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Comprar carne bovina com gordura amarela ou gordura branca: qual a diferença e qual a melhor?

Longe de ser um descarte, a gordura desempenha funções gastronômicas indispensáveis na culinária

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Ambas são excelentes e representam apenas formas distintas e legítimas de criação e nutrição pecuária • Pixabay/Reprodução

Comprar carne para um churrasco, para um cozido ou para o recheio de empanadas é uma tarefa que parece simples, mas exige precisão. Muitas vezes, o consumidor encara a presença de gordura na peça como um sinal negativo ou sinônimo de baixa qualidade, o que é um grande erro.

Uma peça de carne pode apresentar maior ou menor quantidade de gordura, diferenciando-se pela cor e pela localização no animal — mesmo tratando-se do mesmo corte e vinda do mesmo boi.

Cortes com maior porcentagem de gordura interna ou externa (subcutânea) são, na verdade, os mais indicados para a grelha e a churrasqueira. Peças tradicionais como a costela, o matambre (fraldinha/capa de filé), o bife ancho e a fraldinha dependem diretamente dessa presença lipídica para garantir maciez e sabor marcantes.

O papel fundamental da gordura na carne

Longe de ser um descarte, a gordura desempenha funções gastronômicas indispensáveis na culinária:

  • Sabor e suculência: A gordura funciona como um veículo natural de sabor e atua retendo a umidade interna da peça. Isso evita que o churrasco ou a receita resseque e fique dura durante o cozimento.
  • Distribuição de calor: Ela permite que a carne asse de forma homogênea.
  • Gordura Intramuscular: Conhecida por lubrificar as fibras musculares a partir do interior da peça, garantindo o máximo de maciez e untuosidade.
  • Gordura de Cobertura (Capa): Protege o corte contra o calor direto do fogo, impedindo a perda excessiva de sucos e otimizando o ponto da carne sem deixá-la seca.
  • Gordura Branca vs. Gordura Amarela: Os bastidores da coloração

É comum encontrar no açougue o mesmo corte de carne exibindo capas de gordura com cores totalmente distintas. A explicação para essa variação visual está diretamente ligada ao manejo e à rotina do animal:

  • Gordura Amarela (Alimentação a Pasto): É o resultado de animais criados soltos, alimentados exclusivamente com pastagem. O capim possui altos níveis de betacarotenos (pigmentos naturais) que se acumulam no tecido adiposo do boi, conferindo-lhe o tom amarelado. Esteticamente diferente, essa carne entrega um sabor muito mais intenso e carrega um valor nutricional mais elevado.
  • Gordura Branca (Alimentação em Confinamento): Provém de gados alimentados à base de grãos, como milho e soja, em sistemas de confinamento. Pela ausência de betacarotenos nessa dieta específica, a gordura se mantém alva. Visualmente tradicional, é uma gordura mais suave e que possui um ponto de fusão menor, fazendo com que derreta de forma mais rápida ao fogo.

Qual é a melhor escolha?

Especialistas apontam que não existe uma opção melhor do que a outra. A decisão final fica por conta do paladar e da preferência de cada consumidor. Enquanto a carne com gordura amarela oferece intensidade de sabor e riqueza nutricional, a de gordura branca se destaca pela suavidade e pela facilidade com que derrete na boca.

Ambas são excelentes e representam apenas formas distintas e legítimas de criação e nutrição pecuária.

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