Psicologia afirma que idosos sentem a solidão com mais intensidade ao fim de uma ligação
Nesse momento, o contraste entre a conexão e o silêncio se torna o aspecto mais perceptível da casa

As chamadas telefônicas desempenham um papel importante na vida de muitos idosos. Para aqueles que moram sozinhos ou têm pouco contato presencial com familiares e amigos, uma conversa pode se tornar um dos momentos mais esperados do dia.
Durante esses poucos minutos, a rotina muda. Há uma troca de notícias, brincadeiras, perguntas e comentários que quebram o silêncio habitual da casa. A conversa proporciona companhia, mesmo à distância.
A experiência costuma ser positiva, mas diversos especialistas em envelhecimento e bem-estar emocional observaram que algumas pessoas desenvolvem uma sensação particular quando a ligação termina e elas ficam sozinhas novamente.
Nos últimos anos, a pesquisa sobre a solidão começou a prestar atenção não apenas à quantidade de interações sociais, mas também às mudanças emocionais que ocorrem antes e depois desses contatos.
Idosos sentem mais solidão ao término de uma chamada telefônica
Um artigo publicado pelo portal Bolde argumenta que muitos idosos descrevem uma sensação de vazio que surge após uma conversa telefônica significativa.
O desconforto não provém da conversa em si, nem da solidão, mas do contraste entre a conexão recente e o retorno ao silêncio cotidiano. A ligação serve como um lembrete dos laços existentes, mas também da distância física que separa familiares e amigos.

A psicóloga clínica americana Carla Marie Manly afirmou, em comentários divulgados por diversos veículos de comunicação especializados, que a solidão tende a se intensificar quando uma pessoa experimenta uma desconexão entre o contato desejado e o contato real que mantém com os outros.
Segundo a especialista, o sentimento de isolamento está relacionado à qualidade percebida dos relacionamentos, e não à quantidade de pessoas disponíveis.
Essa ideia está em consonância com uma pesquisa publicada pela organização americana AARP , dedicada ao estudo do envelhecimento. Sua análise indica que a solidão depende não apenas de viver sozinho ou com outras pessoas, mas também do sentimento subjetivo de conexão social e pertencimento.
Entre os fatores que podem explicar esse fenômeno estão:
- Contraste emocional. O silêncio torna-se mais evidente após uma interação significativa.
- Expectativas de proximidade. A conversa pode despertar o desejo de contato mais frequente.
- Memórias e nostalgia. As ligações frequentemente incluem referências à família, aos amigos e a experiências compartilhadas.
- Redes sociais reduzidas. Com a idade, muitas pessoas percebem que seu círculo de relacionamentos cotidianos diminui.
- Menos oportunidades de interação. Aposentadoria, distância geográfica ou problemas de mobilidade podem limitar encontros presenciais.
A psiquiatra e neurocientista americana Marianne Legato explicou, em entrevista ao Instituto Nacional do Envelhecimento, que o contato social regular desempenha um papel importante no bem-estar emocional dos idosos e ajuda a reduzir a sensação de isolamento.
A Organização Mundial da Saúde por sua vez, alertou que a solidão e o isolamento social são fatores significativos que afetam a saúde física e mental, especialmente entre os idosos. A organização observa que essas experiências podem impactar a qualidade de vida, o humor e o bem-estar geral.
O que você pode fazer antes de encerrar uma chamada para evitar esse sentimento?
Existem diversas estratégias simples que, segundo especialistas em envelhecimento e bem-estar emocional, podem ajudar a evitar que o fim de uma chamada crie um contraste tão grande entre conexão e silêncio:
- Mantenha a conversa fluindo. Antes de desligar, mencione quando vocês conversarão novamente. Um "Te ligo amanhã depois do almoço" geralmente transmite uma sensação maior de continuidade do que um simples "a gente conversa".
- Encerrar a conversa com um assunto inacabado. Deixar algo para a próxima conversa ("da próxima vez eu te conto como foi a reunião" ou "depois você me conta o que achou do filme") ajuda a projetar o relacionamento para o futuro.
- Faça ligações mais curtas, porém mais frequentes. Para muitos idosos, três conversas breves durante a semana podem ser mais reconfortantes do que uma ligação longa a cada poucos dias.
- Combine diferentes tipos de contato. Uma mensagem de texto, uma foto, uma mensagem de voz ou uma chamada de vídeo ocasional podem manter uma sensação de presença entre as conversas.
- Incentive outras conexões. Se possível, promover o contato com amigos, vizinhos, familiares ou atividades em grupo evita que toda a carga emocional recaia sobre uma única ligação telefônica.
- Não apresse o encerramento. Quando uma conversa termina abruptamente porque alguém está com pressa, o contraste costuma ser mais desagradável. Um encerramento gradual pode ser mais agradável.
- Pergunte sobre os planos imediatos. Conversar sobre o que a pessoa fará após o término — ler, dar uma caminhada, assistir a uma série, ligar para um amigo — pode ajudar a direcionar a atenção dela para a próxima atividade.
Mariana Taveira é estagiária do portal Itatiaia. Graduanda em Jornalismo pela UFMG, atua na cobertura de Minas Gerais, Brasil, Mundo e Entretenimento. Foi estagiária de produção na Record Minas e é entusiasta de narrativas que nascem do cotidiano e das paixões coletivas.



