Método japonês ajuda a organizar a casa e eliminar o que não faz mais sentido
Conhecido como Danshari, método japonês propõe mudança na relação com os objetos: em vez de apenas encontrar lugares para guardar tudo, a ideia é evitar novas acumulações

Manter a casa organizada pode parecer uma tarefa interminável quando armários, gavetas e superfícies começam a acumular objetos que já não têm utilidade. Uma proposta japonesa chamada Danshari parte justamente desse problema, mas sugere uma mudança importante: antes de pensar em onde guardar cada coisa, é preciso questionar se ela realmente precisa continuar ali.
Desenvolvido pela autora japonesa Hideko Yamashita, o método é baseado no desapego material e busca evitar que a acumulação se transforme em desordem dentro de casa. A proposta também envolve repensar hábitos de consumo, critérios de compra e os motivos que fazem uma pessoa continuar guardando objetos que deixaram de ter uma função.
O nome Danshari reúne três conceitos. "Dan" está relacionado a cortar ou rejeitar, "sha" significa descartar e "ri" representa separação ou desapego. Juntos, eles formam uma sequência que começa pela redução da entrada de novos objetos, passa pela avaliação do que já está dentro de casa e chega ao distanciamento da dependência em relação às coisas.
O primeiro passo começa antes da compra
A primeira parte do método, chamada "dan", propõe impedir que objetos desnecessários entrem na casa. Isso significa analisar uma compra, um presente ou até mesmo uma aquisição feita "por via das dúvidas" antes de decidir levá-la para dentro.
A lógica é simples: uma coisa pode ter alguma utilidade imaginada para o futuro, mas isso não significa que ela seja necessária para a vida atual. Por isso, o Danshari recomenda considerar o uso real, o espaço disponível e a existência de objetos semelhantes antes de adquirir algo novo.
A ideia pode ser aplicada a situações comuns, como utensílios de cozinha repetidos, roupas que já não combinam com a rotina, produtos de limpeza duplicados ou objetos decorativos que sequer têm um local definido.
O objetivo não é impedir o consumo, mas criar uma pausa antes da decisão. Antes de levar algo para casa, a pessoa pode se perguntar se realmente existe uma finalidade para aquilo, se já possui algo equivalente e se há espaço para guardar o novo objeto.
O que fazer com o que já está acumulado
A segunda etapa, "sha", trata dos objetos que já estão dentro da residência. Nesse momento, o método propõe avaliar o uso atual de cada item e considerar a possibilidade de se desfazer daquilo que deixou de cumprir uma função.
Um dos obstáculos apontados é o chamado custo afundado. É quando alguém mantém um objeto simplesmente porque pagou por ele, mesmo que não o utilize. Porém, o dinheiro já gasto não será recuperado pela permanência daquele item em um armário ou gaveta.
Por isso, o Danshari sugere olhar para a utilidade presente, e não para o preço pago no passado. Um objeto pode estar em perfeito estado e ainda assim não fazer sentido continuar ocupando espaço.
Isso não significa que lembranças ou objetos de valor familiar devam ser eliminados. A proposta é diferenciar aquilo que é mantido conscientemente de algo que permanece apenas por culpa, compromisso ou indecisão.
Para começar, a recomendação é escolher uma área pequena e utilizada com frequência. Pode ser uma gaveta da cozinha, uma prateleira da despensa, um armário ou outro espaço limitado.
Começar por toda a casa de uma vez pode tornar a tarefa difícil de concluir. Em uma área menor, fica mais fácil encontrar produtos vencidos, objetos repetidos e itens que não são usados há anos.
A terceira etapa envolve o desapego
O "ri" representa a separação ou o desapego. Essa etapa não significa viver com o menor número possível de objetos nem seguir uma estética específica de decoração.
A proposta é reduzir a ideia de que comprar, guardar ou acumular mais coisas representa automaticamente uma solução para a falta de organização.
Nesse sentido, o Danshari procura olhar para a relação entre a pessoa e seus pertences. A pergunta deixa de ser apenas "onde posso guardar isso?" e passa a envolver questões como: esse objeto ainda é útil? Ele ocupa um espaço necessário? Por que é tão difícil me desfazer dele?
O método começou a ser desenvolvido por Hideko Yamashita por volta dos anos 2000, e ela publicou um livro sobre o tema no Japão em 2009. A prática também foi relacionada a conceitos do yoga ligados ao controle, ao descarte e ao desapego.
Como aplicar o Danshari no dia a dia
Uma das características do método é que a organização não precisa acontecer em uma grande faxina. O processo pode começar aos poucos e continuar como um hábito.
Depois de escolher um pequeno espaço, a pessoa pode separar aquilo que não utiliza e decidir, de acordo com as condições de cada item, se deve doar, vender, reciclar ou descartar.
Também é possível observar os ambientes depois da organização. Uma mesa de jantar, por exemplo, pode voltar a cumprir sua função quando deixa de acumular correspondências, sacolas e aparelhos que não estão sendo utilizados. Da mesma forma, um espaço de trabalho pode se tornar mais funcional quando papéis que já não são consultados deixam de ocupar a superfície.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



