente continuam a fazer scroll de forma automática, em vez de consciente", destaca Elhai.
Aprendizado de idiomas mantém o cérebro jovem por anos
Dominar outro idioma representa excelente forma de estimulação cerebral. Investigações científicas concluem que falar múltiplas línguas associa-se a diagnósticos mais tardios de demência, e os cérebros de pessoas bilíngues ou trilíngues apresentavam características de cérebros seis anos mais jovens comparados aos de monolíngues.
Os smartphones transformaram o aprendizado de idiomas em atividade portátil. "Não é como se pudesses passar o tempo todo presencialmente a falar com pessoas nessa língua", pondera Elhai, que utiliza o Pimsleur para estudar línguas e o Italki para praticar conversação com falantes nativos.
Esses aplicativos permitem aproveitar momentos livres para desenvolver uma habilidade com impacto duradouro na saúde cerebral.
Diários de gratidão digital combatem solidão
Reconhecer aspectos positivos da vida gera bem-estar mensurável. Estudos científicos revelam que sentimentos elevados de gratidão relacionam-se com menor sensação de solidão.
Em vez de percorrer feeds de redes sociais, considere "aplicações concebidas para escrever um diário e indicar aquilo por que está grato todos os dias, numa tentativa de ajudar a manter um estado de espírito optimista", sugere Elhai.
Exemplos incluem Three Good Things e Gratitude. Mesmo o aplicativo de notas padrão do celular pode servir para registrar pensamentos, sentimentos e recordações diárias, criando prática de reflexão positiva.
Conexão social pelo celular supera entretenimento passivo
Embora estar presencialmente com outras pessoas maximize a felicidade, socializar através do smartphone representa alternativa valiosa. Estudos mostram que praticamente toda experiência melhora quando compartilhada com amigos.
Interagir com outras pessoas por mensagens, redes sociais ou chamadas telefônicas tradicionais pode ser gratificante. Estabelecer conexões humanas, afinal, era o objetivo original dos telefones e permanece como a forma mais recompensadora de usar smartphones.
"Quando as pessoas utilizam os telemóveis de formas não sociais, por exemplo, quando estão simplesmente a ouvir música ou a ver filmes, isso pode ser agradável a curto prazo", explica Elhai. "Mas não é tão agradável como uma utilização social."
Pesquisas revelam que as pessoas subestimam o quanto pode ser gratificante contactar outros, mesmo inesperadamente. Estar no celular oferece oportunidade para reconectar-se com alguém através de mensagem simples, começar a combinar encontro ou compartilhar conteúdo engraçado. Bastam alguns minutos para fortalecer vínculos.
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