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O que diz a psicologia sobre pessoas que se distraem facilmente

Pessoas com filtro cerebral menos seletivo processam mais estímulos e têm mais realizações criativas

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A ciência explica o que pode ser a falta de atenção • Reprodução/Pixabay

Quem se distrai com frequência nem sempre é desatento ou preguiçoso. Uma pesquisa da Northwestern University publicada em 2015 na revista Neuropsychologia descobriu que pessoas com mais realizações criativas na vida real tinham um filtro cerebral que deixava passar mais informação do ambiente.

O cérebro dessas pessoas bloqueava menos os estímulos que chegavam à consciência. A equipe liderada por Darya Zabelina envolveu cerca de 100 participantes e mediu esse filtro por meio de um teste cerebral específico.

O que o estudo da Northwestern descobriu sobre distração

Os voluntários responderam a um questionário sobre realizações em áreas como artes, ciência e escrita. Depois, passaram pelo teste cerebral que mede como o filtro sensorial funciona.

O resultado surpreendeu por um contraste. Quem foi bem em testes de pensamento divergente, aqueles que pedem vários usos para um objeto, mostrou o padrão oposto, com filtragem mais seletiva.

Para Zabelina e colegas, a facilidade de se distrair pode ajudar a juntar ideias que estão fora do foco principal. A pesquisa encontrou associação entre filtro vazado e conquistas criativas, não relação de causa.

Como o cérebro decide quais estímulos deixar passar

O cérebro decide por um mecanismo automático chamado filtragem sensorial, medido em laboratório por eletroencefalograma. O sinal usado se chama P50, porque surge cerca de 50 milésimos de segundo depois de um som.

Sem esse filtro, cada ruído da rua e cada notificação disputariam o mesmo espaço mental. O teste funciona em três etapas simples.

A pessoa ouve dois cliques em sequência, com intervalo curto. Os eletrodos registram a resposta do cérebro a cada clique. Quem filtra bem reage menos ao segundo som, tratado como repetição.

Quando o P50 do segundo clique continua alta, o filtro é considerado vazado. Foi esse padrão que apareceu entre os participantes com mais realizações criativas.

Distrair-se com facilidade é sinal de criatividade

Não necessariamente, porque o estudo encontrou associação, não relação de causa. Ele mostra que os dois traços andam juntos num grupo pequeno, sem provar que um produz o outro.

Três ideias populares sobre a dispersão merecem um olhar mais cuidadoso conforme o que a pesquisa permite afirmar.

Mito: quem se distrai fácil simplesmente não presta atenção

Em parte das pessoas, o cérebro deixa passar mais estímulos. A atenção se espalha, não desaparece. O filtro menos seletivo é um traço neurológico medido em laboratório.

Mito: filtro vazado prova que a pessoa é criativa

O estudo mostra associação em cerca de 100 voluntários. Não prova causa nem vale para todo mundo. A relação entre os dois traços precisa de mais investigação.

Mito: todo tipo de criatividade funciona igual no cérebro

Pensamento divergente apareceu ligado ao filtro seletivo, o padrão oposto ao das conquistas criativas. Tipos diferentes de criatividade podem ter bases neurológicas distintas.

Os próprios pesquisadores admitem outro limite no artigo da Neuropsychologia. Ainda não se sabe se o filtro vazado é um traço estável ou algo que a pessoa ajusta conforme a tarefa.

Quando a distração merece atenção de um profissional

A dispersão merece avaliação quando atrapalha estudo, trabalho ou relações de forma persistente. Nesses casos, o quadro pode estar ligado ao TDAH, a ansiedade ou a noites mal dormidas.

O estudo da Northwestern não trata dessas condições. No TDAH, a desatenção vem acompanhada de prejuízo real e costuma aparecer desde a infância. Por isso, o diagnóstico exige avaliação clínica.

Nenhum teste de internet substitui essa conversa. Procure um psicólogo ou psiquiatra se perceber sinais como esquecimentos frequentes de compromissos e prazos importantes.

Dificuldade de terminar tarefas simples, mesmo querendo. Prejuízo repetido no trabalho ou na escola por falta de foco. Sensação constante de cansaço mental ao tentar se concentrar.

Dá para transformar a dispersão em aliada no dia a dia

Dá, desde que você reconheça quando ela ajuda e quando atrapalha. Para criar e ter ideias, um ambiente cheio de estímulos pode render.

Para revisar e entregar, vale fechar abas e silenciar o celular. A pesquisa sugere que pessoas com filtro menos seletivo podem se beneficiar dessa alternância consciente entre contextos.

Pessoas com mais conquistas criativas filtravam menos os estímulos ao redor, e isso indica associação, não causa. Teste as duas situações para identificar quando sua mente trabalha melhor em cada tipo de tarefa.

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