O possível retorno do dodô: ciência quer recriar ave extinta em até 5 anos
Empresa de biotecnologia aposta na 'desextinção', mas especialistas levantam dúvidas éticas e ambientais

Mais de 300 anos após desaparecer, o dodô pode voltar a habitar os bosques da ilha de Maurícia, no oceano Índico. A proposta faz parte de um projeto de 'desextinção' conduzido pela empresa norte-americana Colossal Biosciences.
A companhia afirma que conseguiu cultivar células germinativas de pombos, que são precursoras de óvulos e espermatozoides. O feito aproxima o retorno do dodô, com previsão de reintrodução em cinco a sete anos.
Apesar do entusiasmo, especialistas alertam para riscos. A cientista Beth Shapiro, ouvida pelo portal La Voz, afirma que o processo será lento e lembra que ainda não se conhecem todos os impactos da reintrodução. Já Leonardo Campagna, do Cornell Lab, destacou que "é difícil saber o que se necessita para criar um dodô geneticamente, desde sua arquitetura genômica até a interação de seus genes com o entorno".
Outros pesquisadores são ainda mais críticos. O biólogo Rich Grenyer, da Universidade de Oxford, classificou a 'desextinção' como "uma brincadeira perigosa" que pode tirar o foco da preservação de habitats naturais.
O projeto tem forte apoio financeiro: uma rodada de negócios recente levantou 120 milhões de dólares, elevando o valor da Colossal a mais de 10 bilhões. Entre os investidores estão celebridades como Tom Brady, Paris Hilton, Tiger Woods e o cineasta Peter Jackson.
Diante das críticas, Ben Lamm defende a iniciativa como "uma façanha monumental de engenharia genômica", comparável à clonagem da ovelha Dolly. Para ele, pouco importa a discussão sobre se os animais serão ou não dodôs 'autênticos'.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



