Operação: 23 filhotes de ovos contrabandeados nascem em Foz do Iguaçu
Veja trabalho de resgate e criação de aves silvestres nascidas de ovos contrabandeados, e entenda por que tráfico na época reprodutiva ameaça espécies

Dez dias após fiscais da Receita Federal encontrarem mais de 30 ovos de aves silvestres escondidos na bagagem de um casal de chineses, 23 filhotes já vieram ao mundo.
Os ovos estavam em uma incubadora improvisada no fundo de uma sacola, e alguns escondidos no forro da jaqueta da passageira. Os recém-nascidos agora estão sob cuidados intensivos no Refúgio Biológico Bela Vista, para onde foram levados imediatamente após a apreensão.
A equipe de profissionais identificou que 19 filhotes pertencem à família dos ranfastídeos — grupo que inclui tucanos e araçaris — enquanto quatro são psitacídeos, categoria que reúne araras, periquitos e papagaios.
A identificação exata das espécies só será possível quando os animais estiverem mais desenvolvidos. Atualmente, todos estão em incubadoras e recebem alimentação manual.
O que aconteceu com os ovos apreendidos
Do total de 34 ovos encontrados pelos fiscais, seis aves morreram antes mesmo de eclodir. Outras duas não resistiram após o nascimento. Três ovos ainda não eclodiram e permanecem sob observação da equipe do refúgio. A apreensão aconteceu durante fiscalização de rotina em um ônibus interestadual que seguia para o Rio de Janeiro. O casal transportava os ovos como parte de uma operação de tráfico: segundo depoimento, receberiam R$ 3 mil para entregar a carga no Aeroporto Internacional do Galeão.
Como funciona o resgate e cuidado dos filhotes
Os profissionais do Refúgio Biológico Bela Vista mantêm os filhotes em incubadoras com temperatura e umidade controladas. A alimentação acontece manualmente, várias vezes ao dia, seguindo protocolos específicos para cada família de ave. Esse tipo de cuidado intensivo é fundamental para garantir a sobrevivência de animais que, em condições normais, seriam alimentados e aquecidos pelos pais biológicos. O trabalho exige monitoramento constante e conhecimento técnico especializado.
Por que o tráfico de ovos acontece na época de reprodução
Estamos no período reprodutivo de muitas espécies de aves silvestres brasileiras. Esse é o momento em que os traficantes intensificam a busca por ninhos para roubar ovos, que são mais fáceis de transportar e ocultar do que animais adultos. Segundo especialistas citados em relatório da Freeland Brasil, ovos de determinadas espécies podem ser comercializados por até R$ 6 mil no mercado internacional. O destino principal dessa mercadoria ilegal é a Ásia, onde existe demanda por aves exóticas brasileiras.
Casos anteriores mostram padrão de contrabando
Em 2023, um caso similar ocorreu na mesma cidade paranaense. Uma mulher foi flagrada pela Polícia Federal com oito ovos escondidos dentro do sutiã, no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Daqueles ovos, cinco filhotes nasceram e foram encaminhados ao Parque das Aves. Eram tucanos-tocos, também conhecidos como tucanuçus, a maior espécie entre os tucanos. Dois dos cinco filhotes morreram meses depois. O caso revela o padrão de comportamento dos traficantes: uso de incubadoras improvisadas e ocultação em peças de roupa ou bagagens.
A rota do tráfico e os números recentes
Entre setembro e o início de outubro, as autoridades brasileiras apreenderam quase 80 ovos de aves com passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A intensificação das apreensões coincide com a época reprodutiva das espécies. Segundo relatório divulgado pela Freeland Brasil, barbatanas de tubarão, peixes ornamentais vivos e ovos estão entre os produtos da fauna mais traficados no Brasil. A grande maioria tem como destino países asiáticos, onde o comércio ilegal alimenta coleções particulares e mercados de animais exóticos.
O papel das instituições de acolhimento
Refúgios como o Biológico Bela Vista e o Parque das Aves desempenham função fundamental no combate ao tráfico. Essas instituições recebem os animais apreendidos e oferecem estrutura técnica para garantir sua sobrevivência e, quando possível, reintrodução na natureza. O trabalho vai além do cuidado imediato: inclui alimentação especializada, acompanhamento veterinário, socialização e preparação para vida em ambiente natural. Sem essas instituições, os animais resgatados teriam chances mínimas de sobrevivência.
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