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Pesquisa aponta função do azeite virgem que pouca gente conhece

Estudo com 650 adultos revela diferença cognitiva entre tipos de azeite e explica papel do intestino na saúde cerebral ao longo do envelhecimento

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Azeite é ótimo para a saúde
Azeite é ótimo para a saúde • Pixabay

Durante dois anos, mais de 650 pessoas entre 55 e 75 anos participaram de um estudo que mudaria a forma como entendemos a relação entre azeite e saúde cerebral. A conclusão surpreendeu: nem todo azeite oferece a mesma proteção cognitiva.

A pesquisa publicada na revista Microbiome revelou que o azeite virgem apresenta benefícios significativos para as faculdades cognitivas, com potencial de retardar o declínio mental. O azeite refinado, por outro lado, não demonstrou a mesma capacidade protetora. A diferença está no processamento: o método de extração mecânica do azeite virgem preserva compostos naturais que reduzem inflamação, enquanto o processo de refinação remove parte dessas substâncias benéficas.

Por que o tipo de processamento do azeite afeta o cérebro

O método de extração determina quais compostos permanecem no produto final. O azeite virgem passa apenas por extração mecânica, preservando uma multiplicidade de compostos naturais com propriedades anti-inflamatórias.

Já o azeite comum sofre um processo de refinação que remove parte dos compostos considerados benéficos. Essa diferença no processamento se reflete diretamente nos efeitos sobre a cognição.

A pesquisa demonstrou que o impacto cognitivo varia conforme o nível de refinação do produto consumido.

Como o estudo acompanhou a relação entre azeite e cognição

A equipe de pesquisadores pediu aos 650 participantes, sendo 48% mulheres, que preenchessem um questionário detalhado sobre seus hábitos alimentares. Todos forneceram amostras de fezes para análise clínica das bactérias intestinais presentes.

Os voluntários também realizaram testes cognitivos que avaliaram memória, atenção, linguagem, planejamento e resolução de problemas. Após dois anos, os mesmos procedimentos foram repetidos para medir mudanças ao longo do tempo.

Essa metodologia permitiu correlacionar o tipo de azeite consumido com alterações no microbioma intestinal e no desempenho cognitivo.

O papel do microbioma intestinal na proteção cerebral

Os pesquisadores identificaram que quem consumia azeite virgem apresentava um microbioma intestinal mais diversificado. Essa diversidade é considerada um indicador de saúde intestinal.

Um achado específico chamou atenção: a presença aumentada de Adlercreutzia, uma bactéria benéfica que vive naturalmente no intestino. Segundo o estudo, essa bactéria é responsável por cerca de 20% da associação entre consumo de azeite virgem e melhor função cognitiva geral.

O impacto do azeite no intestino se reflete depois nas faculdades cognitivas, estabelecendo uma conexão direta entre saúde digestiva e cerebral.

Limitações do estudo e cuidados na interpretação

Apesar das conclusões robustas, a equipe de pesquisa pede cautela na extrapolação dos resultados. O estudo tem caráter observacional, o que significa que não pode estabelecer relação de causa e efeito definitiva.

A amostra foi acompanhada especificamente na Espanha, onde os hábitos alimentares têm particularidades regionais. Esses padrões não podem ser automaticamente transpostos para outras geografias e culturas alimentares.

Os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para confirmar se os resultados se mantêm em populações com dietas e estilos de vida diferentes.

Diferenças práticas entre azeite virgem e refinado

O azeite virgem mantém propriedades nutricionais preservadas pela extração mecânica simples. Esses compostos naturais têm capacidade de reduzir processos inflamatórios no organismo.

O azeite refinado passa por tratamentos industriais que melhoram aparência e estabilidade, mas comprometem parte dos compostos bioativos. A refinação remove substâncias que poderiam contribuir para os efeitos benéficos observados no estudo.

Essa distinção no processamento explica por que produtos com nomes semelhantes podem ter impactos diferentes na saúde cognitiva.

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