Quatro estudantes propuseram cobrir uma geleira suíça com lã de ovelha em vez de plástico; veja
Quatro estudantes propuseram cobrir uma geleira suíça com lã de ovelha em vez de plástico

Uma experiência realizada nos Alpes suíços testou o uso de lã de ovelha para reduzir o derretimento de uma geleira. A proposta surgiu de quatro estudantes de mestrado e busca substituir as coberturas sintéticas utilizadas atualmente por um material natural, renovável e biodegradável.
O projeto, chamado “Keep It Wool”, foi desenvolvido pela organização ambiental Summit Foundation em parceria com a Universidade de Lausanne e contou com acompanhamento da rede suíça de monitoramento de geleiras. O teste foi realizado na geleira Tsanfleuron, na região de Glacier 3000, no oeste da Suíça.
Como funciona a proteção das geleiras
Durante os meses mais quentes, algumas geleiras dos Alpes recebem grandes coberturas que ajudam a refletir a luz solar e diminuir a absorção de calor pelo gelo. A técnica é utilizada principalmente em áreas específicas, como locais de interesse turístico e científico.
O problema é que as mantas convencionais são produzidas com materiais sintéticos. Com o tempo e a exposição às condições climáticas, elas podem liberar partículas e microfibras no ambiente.
A proposta dos pesquisadores foi avaliar se a lã poderia desempenhar a mesma função sem gerar esse tipo de impacto.
Mantas de lã foram instaladas sobre 200 metros quadrados
Para o experimento, duas mantas de lã, cada uma com 100 metros quadrados, foram produzidas pela empresa suíça Fisolan e instaladas sobre aproximadamente 200 metros quadrados da geleira Tsanfleuron.
Ao longo do período de testes, os pesquisadores compararam o desempenho da lã com o de uma cobertura sintética convencional. As medições foram realizadas periodicamente para avaliar a quantidade de gelo perdida em cada área.
Os primeiros resultados indicaram que as mantas de lã conseguiram limitar o derretimento do gelo em nível semelhante ao das coberturas sintéticas. Esse tipo de proteção pode reduzir o derretimento local entre 50% e 70%.
Além da eficiência, a resistência do material também chamou a atenção dos pesquisadores. As mantas precisaram suportar vento, chuva, baixas temperaturas e variações nas condições climáticas durante o experimento.
Alternativa também aproveita lã que seria descartada
A escolha da lã também está relacionada ao desperdício do material na Suíça. Estimativas citadas pelos responsáveis pelo projeto apontam que entre 40% e 70% da lã produzida no país é descartada todos os anos.
O uso em coberturas para geleiras poderia, portanto, dar uma nova finalidade a um material que atualmente tem pouco aproveitamento.
A lã é uma matéria-prima natural, renovável e biodegradável. Diferentemente dos tecidos sintéticos, ela não apresenta o mesmo risco de liberar partículas plásticas no ambiente e no ciclo da água.
Lã não é solução para o derretimento das geleiras
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que as mantas de lã não são capazes de resolver o problema do derretimento das geleiras em escala global.
Atualmente, apenas cerca de 0,02% da superfície das geleiras suíças recebe algum tipo de cobertura protetora. A técnica, portanto, tem efeito localizado e não consegue impedir o processo de retração provocado pelo aquecimento do planeta.
Para os cientistas, a redução das emissões de gases de efeito estufa continua sendo a principal medida necessária para conter, em longo prazo, a perda de gelo provocada pelas mudanças climáticas.
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