Para comer o arroz de camarão do Tascardoso, primeiro é preciso colocar o babador
Conheça a filosofia sem cerimônia da tasca portuguesa no Príncipe Real que transformou o babador em um ritual de autenticidade e partilha à mesa

Quem se senta à mesa do Tascardoso recebe um babador antes mesmo de fazer o pedido. Não importa se a escolha é o Arroz de Camarão ou um peixe grelhado. A regra é clara: babador é obrigatório. A razão é simples: se a ideia é aproveitar todos os sucos da cabeça do camarão, que seja sem preocupações e sem medo de sujar a camisa.
A atitude resume a filosofia da casa: comer bem é comer sem cerimônia. Localizado na Rua de O Século, no Príncipe Real, em Lisboa, o Tascardoso reabriu as portas no início de 2026, depois de décadas fazendo parte do mapa das tascas tradicionais da cidade. A reabertura foi recebida como costumam ser os lugares que já pertencem à memória de um bairro: com vizinhos à porta, amigos, familiares, clientes antigos e curiosos querendo descobrir o que mudou e, principalmente, o que permaneceu.
A história de uma casa com duas entradas e décadas de resistência
O número 242 da Rua de O Século carrega uma longa história. O espaço tem duas entradas: uma voltada para a Rua de O Século e outra para a Rua Dom Pedro V. Registros empresariais disponíveis apontam a existência de atividade de restauração no endereço desde 1980.
O nome Tascardoso está documentado pelo menos desde 2014. Ao longo dos anos, a casa se tornou uma daquelas tascas portuguesas que resistem enquanto a cidade ao redor se transforma. Em 2026, o restaurante recebeu um Solete do Guia Repsol, reconhecimento ao trabalho de renovação da tasca tradicional sem perder sua essência.
Reabrir sem apagar a memória
O conceito desta nova fase é justamente esse: reabrir sem apagar a memória. O Tascardoso continua sendo uma tasca portuguesa descontraída e sem cerimônias, feita para comer bem, beber um copo e prolongar a conversa.
A cozinha aposta em pratos de tacho, peixes, frutos do mar e receitas portuguesas conhecidas, em uma atmosfera que não tenta transformar a tasca em um restaurante de autor. É comida para compartilhar, molhar o pão no molho e, em alguns casos, aceitar que a toalha talvez não chegue intacta ao fim da refeição.
O ritual do babador e a filosofia de comer sem medo
O Arroz de Camarão é o prato que melhor traduz a proposta da casa: comer sem medo de sujar as mãos. A camisa fica protegida pelo babador, que já se tornou parte da experiência. Mas há outras opções para quem não se importa em se lambuzar.
Bacalhau à Lagareiro, Cozido à Portuguesa, servido todas as quartas-feiras, Jardineira, Arroz de Cabidela, Ovas de Pescada, Bife de Atum e Bacalhau à Brás são alguns exemplos de uma cozinha que não pretende ser fotogênica a qualquer custo. A prioridade é outra: satisfazer.
Quando um prato pede um babador, talvez seja melhor aceitar. Depois, não diga que não foi avisado.
Onde fica e como visitar o Tascardoso
O restaurante fechou para as férias de verão em 17 de agosto, mas deve reabrir no início de setembro. O Tascardoso funciona todos os dias, das 12h às 23h, na Rua de O Século, 242, no Príncipe Real, em Lisboa.
As reservas podem ser feitas online. A casa mantém o espírito de uma tasca de bairro: um lugar para comer bem, beber um copo e prolongar a conversa como quem está em casa.
Maria Luíza Mendes é estagiária do portal Itatiaia e estudante de jornalismo na PUC Minas. Apaixonada por esportes e entretenimento, Maria possui experiência anteriores em outros portais online e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



