Redes sociais: 'comparação constante' afeta a identidade de adolescentes; entenda
Pressão por curtidas, filtros e validação digital pode influenciar autoestima, saúde mental e construção da identidade na adolescência, segundo especialistas

As redes sociais passaram a ocupar um papel central na vida de adolescentes e, segundo especialistas, a comparação constante no ambiente digital tem impactado diretamente a forma como jovens constroem a própria identidade e enxergam a si mesmos.
O tema ganhou ainda mais atenção diante do aumento de estudos que relacionam o uso excessivo dessas plataformas a problemas emocionais como ansiedade, depressão, baixa autoestima e insegurança. Especialistas afirmam que a adolescência é uma fase marcada pela busca de pertencimento e reconhecimento, o que torna os jovens mais vulneráveis à pressão das redes.
De acordo com uma reportagem publicada pelo site Infobae, muitos adolescentes passaram a desenvolver uma "identidade performática", conceito usado para descrever a diferença entre quem a pessoa realmente é e a imagem que decide mostrar online. Nesse processo, curtidas, comentários, número de seguidores e visualizações acabam funcionando como formas de validação pessoal.
Especialistas explicam que, quando essa aprovação digital não acontece da maneira esperada, sentimentos como rejeição, frustração e invisibilidade podem surgir com mais intensidade. A necessidade constante de aceitação também pode aumentar a comparação social, especialmente entre adolescentes que ainda estão formando sua autoestima.
Outro ponto destacado é que os algoritmos das plataformas tendem a reforçar conteúdos que prendem a atenção dos usuários. Isso faz com que adolescentes sejam expostos repetidamente a padrões de beleza, estilos de vida idealizados e rotinas aparentemente perfeitas, criando uma percepção distorcida da realidade.
Pesquisadores citados pelo Infobae afirmam que o problema não está apenas no tempo de uso das redes sociais, mas principalmente na maneira como elas são utilizadas. O consumo passivo, baseado em comparação e busca por aprovação, costuma estar associado a mais sofrimento emocional. Já usos ligados à criatividade, expressão pessoal e interação saudável podem ter efeitos menos prejudiciais.
Estudos recentes também indicam que adolescentes entre 12 e 15 anos estão entre os mais vulneráveis aos impactos negativos das redes sociais. Segundo especialistas, nessa fase o cérebro ainda está em desenvolvimento, principalmente em áreas ligadas ao controle emocional e à percepção de recompensa.
A reportagem menciona ainda pesquisas que associam o uso precoce das redes a pior desempenho em memória, leitura e linguagem. Além disso, médicos e psicólogos relatam crescimento nos casos de ansiedade, alterações no sono, isolamento social e dependência emocional da validação online.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



