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Quem prefere mensagens de texto no WhatsApp tem esses traços de personalidade, dizem psicólogos

Introversão, autonomia e capacidade de reflexão são algumas das características das pessoas que optam pela comunicação escrita

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Preferir mensagens de texto indica preferência por clareza e controle na hora da comunicação
Preferir mensagens de texto indica preferência por clareza e controle na hora da comunicação • Magnific

Você costuma conversar pelo WhatsApp usando mensagens de texto ou prefere mandar áudios? Para muita gente, a escolha é apenas uma questão de praticidade. Escrever pode parecer mais rápido em alguns momentos, enquanto gravar um áudio pode ser mais fácil quando há muita coisa para explicar.

Mas, segundo especialistas, essa preferência também pode dizer bastante sobre a maneira como cada pessoa se comunica, lida com as próprias emoções e se relaciona com os outros.

Por que algumas pessoas preferem mensagens de texto?

Quem prefere escrever costuma valorizar aspectos como clareza, controle e a possibilidade de pensar antes de responder. Isso não significa, necessariamente, que seja uma pessoa distante ou que não goste de conversar. Muitas vezes, trata-se apenas de alguém que se sente mais confortável tendo alguns instantes para organizar as ideias antes de colocá-las em palavras.

Essa preferência é relativamente comum entre pessoas mais introvertidas. Para elas, as mensagens de texto podem tornar as interações sociais mais confortáveis, já que não existe a mesma pressão de responder imediatamente. É possível ler, pensar e responder no próprio ritmo.

Pessoas mais reflexivas também podem se identificar com esse estilo de comunicação. Antes de enviar uma mensagem, elas podem reler o que escreveram, mudar uma palavra ou reorganizar uma frase até sentirem que conseguiram transmitir exatamente o que queriam.

Outro ponto é a autonomia. Para quem gosta de ter mais controle sobre o próprio tempo e sobre a maneira como se expressa, escrever oferece uma liberdade que nem sempre existe em uma conversa em tempo real. Não é preciso responder na mesma hora nem encontrar a frase perfeita sob pressão.

O alívio da "carga cognitiva"

Existe ainda outro fator interessante: a redução da chamada "carga cognitiva desnecessária".

Em uma conversa em tempo real, nossa mente precisa lidar com várias coisas ao mesmo tempo. É preciso acompanhar o ritmo do diálogo, interpretar o tom de voz, perceber pausas e outras pistas sociais e, muitas vezes, formular uma resposta enquanto a outra pessoa ainda está falando.

Na comunicação por texto, parte dessa pressão desaparece.

Sem a necessidade de responder imediatamente, a pessoa ganha um tempo para organizar os pensamentos. Pode reler a mensagem, escolher melhor as palavras e construir uma resposta que represente com mais precisão aquilo que realmente quer dizer.

Isso também coloca em dúvida a ideia de que ser espontâneo é sempre sinônimo de ser autêntico. Responder imediatamente não significa necessariamente ser mais sincero. Às vezes, a rapidez favorece respostas automáticas. Ter um pouco mais de tempo pode, justamente, permitir uma resposta mais consciente e verdadeira.

E quem prefere enviar áudios?

Do outro lado estão as pessoas que adoram mandar mensagens de voz. Para elas, o áudio pode parecer uma maneira mais natural e expressiva de conversar.

A voz transmite elementos que o texto nem sempre consegue reproduzir completamente, como entonação, ritmo, emoção e humor. Um simples "tudo bem" pode ter significados muito diferentes dependendo da maneira como é dito, algo que nem sempre fica claro em uma mensagem escrita.

Mas a preferência pelo áudio também pode estar ligada à necessidade de controlar a forma como a mensagem será recebida. Ao gravar um áudio, a pessoa pode escolher o que dizer, ajustar o tom e até regravar antes de enviar.

Em alguns casos, essa possibilidade traz mais segurança. A pessoa consegue preparar melhor aquilo que quer falar sem precisar lidar com interrupções ou com uma resposta inesperada imediatamente.

O psiquiatra e psicanalista argentino José Eduardo Abadi, por exemplo, afirma que a preferência por mensagens de voz não está necessariamente ligada apenas à praticidade. Segundo ele, esse hábito também pode envolver uma necessidade inconsciente de ter maior controle sobre a interação.

Diferentemente de uma ligação, o áudio permite preparar a fala, escolher as palavras e o tom e, se necessário, gravar novamente. Dessa forma, a pessoa participa da conversa sem precisar se expor completamente à imprevisibilidade de um diálogo em tempo real.

No fim, não existe uma escolha "certa"

É importante lembrar que nenhum desses comportamentos, sozinho, define a personalidade de alguém.

Uma pessoa pode preferir texto porque está trabalhando, porque não quer interromper quem está ao lado ou simplesmente porque acha mais fácil escrever. Da mesma forma, alguém pode gostar de áudios porque pensa melhor falando ou porque sente que consegue transmitir suas emoções com mais facilidade pela voz.

A maneira como nos comunicamos é influenciada por vários fatores, como personalidade, contexto, hábitos, experiências e até pelo tipo de relação que temos com quem está do outro lado da conversa.

Por isso, mais do que tentar descobrir o que uma mensagem de texto ou um áudio "revela" sobre alguém, talvez seja mais interessante perceber como cada pessoa encontra sua própria maneira de se sentir confortável ao conversar.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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