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Mafómedes, a aldeia escondida a 1h15 do Porto com 20 habitantes e rio cristalino

Conheça a aldeia isolada em Portugal que está entre duas encostas na Serra do Marão; saiba como chegar

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Mafómedes, a aldeia mais remota do distrito do Porto • BCBM/Reprodução

Encaixada entre duas encostas íngremes da Serra do Marão, a cerca de 80 km do centro do Porto, Mafómedes viveu isolada do resto do mundo até bem recentemente. A estrada de alcatrão só chegou à aldeia em 2008, uma década depois da promessa feita pelo então Presidente da República Jorge Sampaio.

Hoje, com cerca de 18 habitantes permanentes segundo o dono da tasca local, a pequena povoação da União das Freguesias de Teixeira e Teixeiró transformou-se num refúgio procurado por quem busca natureza autêntica. O rio Teixeira, de águas cristalinas, e os trilhos que serpenteiam a serra compensam cada curva da estrada sinuosa que conduz até lá.

O rio de águas transparentes e a piscina natural

O rio Teixeira nasce na própria Serra do Marão e percorre o vale até desaguar no Douro pela margem direita. As águas límpidas tornaram-se o principal atrativo natural da região.

Junto ao rio foi criada uma zona balnear equipada com piscina natural. O espaço oferece mesas para piquenique e área preparada para grelhar, ideal para quem planeja passar o dia completo na aldeia.

Durante os meses de verão, a população de visitantes supera em muito os residentes permanentes. A tranquilidade do vale e a temperatura agradável da água explicam a procura crescente.

Trilho circular de 18 km pela Serra do Marão

Para quem prefere explorar a montanha a pé, existe um percurso circular batizado "Serra do Marão: Mafómedes – Fraga da Ermida – Senhora da Serra". Com 18 km de extensão, o trilho conecta a aldeia aos pontos mais emblemáticos da serra.

O caminho passa pelo miradouro da Fraga da Ermida, que oferece vistas panorâmicas sobre o vale. Mais adiante, o percurso atravessa as antigas Minas do Teixo, onde se extraiu estanho principalmente entre 1940 e 1968.

O trajeto exige preparo físico moderado, mas recompensa com paisagens que alternam entre vales profundos e vistas abertas sobre o Douro e Trás-os-Montes.

A romaria mais alta de Portugal e o nascer do sol a 1.416 metros

No ponto mais elevado da montanha, a 1.416 metros de altitude, encontra-se a Ermida da Senhora da Serra, também chamada Capela de Nossa Senhora do Marão. É precisamente essa altitude que justifica o título da celebração anual.

A romaria acontece no segundo domingo de julho. A caminhada arranca à meia-noite em Gestaçô, atravessa a Teixeira e Mafómedes, e chega ao cume ao amanhecer. Peregrinos e visitantes de vários concelhos vizinhos sobem para assistir ao nascer do sol sobre o Douro e Trás-os-Montes.

A tradição consolidou-se como a romaria mais alta do país, reunindo fé e contemplação da natureza num único ritual anual.

O biscoito da Teixeira, a barra energética ancestral

Para enfrentar longas jornadas pela serra, um doce típico da região tornou-se referência: o doce ou biscoito da Teixeira. Pequeno, retangular e de tom castanho, destaca-se pela ausência de ovos na receita.

Essa característica explica a textura compacta e a notável capacidade de conservação. O biscoito mantém-se em bom estado durante semanas mesmo fora do frigorífico, funcionando como autêntica barra energética antes do conceito moderno existir.

A receita tradicional atravessou gerações e permanece como alimento de resistência para quem caminha pelas trilhas da Serra do Marão.

Onde ficar e onde comer em Mafómedes

Quem deseja prolongar a estadia pode alojar-se na Casa da Comunidade de Mafómedes, instalada no edifício da antiga escola primária da aldeia. O espaço dispõe de três quartos com ar condicionado, duas casas de banho, sala com lareira, cozinha equipada e terraço com churrasqueira.

Para as refeições, o destino é a Tasca do Valado, no centro de Mafómedes. O estabelecimento ganhou destaque numa reportagem do Expresso publicada em setembro de 2025, garantindo recomendação no Guia Boa Cama Boa Mesa 2025 como restaurante regional.

Segundo Ricardo Rocha, proprietário da tasca e uma das vozes que documentam a vida local, a aldeia mantém cerca de 18 habitantes permanentes, número que contrasta com o fluxo intenso de visitantes nos meses quentes.

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