Matcha conquista o mundo, mas seu cultivo tradicional revela desafios para a produção
O matcha, chá verde japonês que ganhou espaço em cafeterias, receitas e redes sociais, desperta interesse pela cor e pelo sabor, mas sua produção exige técnicas específicas de cultivo e moagem. Entenda como o sombreamento das plantas, a tradição japonesa e o aumento da demanda mundial influenciam essa bebida

O matcha deixou de ser uma bebida restrita a públicos especializados e se transformou em uma tendência mundial. Presente em cafeterias, receitas e publicações nas redes sociais, o chá verde japonês também vem despertando a atenção para os métodos tradicionais de produção e para os desafios de atender ao crescimento do consumo.
Mais do que uma bebida de aparência marcante, o matcha carrega conhecimentos agrícolas e técnicas de preparação transmitidos ao longo de gerações. A origem das folhas, as condições de cultivo e a maneira como o produto é processado ajudam a explicar as características que conquistaram consumidores em diferentes países.
Como o matcha é produzido no Japão?
De acordo com o Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, o matcha é produzido a partir do tencha, um tipo de chá obtido de plantas cultivadas sob cobertura para reduzir a exposição direta à luz solar.
Depois da colheita, as folhas passam por um processo de cozimento a vapor e são secas sem serem enroladas. Em seguida, são moídas até se transformarem em um pó fino, característica que diferencia o matcha de outras formas de consumo do chá verde.
O método de cultivo também influencia o sabor da bebida. Segundo informações do ministério japonês sobre o chá da região de Uji, o sombreamento das plantas ajuda a reduzir o amargor e favorece um perfil de sabor associado ao umami, uma sensação gustativa frequentemente descrita como intensa e saborosa.
Outro aspecto importante é o período da colheita. As folhas da primeira safra, recolhidas principalmente entre o fim de abril e maio, são destinadas em grande parte à produção de tencha e gyokuro, chás considerados de alta qualidade.
Essas práticas fazem parte de uma tradição que atravessa gerações e ajudam a explicar por que o processo de fabricação se tornou um dos pontos de interesse para quem deseja conhecer melhor a bebida.
Preparação tradicional ganha espaço entre os consumidores
Com a popularização do matcha, a maneira de preparar a bebida também passou a receber mais atenção. Uma das práticas consiste em misturar o pó com água e bater até obter uma preparação homogênea, permitindo apreciar o aroma, a textura e o sabor antes de adicionar outros ingredientes.
A especialista Darla Murray, ouvida pela revista Vogue, destacou diferenças entre preparações que valorizam folhas jovens, cultivo sombreado e moagem em pequenos lotes e aquelas produzidas em escala industrial.
Essa distinção não significa que uma categoria seja sempre superior à outra, mas mostra como a procedência e as técnicas de fabricação passaram a influenciar as escolhas de parte dos consumidores.
O preparo também pode assumir um caráter de interação entre quem faz a bebida e quem a recebe. O fundador Alan Jiang procura preservar esse momento, enquanto a mestra de chá Keiko Kitazawa participa de degustações guiadas que colocam o sabor do produto no centro da experiência.
Ao mesmo tempo, o matcha continua presente em versões geladas, misturas com leite e receitas de confeitaria. Essas alternativas ampliam as possibilidades de consumo sem eliminar o interesse pelo preparo tradicional.
Aumento da procura pode pressionar a oferta
A expansão mundial do matcha também levanta questões sobre a capacidade de produção e o abastecimento. O cultivo e o processamento dependem de conhecimentos específicos, enquanto o aumento da demanda pode criar dificuldades para manter a oferta em determinados períodos.
Sarah Oh, outra profissional entrevistada pela Vogue, chamou a atenção para problemas de abastecimento durante a colheita de 2025.
O cenário está relacionado a desafios mais amplos enfrentados pelo mercado internacional de chá. Em sua atualização de 2026, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para os efeitos de fenômenos climáticos extremos, restrições de fornecimento, pragas e dificuldades logísticas sobre os mercados de bebidas.
Esses fatores podem influenciar os preços, embora os impactos variem entre os diferentes participantes da cadeia produtiva, desde os agricultores até os consumidores.
Segundo a FAO, o setor do chá também representa uma importante fonte de renda e emprego para milhões de pequenos produtores. A organização estima que eles respondam por 60% da produção mundial.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



