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Depressão pós-parto: 7 sinais de alerta que mães não devem ignorar

Tristeza persistente, angústia intensa, insônia e falta de interesse podem indicar depressão pós-parto, um problema de saúde mental que exige atenção. Especialista explica como reconhecer os sinais e quando buscar ajuda

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Imagem ilustrativa • Freepik

O nascimento de um bebê costuma ser associado a um período de alegria, amor e realização. Mas, para algumas mulheres, a chegada de um filho também pode trazer tristeza profunda, medo, angústia e uma sensação de esgotamento que vai muito além do cansaço provocado pelas noites mal dormidas.

Esses sentimentos podem ser sinais de depressão pós-parto, uma condição de saúde mental que merece atenção e acompanhamento profissional. O problema pode surgir depois do nascimento do bebê e, em alguns casos, começar ainda durante a gravidez.

Em entrevista ao portal Infobae, a psicóloga cognitiva Andrea Szpektor, especialista em maternidade, criação de filhos e coordenação de grupos, explicou como identificar os sintomas, quais fatores podem aumentar a vulnerabilidade emocional e por que é importante procurar ajuda sem esperar que a situação se agrave.

A profissional também destacou que amar o próprio filho não impede o desenvolvimento de um transtorno mental. Em suas palavras, “amar um bebê, amar um filho, não nos protege de problemas de saúde mental”.

O que é depressão pós-parto e quando ela pode aparecer?

A depressão pós-parto é um quadro que pode afetar a saúde emocional da mulher após o nascimento do bebê. Quando os sintomas começam durante a gestação ou continuam nos meses seguintes ao parto, também é utilizado o termo depressão perinatal.

Segundo Szpektor, esse período pode envolver mudanças hormonais, físicas, psicológicas e sociais que tornam a mulher mais vulnerável. A nova rotina, as noites interrompidas, as preocupações com os cuidados do recém-nascido e as mudanças nos relacionamentos podem aumentar a sobrecarga.

A condição pode se manifestar de diferentes maneiras e não deve ser confundida com uma simples falta de adaptação à maternidade.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Tristeza profunda: sensação persistente de tristeza, desânimo ou vazio
  • Angústia e medo intensos: preocupação excessiva com o bebê ou com a própria capacidade de cuidar dele
  • Cansaço extremo: esgotamento que não melhora adequadamente mesmo quando existem oportunidades para descansar
  • Falta de interesse: perda da vontade de realizar atividades que antes proporcionavam prazer
  • Insônia persistente: dificuldade para dormir mesmo quando o bebê está dormindo
  • Desespero e culpa: sensação de incapacidade ou de não ser uma boa mãe

Pensamentos assustadores: medo intenso de machucar o bebê ou a si mesma, que exige avaliação profissional, especialmente quando acompanhado de intenção de agir ou dificuldade para controlar esses pensamentos.

A presença de um ou mais desses sintomas não confirma, por si só, o diagnóstico. A avaliação deve ser feita por um profissional de saúde, considerando a intensidade, a duração e o impacto dos sinais na vida cotidiana.

Como diferenciar a depressão pós-parto do baby blues?

Nos primeiros dias após o nascimento, muitas mulheres passam por um período conhecido como baby blues, caracterizado por mudanças de humor, choro fácil, tristeza, ansiedade e maior sensibilidade emocional.

De acordo com Szpektor, essa fase costuma durar de duas a três semanas, com melhora progressiva. Já a depressão pós-parto tende a persistir por mais tempo, pode apresentar sintomas mais intensos e interferir de maneira significativa na rotina e nos cuidados pessoais.

A diferença não está apenas no tempo, mas também na intensidade do sofrimento e nas consequências para a vida da mulher.

Uma mãe pode, por exemplo, sentir cansaço depois de uma noite difícil com o recém-nascido. Isso é esperado em muitas situações. Entretanto, se ela não consegue dormir mesmo quando o bebê está descansando, apresenta sofrimento frequente e percebe que a situação se repete, é importante procurar orientação profissional.

