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Por que pessoas burras se acham inteligentes? Veja o que diz a psicologia

Fenômeno da psicologia explica excesso de confiança e riscos no dia a dia; entenda

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Efeito Dunning-Kruger: por que quem sabe menos acha que sabe mais • Pixabay/ Reprodução

O fenômeno psicológico que explica por que pessoas com pouco conhecimento sobre um assunto acham que sabem muito ganhou destaque em uma análise do especialista Pedro Loos. Chamado de Efeito Dunning-Kruger, ele mostra como a falta de conhecimento pode gerar excesso de confiança.

O crime “invisível”

Tudo começou com um caso curioso, em 1995, quando dois homens assaltaram um banco sem usar máscaras. FSegundo Pedro, em vídeo publicado no Youtube, eles acreditavam em uma ideia absurda: “Eles esfregaram limão no rosto. É isso. Literalmente isso”.

A lógica era que, como o limão pode funcionar como tinta invisível no papel, também os deixaria “invisíveis” para câmeras. “Eles estavam tão confiantes na própria inteligência que nem cogitaram que a ideia poderia dar errado”, explica.

Esse caso chamou a atenção do psicólogo David Dunning, que identificou um padrão: “Quando uma pessoa é muito ignorante, ela também não percebe que é ignorante”.

O “fardo duplo” da incompetência

A pesquisa de David Dunning e Justin Kruger, publicada em 1999, mostrou que pessoas com pouco conhecimento enfrentam um “fardo duplo”.

Pedro explica: “Elas não só chegam a conclusões erradas ou fazem escolhas ruins, como também não conseguem perceber isso”. Em resumo, “a falta de conhecimento acaba cegando a pessoa, fazendo ela acreditar que sabe mais do que realmente sabe”.

A curva do aprendizado

O especialista também fala sobre como a confiança muda ao longo do aprendizado. No começo, ela cresce rápido demais. “Parece que o cérebro faz ‘puf’ e a gente pensa: ‘agora entendi tudo’”.

Mas, com o tempo, ao perceber a complexidade do assunto, a confiança cai. “A gente começa a se sentir ignorante, mas é porque agora está aprendendo de verdade”.

Esse é o momento em que muita gente desiste — a fase do “só sei que nada sei”.

O perigo no dia a dia

Esse efeito aparece em situações comuns, como no trânsito. Pedro lembra que cerca de 80% dos motoristas se consideram acima da média — algo impossível.

O risco é real: “É nesse momento de excesso de confiança que, por exemplo, um motociclista recém-habilitado pode achar que consegue fazer manobras perigosas”, ou alguém acreditar que entende de vacinação só por ter visto algumas mensagens.

Conhecimento coletivo

Pedro também fala do chamado Paradoxo de Polanyi, que diz que “a gente sabe mais do que consegue explicar”.

Hoje, o conhecimento é coletivo. Para ilustrar, ele usa um exemplo simples: “Nenhuma pessoa no mundo consegue fazer um lápis sozinha”.

Desde a extração dos materiais até a produção, tudo depende do trabalho de várias pessoas.

Conclusão

Para Pedro, o aprendizado exige humildade. “Reconhecer que a gente não sabe é o primeiro passo para realmente aprender”.

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