Principal característica das pessoas mais inteligentes do mundo vai além do QI, diz neurocientista
Segundo Joseph Jebelli, hábito cultivado por gênios pode estimular a criatividade, fortalecer o cérebro e trazer diversos benefícios

O cérebro não funciona melhor quando dedicamos cada minuto do dia à produtividade. A pressão para aproveitar o tempo ao máximo, reforçada por uma rotina cada vez mais acelerada, acaba deixando pouco espaço para descansar. Mas e se, em vez de preencher todos os momentos com alguma tarefa, déssemos ao cérebro a oportunidade de relaxar e deixar os pensamentos fluírem livremente?
É justamente essa a proposta do neurocientista Joseph Jebelli em seu livro “O Cérebro em Repouso”. Segundo ele, passar um tempo sozinho, sem cobranças ou distrações, pode ser muito mais benéfico do que imaginamos. Esse hábito também está presente na rotina de algumas das pessoas mais inteligentes e bem-sucedidas do mundo.
Ficar sozinho por escolha pode estimular a criatividade e fortalecer o cérebro
A solidão nem sempre faz bem. Quando é involuntária, pode trazer consequências negativas para a saúde. No entanto, escolher passar um tempo consigo mesmo pode oferecer diversas vantagens, como ampliar o autoconhecimento, desenvolver a inteligência emocional e estimular a criatividade. E permitir que a mente descanse não significa, necessariamente, ficar sem fazer nada ou praticar meditação.
De acordo com Jebelli, atividades como escrever, tocar um instrumento, pintar ou cuidar de plantas, quando realizadas em momentos de tranquilidade e sem companhia, podem estimular a chamada “rede padrão” do cérebro. Essa rede está relacionada a processos como a reflexão, a imaginação e a criação de novas ideias, contribuindo para o aprendizado e para o desenvolvimento de habilidades cognitivas.
Em seu livro, o neurocientista destaca que muitas pessoas inteligentes e bem-sucedidas valorizam o tempo que passam sozinhas. Um exemplo é Bill Gates, que, desde a década de 1990, reserva períodos para suas chamadas “semanas de reflexão”. Nessas ocasiões, ele se afasta da rotina em uma cabana à beira-mar para ler, pensar e explorar novas ideias. Uma dessas semanas contribuiu para o desenvolvimento do Internet Explorer, lançado em 1995.
Leonardo da Vinci também valorizava esses momentos de observação e reflexão. Segundo relatos, ele passou horas contemplando a pintura A Última Ceia, antes de realizar pequenos ajustes na obra e se afastar novamente. Esses exemplos mostram como dar espaço aos pensamentos pode ajudar a amadurecer ideias e encontrar novas perspectivas.
Reservar um tempo para si pode beneficiar a saúde mental e o aprendizado
Para Jebelli, passar mais tempo sozinho, principalmente quando essa é uma escolha pessoal, pode ser positivo para o cérebro.
Não é preciso mudar toda a rotina para experimentar esses benefícios. O especialista sugere começar com apenas dez minutos por dia, em um lugar tranquilo, onde seja possível sentar e respirar sem interrupções. Mesmo uma pausa curta pode ajudar a desacelerar e criar espaço para a reflexão.
O neurocientista também recomenda prestar mais atenção à qualidade das interações sociais. Mais importante do que estar sempre acompanhado é escolher momentos de convivência que realmente façam sentido. Muitas vezes, mantemos compromissos sociais apenas por obrigação, mesmo quando essas experiências nos deixam cansados ou desconfortáveis.
Esse tipo de estresse pode elevar os níveis de cortisol, hormônio que desempenha funções importantes no organismo, mas que, quando permanece elevado por muito tempo, pode prejudicar a saúde física e mental.
Para quem não está acostumado a ficar sozinho, o ideal é começar aos poucos. Caminhadas silenciosas, escrever em um diário ou praticar ioga são algumas alternativas para aproveitar a própria companhia sem pressão. Jebelli também sugere usar esses momentos para pensar nas experiências vividas e nos sentimentos que elas despertam.
Com o tempo, esse hábito pode ajudar a compreender melhor as próprias emoções, desenvolver o autoconhecimento e estimular processos mentais importantes. Afinal, nem todo momento precisa ser produtivo para ter valor: às vezes, dar uma pausa na rotina é justamente o que a mente precisa para organizar ideias, aprender e criar.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



