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Homem encontra no seu jardim maior tesouro de prata da Era Viking, com mais de 18 kg

Tesouro de 18,5 kg revela como vikings usavam prata como moeda, mediam riqueza pelo peso e mantinham rotas comerciais. Saiba mais.

Um dos erros mais comuns na jardinagem é pensar no jardim como um elemento isolado da casa, sem conexão com o estilo, os materiais e a dinâmica da residência
Imagem de um jardim • Reprodução / Canvas

Um morador de Rebild, no norte da Dinamarca, cavava o jardim para construir um terraço quando sua mão bateu em algo que fazia um barulho estranho. Meia hora depois de começar o trabalho, ele retirava do solo o maior tesouro de prata da Era Viking já descoberto no país: 18,5 kg de metal precioso enterrados há mil anos.

O achado reúne cerca de 700 objetos e fragmentos que revelam muito mais que riqueza acumulada. Ele funciona como uma janela para entender como a economia viking operava no século 10, quando a prata não circulava apenas como moeda, mas servia de reserva de valor medida pelo peso. Este guia explica o sistema econômico por trás do tesouro e o que ele revela sobre comércio, poder e conexões internacionais na Escandinávia medieval.

Como a prata funcionava como moeda na Era Viking

Na economia viking do século 10, a prata tinha valor independente da forma que assumia. Moedas, joias, barras e fragmentos serviam como meio de pagamento desde que o peso e a pureza fossem adequados.

"Este é um tesouro de prata da Era Viking excepcionalmente importante", afirma Torben Sarauw, arqueólogo responsável pelo patrimônio cultural dos Museus do Norte da Jutlândia. "Ele oferece uma visão rara da economia da prata na Era Viking, onde a prata funcionava não apenas como moeda, mas, na forma de lingote, era usado para comércio, pagamentos e reserva de valor."

O sistema permitia que qualquer objeto de prata fosse cortado, dividido ou derretido para ajustar a quantidade necessária em uma transação. A flexibilidade tornava o metal precioso mais prático que sistemas monetários rígidos.

O sistema de peso que organizava transações comerciais

Uma das características mais notáveis do tesouro de Rebild é a organização dos objetos. Barras, fragmentos e peças quebradas aparecem agrupados de acordo com seu peso, indicando que o material não foi reunido aleatoriamente.

"Ao analisarmos o peso dos objetos de prata, o tesouro revela informações sobre as práticas econômicas da Era Viking. O tesouro não consiste apenas em objetos bonitos. A maioria deles faz parte de um sistema de valor estruturado por peso", observa Sarauw.

Na prática, cada pedaço de prata valia de acordo com quanto pesava e com a pureza do metal. Por essa razão, uma pulseira podia ser cortada em partes menores para que a quantidade exata fosse utilizada no pagamento. O arqueólogo compara o achado a um "cofre da Era Viking", preservando não apenas objetos, mas um registro de como a riqueza era armazenada e organizada há cerca de mil anos.

O que as moedas estrangeiras revelam sobre rotas comerciais

Entre as 700 peças do tesouro há moedas de origem anglo-saxônica e árabe, evidenciando a amplitude das conexões comerciais da Dinamarca medieval.

Duas moedas são pennies de prata cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho, que governou a Inglaterra entre 899 e 924. Como essas moedas só poderiam ter chegado ao local depois de entrarem em circulação, elas ajudam os arqueólogos a estabelecerem uma data mínima para o enterramento do tesouro.

Também foram encontrados dirhams, moedas de prata do mundo islâmico. Muitas trazem inscrições em árabe que podem indicar o local e o período em que foram cunhadas. Algumas aparecem fragmentadas, algo compatível com o uso da prata pelo peso.

"É isso que torna a descoberta fascinante. A prata estava escondida em Rebild, mas aponta para um mundo muito maior. As moedas revelam que havia conexões com o mundo islâmico a leste e com a Inglaterra a oeste, bem como uma Era Viking em que pessoas, mercadorias e valores circulavam por enormes distâncias", destaca Sarauw.

Por que tesouros de prata eram enterrados

O tesouro foi escondido em um período de grandes transformações na Dinamarca, marcado pela formação do reino dinamarquês e pela expansão do cristianismo na Escandinávia. Esse contexto político e religioso pode explicar por que alguém decidiu enterrar tamanha quantidade de metal precioso.

