Pastor aos 71 anos cuida de 150 ovelhas a 4 mil metros de altitude no Equador
Conheça a rotina; confira como ele vive

A 4 mil metros de altitude, onde o ar rarefeito dificulta cada movimento e as geadas noturnas congelam a paisagem, Don Juanito mantém uma rotina que desafia as limitações impostas pela idade e pelo ambiente extremo. Aos 71 anos, ele conduz diariamente seu rebanho de 150 ovelhas pelas encostas do páramo andino de Burrucachí, no Equador.
A vida no páramo exige adaptações que vão além do trabalho com os animais. A moradia, construída com paredes de barro e teto de palha, abriga Don Juanito, familiares e o neto. A água vem direto das pedras da montanha. O colchão de palha substitui camas convencionais. Este perfil mostra como funcionam os sistemas de trabalho, alimentação e sobrevivência em uma das regiões habitadas mais altas do mundo.
Como funciona o pastoreio de ovelhas em altitude extrema
O manejo do rebanho de aproximadamente 150 ovelhas ocorre em grupos divididos ao longo do dia. As caminhadas para conduzir os animais até o curral chegam a 40 minutos pelas encostas íngremes.
Don Juanito desenvolveu um método que combina instrumentos tradicionais com a colaboração de cães treinados. Ele toca flauta durante o trajeto, um recurso sonoro que ajuda a guiar o rebanho. Os cães pastores completam o trabalho, conduzindo as ovelhas por caminhos específicos até o local de descanso noturno.
Essa rotina se repete independentemente das condições climáticas. A altitude traz geadas frequentes e temperaturas que exigem preparo físico constante para percorrer as distâncias necessárias.
Alimentação baseada em cultivos locais e criação doméstica
A dieta da família se sustenta com produtos cultivados no próprio terreno ou na região andina próxima. As habas tostadas aparecem como base proteica vegetal, acompanhadas de batatas em diferentes preparos.
A criação de cuis, pequenos roedores domésticos típicos dos Andes, complementa a alimentação com proteína animal. Esses animais se adaptam bem às condições de altitude e fazem parte da tradição culinária andina há séculos.
O fogão a lenha é o único equipamento de cozimento. A madeira coletada nas proximidades alimenta o fogo para todas as refeições, desde o café da manhã até o jantar. Não há energia elétrica para fogões convencionais ou geladeiras.
Extração e uso da água da montanha
A água consumida pela família vem diretamente de uma fonte natural localizada entre as pedras da montanha. Não existe sistema de encanamento ou tratamento químico.
Essa água serve tanto para consumo direto quanto para higiene pessoal e preparo de alimentos. A proximidade da nascente ao local de moradia facilita o acesso, mas exige caminhadas regulares para buscar o volume necessário ao longo do dia.
A qualidade da água de nascente nas altitudes andinas costuma ser elevada devido à baixa densidade populacional e à ausência de atividades industriais nas proximidades.
Proteção contra o frio extremo do páramo
As baixas temperaturas e as geadas noturnas tornaram essencial o uso de agasalhos específicos. Os moradores vestem roupas de lã, ponches grossos e chapéus que cobrem cabeça e orelhas.
Don Juanito domina a técnica de tecelagem manual usando lã de alpaca. Ele produz gorros que oferecem proteção térmica superior à de materiais sintéticos. A alpaca, animal típico da região andina, fornece fibra com propriedades isolantes naturais.
Essa habilidade de produção têxtil reduz a dependência de mercadorias externas e mantém viva uma tradição milenar andina. O conhecimento de tecelagem passa de geração em geração nas comunidades de altitude.
Moradia adaptada às condições do páramo
A residência onde vive a família foi construída com materiais disponíveis no ambiente local. As paredes de barro oferecem isolamento térmico, enquanto a estrutura de eucalipto garante sustentação. O teto de palha completa a proteção contra chuvas e ventos.
Don Juanito dorme em um colchão feito de palha, material abundante na região e que oferece algum conforto térmico quando coberto com mantas de lã. A simplicidade da construção reflete tanto limitações de recursos quanto saber ancestral sobre arquitetura em altitude.
Essa forma de habitação, comum nas zonas altas dos Andes, demonstra adaptação milenar às condições extremas do páramo.
Motivação para permanecer na montanha
Nascido e criado no páramo andino, Don Juanito escolheu conscientemente permanecer na altitude em vez de migrar para centros urbanos. Ele relata que a tranquilidade do ambiente montanhoso, distante das cidades, representa o principal motivo para manter a vida no campo.
A convivência diária com familiares e o trabalho direto com a terra e os animais constituem os pilares de sua rotina. Segundo ele, essa estabilidade justifica as dificuldades impostas pela altitude e pelas condições climáticas.
O vínculo com o território onde nasceu e a manutenção de práticas tradicionais garantem continuidade a um modo de vida que persiste há gerações nas comunidades andinas de altitude.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



