Pesquisadora chilena transforma algas marrons em material sustentável para a construção civil
Startup chilena desenvolve biomateriais a partir de algas como alternativa ecológica ao concreto

Nascida e criada no deserto do Atacama, uma das regiões mais áridas do planeta, a cientista chilena Karina Gómez transformou o interesse por ambientes extremos em um projeto voltado à sustentabilidade. Cofundadora e diretora científica da startup Nido, ela trabalha no desenvolvimento de materiais produzidos a partir de algas marrons com potencial para substituir insumos tradicionais da construção civil.
A empresa chilena aposta em painéis de hidrogel fabricados com alginato extraído de algas cultivadas na costa do país. O material reúne características como isolamento térmico e acústico, além de resistência ao fogo, reduzindo a dependência de componentes associados a altas emissões de carbono, como concreto e derivados minerais.
De acordo com Karina Gómez, a proposta é unir desempenho e impacto ambiental reduzido. “É um material biogênico, pensado para ter emissão negativa de carbono e ainda contribuir para a regeneração dos ecossistemas”, afirmou em entrevista à CNN.
O cultivo das algas segue um modelo regenerativo voltado à captura de CO₂, nitrogênio e fósforo presentes na atmosfera e nos oceanos. A iniciativa busca integrar produção industrial e recuperação ambiental em um mesmo processo.
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Nos últimos anos, a Nido passou a ganhar espaço em projetos internacionais ligados à inovação sustentável. A startup recebeu financiamento do Pacto Ecológico Europeu, acumulou três Selos de Excelência concedidos pela União Europeia e firmou cooperação com empresas do setor de construção, entre elas Skanska e Arauco.
A expectativa da startup é ampliar a produção nos próximos anos e iniciar testes comerciais na Europa, especialmente na Áustria, em parceria com empresas do setor. A companhia ainda pretende lançar novos produtos na Índia e avançar em projetos-piloto no Japão dentro do programa Pelago.
Para a pesquisadora, o avanço desse tipo de tecnologia depende da criação de condições favoráveis para o mercado sustentável. “Precisamos de incentivos e de um ambiente que permita que essas soluções baseadas na natureza sejam implementadas e aceitas em larga escala”, afirma.
“O que precisamos, basicamente, é de incentivos e da criação de um mercado e de um ecossistema favoráveis para que todos os envolvidos implementem, adaptem, desenvolvam e aceitem essas soluções baseadas na natureza e os biomateriais da Nido”, destacou Karina.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



