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Medicamento natural demonstra ser eficaz no tratamento da dependência de cocaína

Pesquisa avalia o uso de substância psicodélica dos cogumelos alucinógenos, que tem uso autorizado para fins medicinais em alguns países

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A dependência de cocaína é um grave problema de saúde pública e, até o momento, nenhum medicamento havia comprovado eficácia no tratamento. Partindo dessa premissa, cientistas da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e da Suécia demonstraram, pela primeira vez em um ensaio clínico, que um novo medicamento natural em potencial pode superar esse vício.

O trabalho acaba de ser publicado no JAMA Network Open. A pesquisa consistiu em avaliar os efeitos da psilocibina — o componente psicodélico dos cogumelos alucinógenos, cujo uso já é autorizado em alguns países, de forma limitada , para certos fins medicinais — no tratamento do transtorno por uso de cocaína.

A hipótese era de que, em comparação com um placebo, a psilocibina produziria uma porcentagem maior de dias de abstinência de cocaína, uma maior probabilidade de abstinência completa e um período mais longo até a primeira recaída no uso de cocaína durante os 180 dias subsequentes à conclusão do tratamento.

No ensaio clínico, os participantes receberam sessões de psicoterapia e foram aleatoriamente designados para um grupo de um dia inteiro de sessões com psilocibina ou para um grupo de um dia inteiro de sessões com placebo ativo. O ensaio clínico foi conduzido com 40 adultos que usavam cocaína em dias alternados; metade deles recebeu uma dose única de 25 mg da substância natural por 70 kg de peso corporal.

Cientistas demonstraram que, 180 dias após o tratamento, 30% do grupo que recebeu psilocibina havia se abstido completamente do uso de cocaína, em comparação com nenhum no grupo placebo, e aqueles que continuaram a usar a droga o fizeram com menos frequência . "Essas descobertas sugerem que a psilocibina está surgindo como um novo tratamento para o transtorno por uso de cocaína", afirmam os autores.

O consumo global de cocaína atingiu níveis recordes em 2023, com aumentos durante a pandemia de Covid-19 e uma estimativa de 25 milhões de pessoas usando a droga em 2025. Segundo especialistas, a cocaína tem maior probabilidade de causar dependência do que outras substâncias, e as overdoses fatais relacionadas aumentaram drasticamente após 2019, antes de diminuírem em 2024.

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