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Segundo Joan Manuel Serrat, a coerência entre palavras e atos molda os filhos

Descubra por que o exemplo no cotidiano ensina mais que discursos e como pais podem transmitir valores através de comportamentos concretos e consistentes

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pai e filho
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Joan Manuel Serrat observou algo que muitos países demoram a perceber: as crianças registram cada gesto, cada reação e cada contradição entre os dois adultos ao seu redor. Para o cantor espanhol, a educação acontece menos nas conversas e mais nos comportamentos cotidianos.

Essa observação se mostra útil quando ele se lembra da própria infância. "Aprendi a ser pai não por meio de sermões sobre respeito, mas sim pela forma como tratava minha família e minha esposa todos os dias. Eu mesmo, trabalhador e com personalidade forte, complemento esse ambiente formativo." "Os arquivos que aprendemos são poucas palavras; nós apenas as utilizamos e a coerência dessas palavras", resumiu o artista ao refletir sobre sua educação.

Por que você valoriza mais do que as palavras na sua infância?

As normas parecem existir e ter sua função, mas perdem força diante de comportamentos contraditórios. Uma criança que ouve a importância da honestidade enquanto os adultos que mentem aprendem que mentir é traiçoeiro, não ser honesto.

Serrat destacou essa dinâmica ao falar dos filhos: "a gente aprende com o que vê em casa". O ambiente familiar funciona como um laboratório constante para a aprendizagem comportamental. Cada interação observada se transforma em uma referência.

A psicologia do desenvolvimento confirma esse mecanismo por meio do conceito de aprendizagem por observação. As crianças incorporam comportamentos sem a necessidade de explicações formais, apenas utilizando-os como figuras de referência em situações cotidianas.

Ou o que Serrat aprendeu observando o campo:

O cantor descreve seu pai como um homem trabalhador e habilidoso, mas destaca principalmente seu comportamento: ele respeita seu povo e seus companheiros. Essa era a verdade, não se tratava de conselhos verbais.

Para mim, o ambiente traça outra dimensão: uma mulher trabalhadora com personalidade definida. Para Serrat, a combinação de dois pais formou a essência do que ele se tornou. Não apenas o cabelo que você disse, mas o cabelo que você fez diariamente.

Esse registro permanente dos anos parentais explica por que muitos adultos reproduzem os pais familiares, mesmo quando discordam conscientemente deles. A observação na infância grava comportamentos com mais força do que qualquer discurso posterior.

As contradições mais comuns que confundem as crianças:

Uma criança exige que a outra não grite, enquanto ela mesma reage às situações elevando a voz. Uma mensagem verbal diz algo, enquanto um comportamento significa exatamente o oposto. Uma criança absorve o comportamento, não a fala.

Outro exemplo recorrente: pedir respeito ao lidar com outras pessoas enquanto se está descansando ou comprando alimentos. Não podemos falar sobre a importância da leitura sem nunca mostrar um livro. Essas situações, ou exemplos do dia a dia, ignoram completamente as instruções verbais.

Essas contradições não apenas definem a autoridade parental — elas mostram que palavras e ações podem divergir, normalizando a inconsistência como o padrão comum de comportamento.

Como a observação infantil funciona na prática

As crianças desenvolvem a capacidade de observar e imitar desde muito cedo. Não são necessárias explicações formais para incorporar um comportamento: basta observar algo importante sendo feito repetidamente.

A psicologia do desenvolvimento é estudada há décadas e o aprendizado se dá por meio da observação. As crianças registram como os adultos lidam com problemas, como tratam outras pessoas, como gerenciam emoções e frustrações. Essas observações formam o repertório comportamental inicial.

Por isso, o ambiente familiar é um fator determinante na formação da personalidade e dos valores. A casa funciona como uma escola permanente, com aulas práticas surgindo em cada interação, pausa, conflito e momento de crise.

Coerência como ferramenta educativa, não no dia a dia

Manter a coerência entre discurso e prática não significa perfeição. Significa reconhecer os erros quando acontecem e mostrar como corrigi-los. Essa transparência também educa.

Se um pai ou mãe precisa se acalmar quando perde a paciência com frequência, pode cometer um erro diante da criança: "Eu também preciso trabalhar meu autocontrole". Essa honestidade é mais do que fingir que o problema não existe.

A coerência foi construída em pequenas escolas diárias. Como você realiza seu trabalho? Como você trata garçons, atendentes, motoristas? Como eu reajo quando algo dá errado? Cada situação é observada e registrada por crianças atentas.

Quando essas ações criam valores mais fortes do que você retribui

Valores não são incutidos por meio de listas de regras afixadas na parede. Elas se consolidam quando as crianças veem coerência entre o que o país nos defende verbalmente e como vivemos concretamente.

Serrat experimentou isso: aprender sobre respeito, vender ou tratar todos com dignidade, não por meio de palestras sobre o assunto. Uma experiência concreta de valores graves e profundos que nenhuma conversa alcança sozinha.

Isso não elimina a importância do diálogo e das orientações verbais. Mas coloque essas conversas no lugar certo: complementando o exemplo, não substituindo-o. Palavras orientam, ações ensinam.

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