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Resgate de pangolins revela mercado ilegal e ameaça à biodiversidade africana

Autoridades angolanas resgataram 16 pangolins do mercado ilegal em Luanda; entenda por que a espécie é traficada e como protegê-la

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Pagolim é um mamífero originário da África e da Ásia • CameraBaba/Shutterstock

Em pouco mais de uma semana, autoridades angolanas resgataram 16 pangolins do comércio ilegal na província de Luanda. Os animais eram vendidos por intermediários a preços que variavam entre 23 e 142 euros, destinados à medicina tradicional asiática e ao consumo de carne.

Essa sequência de operações expõe um problema global: o pangolim é uma das espécies mais vulneráveis ao tráfico no planeta. A procura por suas escamas e carne alimenta redes criminosas que ameaçam a sobrevivência da espécie. Este guia explica por que o pangolim está ameaçado, como funciona o mercado ilegal e quais ações de proteção estão em curso.

Por que o pangolim é vulnerável ao tráfico de animais

O pangolim enfrenta ameaça de extinção principalmente pela demanda de seus derivados. Suas escamas são muito procuradas pela medicina tradicional asiática, especialmente na China e no Vietname, onde são atribuídas propriedades curativas sem comprovação científica.

Além das escamas, a carne do pangolim também é comercializada ilegalmente. Essa dupla procura torna a espécie particularmente vulnerável às redes de tráfico internacional.

A vulnerabilidade natural do animal agrava o problema. O pangolim tem reprodução lenta e comportamento solitário, o que dificulta a recuperação populacional quando exemplares são retirados da natureza.

Como funciona o comércio ilegal de pangolins

As operações recentes em Angola revelam detalhes do mercado clandestino. Na segunda operação, realizada no shopping Kilamba, seis pangolins de barriga branca eram vendidos por 25 mil kwanzas cada (23,7 euros), totalizando 150 mil kwanzas (142,6 euros).

Os intermediários atuam em áreas urbanas, facilitando o acesso de compradores interessados. O pangolim capturado na natureza percorre caminhos que vão desde comunidades rurais até centros comerciais das cidades.

O preço relativamente baixo no mercado local contrasta com os valores praticados no mercado internacional, onde os derivados do pangolim alcançam cifras elevadas. Essa diferença econômica alimenta a cadeia de tráfico.

Operações de resgate e proteção coordenadas

O Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) coordena as ações de proteção ao pangolim em Angola. As operações recentes envolveram parceria entre a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC).

A primeira operação, realizada no dia 25 de setembro na centralidade do Sequele (província de Icolo e Bengo), permitiu o resgate de 10 pangolins. Nesse caso, uma colaboradora adquiriu os animais no comércio ilegal e procedeu à entrega voluntária ao INBAC.

A segunda operação, no shopping Kilamba em Luanda, resultou na apreensão de mais seis pangolins e na detenção do intermediário responsável pela comercialização. Esse trabalho conjunto demonstra a estratégia de atuação integrada contra o tráfico de animais silvestres.

O pangolim de barriga branca e sua importância ecológica

O pangolim de barriga branca é uma das espécies resgatadas nas operações. Esses mamíferos desempenham papel fundamental no controle de populações de insetos, alimentando-se principalmente de formigas e cupins.

A presença do pangolim no ecossistema contribui para o equilíbrio ambiental. Sua extinção representaria perda significativa para a biodiversidade africana e desequilíbrio nas cadeias alimentares onde a espécie atua.

A proteção do pangolim vai além da preservação de uma única espécie. Trata-se de manter a integridade de ecossistemas inteiros que dependem da função ecológica desempenhada por esses animais.

Destino dos pangolins resgatados

Após as operações de resgate, os 16 pangolins ficam sob cuidados do INBAC. A instituição avalia o estado de saúde dos animais e define as melhores estratégias de reabilitação.

O objetivo prioritário é devolver os pangolins à natureza quando as condições de saúde permitirem. Animais debilitados passam por período de recuperação antes da soltura em áreas protegidas.

O trabalho de reabilitação exige conhecimento especializado sobre a biologia e as necessidades nutricionais da espécie. A expertise do INBAC é fundamental para garantir que os pangolins resgatados tenham chances reais de sobrevivência após o retorno ao habitat natural.

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