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Polônia constrói escudo subterrâneo com 32 mil abrigos para proteger população; entenda

País possui mais de 10 mil abrigos antiquados e insuficientes para sua população, de 38 milhões de habitantes; apenas 4% dos polacos têm lugar garantido nessas instalações

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Imagem ilustrativa. • Banco de imagens Canva

No porão da escola secundária número 3, no bairro cracoviano de Nowa Huta, existe um abrigo construído nos anos 1950 que mantém a mesma porta blindada, os mesmos sistemas de ventilação e até a máquina de purificação de água manual instalada há sete décadas.

Essa estrutura ilustra um desafio maior: a Polônia possui mais de 10 mil abrigos antiquados e insuficientes para sua população de 38 milhões de habitantes. Apenas 4% dos polacos têm um lugar garantido nessas instalações. Agora, um plano nacional de emergência busca modernizar e ampliar essa rede de proteção civil, criando o que autoridades chamam de "escudo subterrâneo" , um sistema modular de 32 mil estruturas espalhadas pelo país.

Situação atual dos abrigos na Polônia

Segundo dados da Guarda Estatal de Bombeiros, existem atualmente 85.739 pontos de proteção em todo o território polonês. Mas a grande maioria é classificada como locais de abrigo temporário. Na prática, porões particulares e garagens sem equipamento especializado.

Em termos estritos de proteção, o país dispõe apenas de 1.903 abrigos de alta proteção e 8.719 pontos com algum nível de segurança estrutural. No total, esses espaços oferecem 1,43 milhão de lugares, cobrindo somente 4% da população.

A situação se agrava quando consideramos abrigos preparados para ataques nucleares: são apenas 300 mil lugares disponíveis, o equivalente a 0,8% dos habitantes. Além da escassez, a maioria das instalações nunca foi modernizada desde a Guerra Fria.

Como funciona o plano nacional de expansão?

Para reverter essa realidade, entrou em vigor na Polônia a chamada lei dos abrigos. A legislação obriga que pisos subterrâneos de novos edifícios sejam projetados como espaços de abrigo temporário, equipados com saídas de emergência adequadas.

O plano prevê a adaptação de estações de metro, parques de estacionamento subterrâneos e edifícios públicos. O objetivo a médio prazo é contar com 32 mil estruturas de proteção distribuídas estrategicamente pelo país.

A expansão do sistema é financiada através de um programa dotado de 8 milhões de euros. Desse montante, mais de 1 milhão sera destinado diretamente aos municípios para implementação local das medidas.

Requisitos técnicos e equipamentos obrigatórios

O Ministério do Interior estabeleceu padrões mínimos para as instalações de proteção. Cada estrutura deve disponibilizar pelo menos três litros de água por dia e por pessoa ocupante. A lista de equipamentos obrigatórios inclui alimentos não perecíveis, lanternas, telefone fixo e telemóvel, extintores e zonas de descanso para metade dos ocupantes. Esses requisitos garantem condições mínimas de permanência durante emergências.

As especificações técnicas foram desenhadas para tornar os abrigos funcionais sem necessidade de investimentos excessivos. A padronização facilita a fiscalização e manutenção periódica das estruturas.

Estruturas serão modernizadas

Em Nowa Huta chegaram a ser construídos mais de 250 abrigos por baixo de blocos de apartamentos e edifícios públicos durante a era soviética. Muitos permanecem fechados ou têm utilizações parciais inadequadas.

Alguns casos recebem atenção prioritária na renovação. Os abrigos localizados por baixo do Teatro Popular e do hospital Żeromski são espaços com cerca de 600 metros quadrados cada um, atualmente estão passando por obras de modernização.

Preparação da população para emergências

Além de expandir a infraestrutura física, as autoridades polacas distribuíram um manual pelos 17 milhões de agregados familiares do país. O documento traz instruções detalhadas a seguir em caso de ataques aéreos ou químicos.

O manual recomenda armazenar alimentos suficientes para três dias e fornece uma lista de elementos essenciais para uma mochila de evacuação. As orientações práticas ajudam cidadãos a se prepararem antes de precisarem utilizar os abrigos. O material educativo foi desenhado para ser acessível e direto. Famílias recebem orientação clara sobre como agir em diferentes cenários de emergência.

O Ministério do Interior lançou um sistema para celulares e o site "Gdzie się ukryć", que significa "onde se esconder". A plataforma digital permite localizar os abrigos mais próximos de qualquer endereço e ajudar com que famílias encontrem os lugares seguros durante uma emergência.

A ferramenta utiliza geolocalização para mostrar rotas até os pontos de proteção disponíveis. Usuários podem verificar antecipadamente quais estruturas ficam perto de suas casas, trabalhos ou rotas cotidianas. Essa tecnologia democratiza o acesso à informação de segurança. Em momentos críticos, a rapidez na localização de um abrigo pode fazer diferença fundamental.

Impacto psicológico e ansiedade na população

Kamila Boguszewska, psicóloga de Cracóvia, identificou nos seus pacientes uma ansiedade significativa provocada pelo receio de conflitos. Segundo a profissional, trata-se de algo recente mas inegável, afetando todo tipo de pessoas.

"Quem tem uma família a seu cargo preocupa-se por não ser capaz de a defender, e quem é mais vulnerável atormenta-se com a possibilidade de se tornar um fardo se as coisas se complicarem", relatou a especialista à EFE.

A construção da rede de abrigos e a divulgação de informações práticas funcionam também como resposta a essa ansiedade coletiva. Ter estruturas visíveis e planos concretos ajuda a população a se sentir menos desamparada.

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