O cheiro de livro velho não é imaginação: a química explica o aroma das páginas
Cheiro característico de um livro antigo vem de compostos liberados à medida que papel, cola e outros materiais envelhecem; entenda o que a química revela e por que esse aroma pode variar entre livros

Abrir um livro antigo pode liberar um aroma característico, frequentemente descrito como amadeirado, adocicado ou semelhante ao de papel envelhecido. Esse cheiro não é produzido por uma única substância, mas por uma mistura de compostos químicos liberados pelos materiais que compõem a obra.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos explica que os odores de livros e coleções podem estar relacionados a compostos orgânicos voláteis presentes no papel e em outros materiais.
O que acontece com o papel ao longo dos anos?
O papel é composto principalmente por fibras de celulose, mas também pode conter outros componentes, dependendo do processo de fabricação. Com o tempo, reações químicas alteram esses materiais e podem produzir substâncias que passam para o ar.
Em determinados tipos de papel, a degradação de componentes como a lignina também contribui para a liberação de compostos aromáticos. A composição exata varia conforme a matéria-prima, a idade do livro e as condições em que foi armazenado.
Colas, capas, tintas e outros materiais também podem participar da formação do cheiro.
Por que alguns livros têm um aroma mais forte?
A intensidade do odor depende da composição dos materiais e de fatores ambientais, como temperatura, umidade, ventilação e condições de armazenamento.
Livros mantidos por longos períodos em espaços fechados podem acumular compostos voláteis ao redor das páginas. Quando a obra é aberta, parte dessas substâncias se dispersa e o cheiro fica mais perceptível.
Isso não significa que todo livro antigo esteja deteriorado de maneira perigosa. O aroma pode ser resultado do envelhecimento natural dos materiais, embora odores de mofo ou sinais de umidade exijam atenção.
O cheiro pode indicar que o livro está estragando?
O odor isolado não é suficiente para determinar o estado de conservação de uma obra. No entanto, manchas, páginas úmidas, crescimento visível de fungos ou cheiro persistente de mofo podem indicar condições inadequadas de armazenamento.
A Biblioteca do Congresso recomenda controlar a umidade e manter a circulação de ar para ajudar a preservar livros e documentos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



