O mistério da civilização perdida na Amazônia que pode ter reunido até 3 milhões de habitantes
Pesquisa identificou mais de 20 mil geoglifos escondidos sob a floresta e indica que a Amazônia pode ter abrigado uma das maiores civilizações pré-coloniais das Américas

Antes considerada uma floresta praticamente intocada antes da chegada dos europeus, a Amazônia pode ter abrigado uma das maiores civilizações pré-coloniais das Américas. Um estudo publicado na revista científica Nature identificou mais de 20 mil geoglifos — grandes estruturas escavadas no solo e escondidas sob a vegetação — e estima que entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas viveram na região entre os anos 100 e 300 d.C.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional de arqueólogos, que utilizou a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), um sistema de escaneamento a laser capaz de mapear o relevo sob a densa cobertura da floresta. O levantamento revelou uma extensa rede de estruturas geométricas, como círculos, quadrados e octógonos, distribuídas por uma área de aproximadamente 183 mil quilômetros quadrados da Amazônia.
Os pesquisadores atribuem essas construções à civilização Aquiry, até então pouco conhecida. Segundo as estimativas, a população necessária para erguer e manter as estruturas poderia variar entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes, tornando a região muito mais povoada do que se imaginava anteriormente.
A descoberta desafia a visão tradicional de que a Amazônia era ocupada apenas por pequenos grupos dispersos de caçadores-coletores antes da colonização europeia. Em vez disso, as evidências indicam sociedades altamente organizadas, capazes de modificar a paisagem em larga escala sem comprometer a floresta.
Embora alguns arqueólogos defendam cautela em relação às estimativas populacionais, há consenso de que os novos achados reforçam a importância das civilizações indígenas na formação da história da Amazônia. As estruturas descobertas podem representar centros cerimoniais, políticos e comunitários conectados por uma ampla rede de ocupação humana.
A nova pesquisa também amplia o conhecimento acumulado nos últimos anos sobre antigas sociedades amazônicas. Em estudos anteriores, cientistas já haviam identificado complexos urbanos na Amazônia boliviana e no Equador, mostrando que diferentes povos desenvolveram assentamentos sofisticados, com estradas, canais e grandes obras de engenharia, muito antes da chegada dos colonizadores europeus.
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