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Estudo diz que meninos que contavam azulejos para passar tempo desenvolveram essa habilidade

Investigações recentes apontam que esse tipo de atividade lúdica espontânea pode ter desempenhado um papel fundamental

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Imagem meramente ilustrativa • Gemini/Reprodução

Esperar o ônibus, caminhar várias quadras até a escola ou subir uma escada que parecia interminável costumavam ser momentos propícios para o tédio na infância.

Para passar o tempo, muitas crianças criavam um jogo tão simples quanto espontâneo: contar os azulejos das calçadas (baldosas), os degraus, os postes de luz ou qualquer objeto repetitivo pelo caminho.

O que durante anos foi encarado como uma mania infantil sem maior importância tornou-se agora o foco de interesse de psicólogos e especialistas em desenvolvimento cognitivo.

Investigações recentes apontam que esse tipo de atividade lúdica espontânea pode ter desempenhado um papel fundamental no fortalecimento de uma capacidade cada vez mais escassa no mundo moderno: a de manter a atenção concentrada por períodos prolongados.

O mecanismo cerebral por trás do hábito

De acordo com neuropsicólogos, quando uma criança foca toda a sua atenção em uma sequência repetitiva, o cérebro bloqueia temporariamente outros estímulos externos do ambiente. Esse exercício mental contínuo força o indivíduo a sustentar o foco e a evitar distrações — duas competências essenciais que integram as chamadas funções executivas.

Além do ganho de foco, esses pequenos desafios diários estimulam a memória de trabalho e o controle de impulsos, pilares indispensáveis para o aprendizado e para a resolução de problemas complexos.

Por ser um jogo escolhido de forma autônoma pela própria criança, a atividade ocorre de maneira totalmente natural, livre de cobranças ou pressões externas.

Paralelo direto com o Mindfulness

  • Os pesquisadores traçaram um paralelo direto entre o hábito infantil de contagem e as técnicas atuais de mindfulness (atenção plena). Em ambas as abordagens, a premissa central é direcionar a atenção de forma voluntária para um único estímulo presente, reduzindo drasticamente a dispersão mental. Enquanto o mindfulness contemporâneo utiliza frequentemente o ritmo da respiração como âncora, as crianças alcançavam um estado mental análogo contando blocos ou postes de luz durante seus trajetos. Embora o objetivo inicial fosse o mero entretenimento, o mecanismo mental resultante é muito parecido.
  • Estudo Científico: a pesquisa, publicada no periódico especializado Frontiers in Psychology, analisou diferentes tarefas de contagem que são habitualmente utilizadas para medir a estabilidade da atenção humana.
  • Controle Executivo: os resultados indicaram que o ato de acompanhar sequências simples favorece os mecanismos cerebrais atrelados ao controle executivo, mitigando significativamente a tendência de a mente divagar constantemente.
  • Treino, não QI: os cientistas responsáveis fazem uma ressalva importante: esses exercícios cotidianos não elevam o quociente de inteligência (QI) de forma isolada e nem garantem, por si sós, um desempenho cognitivo superior imediato, mas servem como uma excelente ferramenta prática para exercitar e tonificar a capacidade de concentração.
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