A equipe de arqueólogos ainda trabalha para entender as circunstâncias exatas do enterramento. O terreno onde o material foi encontrado está hoje em uma área urbanizada, o que limita a realização de uma investigação arqueológica ampla.

Não se sabe se o tesouro foi escondido perto de uma antiga comunidade viking, junto a uma estrada ou em um local escolhido justamente por ser discreto e seguro. A ausência de uma escavação arqueológica extensa dificulta a reconstrução do contexto original do depósito.

O que está escrito nas barras de prata

Entre os objetos mais intrigantes está uma barra de prata com uma inscrição feita em runas, sistema de escrita utilizado por povos germânicos e escandinavos. A marca pode ser lida como "hutu".

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que a inscrição significa. Ela pode corresponder a um nome, indicar o proprietário da peça ou representar algum outro tipo de identificação. Por enquanto, a interpretação permanece em aberto.

Essas marcações eram comuns em barras de prata da Era Viking e serviam como forma de identificar proprietários, certificar pureza ou registrar transações. A presença de runas adiciona uma camada de informação sobre práticas comerciais e de propriedade no período.

Diferenças entre tesouros de prata e tesouros de ouro

A região de Rebild revelou outros achados importantes que ajudam a contextualizar a descoberta recente. Em 1971, foi encontrado outro grande depósito de prata conhecido como Rebildskat, datado do século 10, com cerca de quatro quilos de prata entre barras, joias quebradas e pequenos fragmentos embrulhados em uma pele.

Mais recentemente, na primavera de 2026, foi descoberto nas proximidades o chamado Tesouro de Rold, formado por seis pulseiras de ouro intactas da Era Viking, com peso total de 762,5 gramas.

Os dois tipos de achado revelam aspectos diferentes daquela sociedade. Enquanto o tesouro de Rebild mostra principalmente como a prata funcionava como riqueza medida pelo peso, o conjunto de ouro de Rold está mais associado a status, poder e às elites.

"Estamos diante de uma região que, repetidamente, revela descobertas espetaculares da Era Viking. O novo tesouro de prata demonstra que a área de Rebild não era periférica, mas sim parte das amplas conexões econômicas e culturais que ligavam a Escandinávia às regiões ao redor do Mar Báltico e ao mundo islâmico a leste, bem como à região do Mar do Norte, à Inglaterra e à Europa Ocidental a oeste", lembra Sarauw.

Como o tesouro foi descoberto por acaso

O jardineiro, que preferiu permanecer anônimo, contou que o trabalho deveria durar apenas algumas horas. Ele planejava remover grama, pedras e cascalho para preparar o terreno para um novo terraço de azulejos.

"Minha mão bateu em algo que fazia um barulho estranho. A princípio, pensei que fosse ferro-velho ou arame de cerca e alguns cacos de cerâmica, mas quando comecei a cavar com as mãos, de repente consegui retirar um objeto de metal após o outro do chão. Depois de um breve período de trabalho cuidadoso, percebi que eram joias, moedas e barras de prata", relatou.

Cerca de 320 objetos ainda estavam dentro do vaso de barro em que foram enterrados. O restante foi localizado no solo ao redor. O conjunto é quase três vezes maior que o chamado Tesouro de Terslev, anteriormente considerado o maior tesouro de prata da Era Viking encontrado na Dinamarca, com cerca de 6,5 kg.

Onde o tesouro poderá ser visto no futuro

O tesouro agora passa por avaliação do Museu Nacional da Dinamarca. As autoridades locais trabalham com a expectativa de, no futuro, apresentar o conjunto no Museu Viking de Fyrkat, associado à famosa fortaleza circular ligada ao rei Harald Bluetooth.

Antes disso, será necessário definir as condições de segurança e conservação das peças. "Quando se trata de objetos únicos e muito valiosos como estes, normalmente existem exigências elevadas em termos de segurança, vigilância, alarmes, vitrines e manuseio geral dos objetos", explica Sarauw.

Na Dinamarca, quando uma descoberta é oficialmente declarada tesouro nacional, ela passa a pertencer ao Estado, e o Museu Nacional é responsável por estabelecer os requisitos para eventual exposição. "Antes de sabermos se podemos exibir as descobertas em Fyrkat, é preciso esclarecer quais são os requisitos necessários e se eles podem ser atendidos", conclui o arqueólogo.

 

 

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