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Mães beta segundo a psicologia: como criar com menos controle e mais autonomia

Descubra o que são mães beta e como equilibrar autonomia infantil com limites claros, segundo psicólogos

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Mães beta segundo a psicologia como criar com menos controle e mais autonomia
Mães beta segundo a psicologia como criar com menos controle e mais autonomia • Ekaterina Pereslavtseva

A imagem da mãe entregada aos filhos carrega uma ideia aparentemente simples: quanto mais se faz, melhor se é. Organizar cada atividade, supervisionar os deveres, controlar horários e antecipar problemas formam uma espécie de carreira silenciosa pela infância mais estimulante e segura possível. Mas em redes sociais dos Estados Unidos circula uma tendência chamada beta mom (mãe beta), que questiona essa lógica.

Essa corrente defende que uma boa mãe não precisa estar pendente de tudo. O termo surge como reação a décadas de helicopter parenting — expressão que a Associação Americana de Psicologia usa para criação muito controladora, com supervisão e intervenção constantes que deixam menos espaço para autonomia infantil.

Segundo a psicóloga Iratxe López Fuentes, diretora de centro privado em Bilbao, a ideia joga com mãe alfa versus beta. Enquanto a alfa domina e controla, a beta é mais tranquila, menos exigente, renuncia à perfeição e aceita que a casa não esteja impecável, que o filho se aborreça ou que nem tudo seja planejado. Veículos como The Wall Street Journal recolheram depoimentos de mães nos Estados Unidos que reduzem atividades extraescolares e aceitam que casa, horários e notas não precisam ser perfeitos.

O conceito de mãe suficientemente boa na psicologia

A ideia de mãe beta viralizou nas redes, mas a psicologia reflete sobre isso há muito tempo. O psicanalista e pediatra Donald Winnicott falava em meados do século XX sobre a mãe suficientemente boa: os filhos não precisam de mães perfeitas, mas de mães disponíveis e carinhosas que às vezes se equivocam.

Segundo López, esses pequenos falhos ensinam a tolerar frustração e a buscar recursos próprios. A ciência ainda não adotou oficialmente o termo "mães beta", mas já desenha o tipo de criação por trás de um modelo menos controlador que favorece autonomia.

O que dizem os estudos sobre criação que apoia autonomia

Um estudo publicado no Journal of Family Psychology, da Associação Americana de Psicologia, analisou dados de 3.843 pais do Canadá. A pesquisa encontrou que apenas 17% declararam usar predominantemente práticas de criação que apoiam autonomia.

Segundo a investigação, os filhos desse grupo eram os que mais percebiam esse apoio e, além disso, mostravam melhores resultados acadêmicos e menos problemas de conduta.

Menos controle não significa ausência de limites

López alerta que é preciso cuidado para não ir ao outro extremo. Uma coisa é deixar de agobiar o filho; outra, muito distinta, é deixar de colocar normas. A psicologia sabe que o que melhor funciona é combinar duas coisas: muito carinho e confiança, e normas claras.

A mãe beta acerta ao dar espaço e não controlar tudo. Mas, se soltar significa não colocar nenhum limite, o filho fica sem uma guia que necessita — e isso também não é bom para ele.

Como equilibrar autonomia com supervisão adequada

López oferece um exemplo prático. Se uma menina não quer fazer os deveres, sua mãe pode fazer três coisas:

Sentar ao lado e praticamente fazê-los — protege do esforço, mas tira a oportunidade de aprender sozinha.

Dizer 'você vê' e não voltar a perguntar — dá liberdade, mas deixa sem guia que nessa idade ainda necessita.

Estabelecer norma com margem de decisão: 'Os deveres se fazem antes do jantar. Você decide se começa por Matemática ou por Língua, e se travar, me chama'. Aqui há norma clara, a menina tem margem para decidir e sabe que sua mãe está ali se precisar.

Essa terceira opção equilibra limite e autonomia.

Criação mais humana com guia e respeito

Cristina Sanz García, psicóloga e diretora do Centro Luria Psicologia, propõe voltar a uma criação mais humana que requer guiar, acompanhar e respeitar os filhos. Segundo ela, os filhos precisam saber que há adultos que colocam limites e cuidam deles, mas também precisam de espaços onde possam decidir e experimentar.

Sanz exemplifica: podemos decidir que há que se deitar em determinada hora, mas deixar que o filho escolha o pijama. Podemos estabelecer que os deveres têm que estar feitos, mas permitir que decida por onde começa. À medida que crescem, podemos ampliar essas margens.

Perguntas para identificar controle excessivo

Algumas perguntas simples ajudam a refletir sobre essas situações, segundo Sanz:

'Isso estou fazendo porque meu filho ainda não pode fazê-lo ou porque me custa deixar que o faça sozinho?'

'Não pode fazê-lo ou fica melhor quando faço eu?'

Essa sobreexigência pessoal se manifesta em pensamentos como 'tenho que fazer a trança, porque se não vai mal penteada' ou 'tenho que fazer o projeto, porque se não vão pensar que não nos implicamos em casa'.

Da supervisão constante ao acompanhamento disponível

A necessidade de intervir constantemente também reflete autoexigência muito presente na maternidade. A supervisão não precisa significar estar comprovando tudo.

Segundo Sanz, podemos perguntar, interessar-nos, acompanhar e estar disponíveis sem nos convertermos em inspetores permanentes da vida dos filhos. A criação vai mudando de 'faço por você' a 'fazemos juntos' e, finalmente, a 'confio que pode fazê-lo você e, se me necessita, aqui estou'.

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