O problema é que alguns sintomas acabam sendo considerados parte obrigatória da maternidade. Isso pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

Também é importante evitar o erro oposto, que consiste em interpretar toda tristeza passageira como depressão. Somente um profissional capacitado pode diferenciar essas condições com segurança.

Por que a solidão pode aumentar o sofrimento emocional?

Um dos pontos destacados por Szpektor é a importância de evitar que a mulher atravesse o puerpério sem uma rede de apoio.

A especialista afirmou: “Uma mulher no puerpério nunca deve ficar sozinha, nunca”.

A declaração destaca a importância de ter pessoas disponíveis para ouvir, ajudar e dividir as responsabilidades durante uma fase de grandes mudanças. O apoio pode vir de familiares, amigos, grupos de mães e profissionais de saúde.

A solidão pode favorecer pensamentos repetitivos e negativos, conhecidos como ruminação. Nesse processo, a pessoa fica presa a preocupações que parecem se repetir sem chegar a uma solução.

Uma mãe pode interpretar o choro do bebê como prova de que não sabe cuidar dele. A partir daí, pode começar a acreditar que está falhando ou que não é capaz de exercer a maternidade.

Uma conversa acolhedora com alguém de confiança pode ajudar a perceber que dúvidas, dificuldades e cansaço são experiências comuns durante a criação de um recém-nascido. Isso não elimina necessariamente o problema, mas pode reduzir a sensação de isolamento.

A especialista também ressaltou que o apoio não deve se limitar ao bebê. É importante perguntar à mãe como ela está, ouvi-la sem julgamentos e descobrir de que tipo de ajuda ela precisa.

Quem tem maior risco de desenvolver depressão pós-parto?

Algumas circunstâncias podem aumentar a vulnerabilidade emocional durante a gravidez e o período após o parto.

Entre os fatores mencionados por Szpektor estão:

  • Histórico anterior de depressão
  • Ansiedade intensa
  • Experiências traumáticas
  • Gravidez marcada por dificuldades
  • Parto complicado
  • Problemas persistentes de sono
  • Falta de apoio emocional e social

Esses fatores não significam que a mulher necessariamente desenvolverá depressão. Da mesma forma, a ausência deles não elimina a possibilidade de o problema aparecer.

Por isso, o acompanhamento da saúde mental deve fazer parte dos cuidados durante a gestação e após o nascimento do bebê.

O sofrimento emocional não é sinal de fraqueza, falta de amor pelo filho ou incapacidade de ser mãe. Trata-se de uma questão de saúde que merece ser avaliada e tratada com seriedade.

Quando procurar ajuda profissional?

A recomendação da especialista é não esperar que os sintomas se tornem insuportáveis para buscar atendimento.

“Quando você está passando por um momento difícil”, respondeu Szpektor ao explicar quando é adequado procurar ajuda.

A avaliação pode ser realizada por profissionais de psicologia ou psiquiatria com experiência em saúde mental perinatal. Obstetras e pediatras também podem orientar a família e encaminhar a mulher para o atendimento adequado.

O tratamento depende das necessidades de cada paciente e pode incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e, quando indicado, medicamentos. Existem opções que podem ser utilizadas durante a amamentação, mas a escolha deve ser feita individualmente com orientação médica.

É importante procurar atendimento com rapidez quando os sintomas persistem, pioram ou dificultam os cuidados pessoais e com o bebê.

Se houver pensamentos de suicídio, intenção de machucar a si mesma ou o bebê, confusão mental ou perda de contato com a realidade, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente. A mulher não deve ficar sozinha nessas circunstâncias, e outra pessoa deve ajudar a manter o bebê em segurança.

A saúde mental dos pais também precisa de atenção

Embora a depressão pós-parto seja frequentemente associada às mães, os pais também podem enfrentar dificuldades emocionais após a chegada de um filho.

Szpektor chamou a atenção para a necessidade de reconhecer os homens como cuidadores, e não apenas como ajudantes da mãe. Eles também podem sentir medo, insegurança, ansiedade e sobrecarga diante das mudanças na rotina familiar.

Por isso, o acompanhamento e a rede de apoio devem considerar as necessidades emocionais de ambos os pais, sempre respeitando as particularidades de cada situação.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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