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Casal planta 34 mil árvores em quatro anos para devolver floresta aos coalas

Conheça a estratégia de restauração ecológica que recuperou 17,5 hectares de pasto degradado e trouxe de volta ornitorrincos, tartarugas e espécies ameaçadas

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Casal planta 34 mil árvores em quatro anos para devolver floresta aos coalas • Freepik

Quando Lisa e Brett Vercoe compraram 30 hectares de pasto no norte da Austrália, em 2020, a paisagem tinha pouco em comum com uma floresta. Décadas de criação de gado haviam deixado o terreno com vegetação rarefeita e solo compactado.

Quatro anos depois, mais de 34 mil árvores nativas cresciam em 17,5 hectares da propriedade. Ornitorrincos voltaram aos cursos d'água. Aves de rapina passaram a frequentar a área. Duas espécies ameaçadas — a rã-gigante-barrada e o bacalhau-de-água-doce-oriental — reapareceram no terreno. O que era uma fazenda de gado começou a recuperar características de floresta subtropical, devolvendo habitat aos coalas e à vida selvagem.

Por que a vegetação original desapareceu da fazenda

A propriedade carregava uma característica comum em áreas sob uso agrícola intensivo por décadas: a vegetação nativa havia sido substituída por pastagens em grandes extensões.

Na região, a agricultura fragmentou áreas que antes formavam corredores contínuos de floresta. Quando os fragmentos de vegetação ficam isolados uns dos outros, os animais encontram mais dificuldades para circular em busca de alimento e abrigo.

Os grandes incêndios de 2019 e 2020 agravaram o problema. O fogo atingiu extensas áreas de habitat e provocou perda significativa de vegetação e animais. Desde então, diferentes iniciativas passaram a trabalhar com proprietários privados para recuperar e conectar áreas importantes para os coalas.

Como o casal dividiu o terreno para restauração

Em vez de simplesmente abandonar a área para que a vegetação retornasse sozinha, Lisa e Brett criaram um plano de restauração detalhado.

Eles dividiram os 17,5 hectares de acordo com características específicas: relevo, exposição ao sol, vento, possibilidade de geada e umidade do solo. Cada área recebeu um tratamento diferente.

Em alguns pontos, o casal utilizou técnicas para melhorar a infiltração da água no solo. Em outros, concentrou as mudas ao redor das árvores nativas que ainda permaneciam no terreno. Essa estratégia criou pequenos núcleos de vegetação que poderiam crescer e, com o tempo, se aproximar de outros fragmentos.

O processo de plantio e os desafios encontrados

Até março de 2025, mais de 34 mil árvores nativas já haviam chegado ao solo. Parte das mudas saiu do próprio trabalho do casal, enquanto parceiros ajudaram a ampliar o plantio.

As primeiras áreas receberam mudas em 2022. Quando o casal avançou para novas regiões em 2024, algumas das árvores mais antigas já apresentavam crescimento significativo.

Mas o processo não foi simples. Algumas mudas morreram. Outras precisaram de proteção contra animais. O casal também precisou controlar plantas invasoras que competiam com as espécies nativas. Uma queima cultural de baixa intensidade ajudou a controlar gramíneas invasoras e favorecer a regeneração da vegetação nativa.

As condições climáticas favoreceram o desenvolvimento de parte das plantações, mas não eliminaram todos os problemas.

Quais animais voltaram à propriedade restaurada

A mudança na paisagem começou a aparecer através dos animais que retornaram à área.

Aves de rapina passaram a frequentar a propriedade com mais frequência. Ornitorrincos voltaram a aparecer nos cursos d'água. Tartarugas também foram registradas na área restaurada.

O projeto teve um resultado particularmente importante: duas espécies ameaçadas apareceram na propriedade. A rã-gigante-barrada e o bacalhau-de-água-doce-oriental foram registrados no terreno, sinalizando que a paisagem começou a oferecer condições que antes faltavam.

Por que a restauração beneficia especialmente os coalas

Os coalas estão entre os principais animais beneficiados pela recuperação de habitat.

Eles dependem de árvores específicas para alimentação e também precisam de áreas conectadas para circular entre fragmentos de floresta. Quando a vegetação fica dividida em pequenos pedaços isolados, os animais enfrentam uma série de obstáculos.

A distância entre os fragmentos pode dificultar a movimentação. Estradas aumentam o risco de atropelamentos. Populações isoladas também ficam mais vulneráveis a doenças e à perda de diversidade genética.

As árvores plantadas pelo casal foram escolhidas para ajudar a recuperar a vegetação e oferecer alimento e abrigo para os coalas. A propriedade entrou na lógica de recuperação e conexão de áreas importantes para a espécie.

A trajetória do casal até a restauração ambiental

Lisa e Brett passaram boa parte da vida ligados ao oceano. Ele trabalhava com registros da vida marinha, enquanto ela atuava como educadora e cultivadora.

A mudança para a propriedade rural marcou uma nova fase para os dois. A decisão de transformar uma fazenda de gado em área de restauração florestal representou uma mudança significativa de propósito para o terreno e para suas próprias vidas.

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