Belo Horizonte
Itatiaia

'Estamos vivendo melhor do que os reis da antiguidade, e ainda assim instasfeitos', diz monge

Lama Rinchen, monge budista formado na tradição tibetana, concentra sua palestra na riqueza interior e no domínio da mente diante da insatisfação da vida moderna

Por
Lama Rinchen, monge budista
Lama Rinchen, monge budista • Reprodução/Facebook

Nunca antes a humanidade desfrutou de tantos recursos e confortos, e ainda assim o sofrimento emocional persiste, especialmente entre os jovens. Esta é uma das conclusões a que chegou o monge budista Lama Rinchen durante sua participação no podcast "The Formula for Success", apresentado por Uri Sabat.

O mestre de meditação, formado na tradição tibetana, concentra sua palestra na riqueza interior e no domínio da mente diante da insatisfação da vida moderna. O diálogo destaca a meditação não como um ato místico, mas como um treinamento pragmático para o desenvolvimento do altruísmo, da virtude e da sabedoria. "Estamos vivendo melhor do que os reis da antiguidade, e ainda assim permanecemos insatisfeitos, talvez até mais", reflete o palestrante uruguaio.

"Estamos numa fase muito interessante e está a ocorrer um despertar da consciência"

Segundo ele, a origem da insatisfação da sociedade atual reside em uma incompatibilidade fundamental entre a natureza humana e o meio ambiente.

"Tudo o que temos à nossa disposição é limitado, finito, e a nossa natureza é infinita. Portanto, não basta para nos satisfazer", afirma o especialista, que explica que essa lacuna significa que as conquistas materiais ou externas proporcionam apenas uma satisfação parcial e instável, incapazes de suprir necessidades mais profundas, como conexão, paz ou um senso de propósito.

"Queremos conexão, queremos alegria, felicidade, queremos paz, queremos segurança, e não importa o quanto conquistemos lá fora, isso não traz satisfação plena", reflete ele.

O monge enfatiza que esse vazio existencial se intensificou nos últimos anos, particularmente após a pandemia, um período que obrigou muitas pessoas a repensarem seu estilo de vida.

“Houve um ponto de virada que me levou a questionar quem eu sou e que tipo de vida eu quero”, diz ela, destacando um despertar da consciência e uma busca mais genuína por propósito. “Foi aí que começou a busca por significado nesta vida, juntamente com a pesquisa e exploração de novos modelos de felicidade”, explica.

O mestre budista acredita que essas questões — sobre identidade, o sentido da vida ou da morte — são universais, mas adverte que a falta de respostas pode gerar angústia.

Nesse contexto, ele compara a busca incessante pela felicidade externa a um cavalo tentando alcançar uma cenoura que nunca chega. "Devemos continuar buscando, explorando", elabora o orador, refletindo sobre a juventude: "Aqueles que percebem esse vazio existencial carecem de propósito, e todas as coisas belas que a vida oferece, em vez de poderem ser apreciadas, tornam-se um pesadelo. Estamos em uma fase muito interessante, e há um despertar da consciência", conclui.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.