Protetor solar: veja o que realmente importa na escolha
Textura leve, absorção rápida e sensação confortável na pele não significam, sozinhas, menor proteção contra o sol

A sensação de leveza na pele é um dos fatores que mais atraem consumidores na hora de escolher um protetor solar. Produtos que espalham facilmente, não deixam a pele oleosa e desaparecem rapidamente após a aplicação podem ser mais agradáveis no dia a dia. Mas isso não significa que um protetor solar mais leve ofereça menos proteção.
Textura e proteção são características diferentes, embora estejam relacionadas à formulação do produto. Um protetor precisa ser desenvolvido para garantir a proteção indicada e, ao mesmo tempo, apresentar uma textura que incentive o usuário a aplicar a quantidade necessária.
Textura não determina a proteção
Conforme explica o site 'Times of India', um protetor solar não é simplesmente um hidratante ao qual foram adicionados filtros contra a radiação ultravioleta. Os filtros precisam ser incorporados a uma base estável, distribuídos de maneira uniforme e permanecer funcionais durante o período de validade do produto.
A formulação também precisa formar uma camada protetora uniforme sobre a pele depois da aplicação. A quantidade e o tipo de filtros utilizados podem interferir na textura, no espalhamento, no acabamento e na sensação deixada pelo produto.
Por isso, o desafio da indústria não é produzir o protetor mais leve possível, mas encontrar um equilíbrio entre a proteção prevista na formulação e uma textura que facilite o uso correto.
O que observar no rótulo do protetor solar
Para a dermatologista clínica e especialista em laser Renita Rajan, citada pela reportagem, a palavra "leve" descreve principalmente a sensação do produto sobre a pele e não representa uma especificação de proteção.
"Leve descreve a sensação na pele. Não é uma especificação de proteção. Procure as classificações de FPS e PA", explicou a especialista.
Segundo ela, o FPS está relacionado principalmente à proteção contra os raios UVB, enquanto a classificação PA indica proteção contra os raios UVA. Para o uso diário, a médica aponta FPS30 ou superior e PA++++ como um ponto de partida adequado para a maioria das pessoas.
A reportagem também destaca que a presença de determinado filtro na fórmula, isoladamente, não é suficiente para comprovar como o produto final irá funcionar. O protetor deve ser avaliado como uma formulação completa, inclusive por meio de testes apropriados.
Protetor que absorve rápido não significa que penetra mais
Outro ponto que pode causar confusão é a expressão "absorção rápida", frequentemente usada em produtos de textura leve.
Quando uma marca afirma que o protetor é absorvido rapidamente, isso normalmente está relacionado à maneira como ele se espalha, assenta na pele e deixa de apresentar sensação oleosa. Essa descrição é diferente do conceito de absorção estudado cientificamente, que envolve a quantidade de filtro que atravessa a pele e a possibilidade de exposição sistêmica.
Ou seja, a sensação de que o produto desapareceu rapidamente da superfície da pele não permite concluir, por si só, que seus componentes tenham penetrado mais profundamente.
E a proteção contra a luz azul?
A luz azul faz parte do espectro de luz visível e pode ser relevante especialmente para pessoas que apresentam melasma ou pigmentação persistente.
No entanto, segundo a reportagem, a presença de antioxidantes ou de um FPS ou PA elevado não comprova automaticamente que um protetor ofereça proteção contra a luz azul. Para sustentar essa alegação, seriam necessárias evidências relacionadas aos comprimentos de onda relevantes e ao produto final.
Não existe uma textura ideal para todo mundo
A escolha da textura também pode variar de acordo com as características da pele e as condições do ambiente. Pessoas com pele seca ou sensível podem preferir protetores mais hidratantes e com acabamento luminoso. Já quem tem pele oleosa ou propensa à acne pode se adaptar melhor a produtos mais leves, como fórmulas em gel-creme, especialmente em ambientes quentes e úmidos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



