Projeto de 500 bilhões de dólares: Imagens de satélite revelam construção de palácio de luxo na costa saudita
O complexo está surgindo numa área anteriormente desértica e simboliza o luxo e a ambição por trás da 'Visão 2030', promovida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman

Novas imagens de satélite revelam a construção de um suntuoso complexo palaciano ao longo da costa do Mar Vermelho, na Arábia Saudita, parte integrante do megaprojeto 'Neom', avaliado em 500 mil milhões de dólares. O complexo está surgindo numa área anteriormente desértica e simboliza o luxo e a ambição por trás da 'Visão 2030', promovida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
Entre 2019 e 2024, a zona registou uma profunda transformação: de um posto isolado com apenas um pequeno cais, a região abriga agora um palácio de grandes dimensões, heliportos, jardins meticulosamente desenhados, um campo de golfe, lagoas artificiais, estradas ladeadas por árvores e diversas vilas. A própria linha costeira foi redesenhada, numa intervenção de grande escala que demonstra o poder financeiro e político envolvido na execução do 'Neom'.
A revista Newsweek, que divulgou as imagens, contactou a administração do projeto 'Neom', mas até ao momento não obteve resposta.
O desenvolvimento do palácio é um reflexo claro da 'Visão 2030', o plano estratégico liderado por Mohammed bin Salman com o objetivo de reduzir a dependência do petróleo e diversificar a economia saudita. No entanto, a grandiosidade do projeto surge num momento delicado para as finanças do país.
Com os preços do petróleo caindo de mais de 80 dólares por barril em janeiro para cerca de 60 dólares recentemente — valor abaixo do ponto de equilíbrio orçamentário do reino —, as perspectivas econômicas tornaram-se mais incertas. Este abrandamento está forçando muitas empresas a se preparar para tempos difíceis, na medida em que o projeto 'Neom' continua a consumir recursos consideráveis.
O projeto 'Neom' e a promessa de uma cidade futurista
'Neom' representa a tentativa mais ambiciosa da Arábia Saudita para remodelar a sua economia, apostando em setores como o turismo, a tecnologia e a inovação. Entre os seus componentes mais emblemáticos está 'The Line', uma cidade linear de 170 quilómetros, projetada para funcionar sem automóveis, com zero emissões de carbono e movida a inteligência artificial.
Contudo, apesar do marketing futurista, 'The Line' tem enfrentado atrasos significativos e custos crescentes. Até 2030, espera-se que apenas uma pequena parte da cidade esteja concluída. No mês passado, Giles Pendleton, diretor de operações do projeto, divulgou novas fotografias aéreas que mostram a infraestrutura básica que está surgindo no deserto — uma das confirmações visuais mais claras de que a construção está efetivamente em curso.
As imagens reveladas em abril de 2025 mostram já a forma da cidade com 200 metros de largura a tomar forma, reforçando a narrativa do governo de que o projeto avança, apesar das dificuldades econômicas.
Críticas e controvérsias
O projeto 'Neom' não tem estado isento de polêmicas. Além dos desafios orçamentais, o megaprojeto tem sido criticado a nível internacional por alegadas violações de direitos humanos, em particular devido ao alegado deslocamento forçado da tribo Huwaitat, que historicamente habitava a zona agora em desenvolvimento. Organizações ambientais também expressaram preocupações quanto ao impacto ecológico da construção massiva numa zona costeira sensível.
A Arábia Saudita continua vulnerável aos ciclos de boom e recessão ligados ao petróleo, e a recente instabilidade nos mercados energéticos, agravada por tensões geopolíticas, voltou a expor a fragilidade do modelo econômico tradicional do reino.
Com os preços do petróleo persistentemente abaixo do esperado, a viabilidade financeira da Visão 2030 enfrenta um teste decisivo. O palácio em construção pode ser um símbolo de poder e prestígio, mas também evidencia os contrastes entre as ambições futuristas e os constrangimentos económicos atuais.
À medida que o mundo observa de perto o desenrolar do projeto 'Neom', resta saber se o príncipe Mohammed bin Salman conseguirá concretizar a sua visão de um novo paradigma econômico e urbano ou se os desafios estruturais e financeiros acabarão por comprometer esse ambicioso plano.
Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.



