Check-up masculino: quais exames fazer em cada idade

Homens ainda evitam médicos, mas exames preventivos desde os 18 anos podem reduzir mortes e aumentar a expectativa de vida

A diferença de mais de seis anos na expectativa de vida entre homens e mulheres no Brasil acende um alerta que vai além da genética. Dados do IBGE mostram que os homens vivem, em média, até 73,3 anos, enquanto as mulheres chegam a 79,9. Especialistas apontam que um dos principais motivos para essa diferença é a baixa adesão masculina aos cuidados preventivos de saúde.

Levantamentos da Sociedade Brasileira de Urologia indicam que apenas 32% dos homens acima dos 40 anos dizem se preocupar com a própria saúde. O cenário se agrava quando surgem sintomas. Quase metade só procura um médico quando os sinais da doença já estão evidentes, e mais de 60% esperam até que a situação se torne insuportável. Esse comportamento tem impacto direto nas estatísticas de mortalidade.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% das mortes masculinas no país poderiam ser evitadas com acompanhamento médico regular. Doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e vários tipos de câncer estão entre as principais causas, muitas delas com altas chances de controle ou cura quando descobertas precocemente.

Quando iniciar o check-up masculino

Especialistas recomendam que os cuidados preventivos comecem cedo. A partir dos 18 anos, o acompanhamento com um clínico geral ajuda a criar um histórico de saúde e identificar alterações ainda silenciosas. Até os 30 anos, homens sem doenças crônicas podem realizar check-ups a cada dois anos. Já quem fuma, está acima do peso, é sedentário ou tem histórico familiar de doenças deve manter avaliações anuais.

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Após os 30 anos, o organismo começa a apresentar mudanças metabólicas mais frequentes. Alterações no colesterol, nos triglicerídeos e até nos níveis hormonais tornam-se mais comuns. Por isso, o check-up anual passa a ser indicado para todos, mesmo na ausência de sintomas.

Exames básicos

Independentemente da idade, alguns exames formam a base do check-up masculino. O hemograma completo ajuda a identificar infecções, anemias e alterações imunológicas. A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada são fundamentais para detectar diabetes e pré-diabetes, condições que afetam milhões de brasileiros.

O perfil lipídico, que avalia colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos, é essencial para medir o risco de doenças cardíacas, a principal causa de morte no país. Exames de ureia e creatinina avaliam a função dos rins, enquanto TGO e TGP verificam a saúde do fígado. A dosagem de TSH e T4 livre analisa o funcionamento da tireoide, e o exame de urina tipo I pode revelar infecções e problemas renais ainda sem sintomas.

Após os 40 anos

A partir dos 40 anos, o protocolo de exames se amplia. A avaliação da próstata entra na rotina, com a dosagem do PSA no sangue e consulta com urologista. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer apontam mais de 71 mil novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil, com dezenas de mortes registradas diariamente. Quando diagnosticada no início, a doença tem índices de cura que podem chegar a 98%.

Homens negros ou com histórico familiar devem iniciar essa investigação mais cedo, por volta dos 45 anos, já que o risco é significativamente maior. Apesar do preconceito, o exame de toque retal segue sendo uma ferramenta importante, pois pode detectar alterações que não aparecem apenas no exame de sangue.

Nessa fase, a saúde do coração também ganha atenção especial. Eletrocardiograma, teste ergométrico e, em alguns casos, ecocardiograma ajudam a identificar problemas antes que se tornem graves. O controle da pressão arterial e da gordura abdominal passa a ser ainda mais rigoroso.

Após os 50 anos

Homens acima dos 50 anos devem realizar check-ups completos todos os anos. Além da prevenção do câncer e das doenças cardiovasculares, surgem questões hormonais. A redução natural da testosterona pode causar cansaço, perda de massa muscular, alterações de humor e diminuição da libido. A dosagem hormonal só é indicada quando há sintomas, e qualquer tratamento deve ser feito com acompanhamento médico.

Consultas oftalmológicas e odontológicas tornam-se obrigatórias anualmente. Em alguns casos, a avaliação da densidade óssea pode ser solicitada para detectar osteoporose, condição que também afeta homens, principalmente após os 60 anos.

Sintomas que exigem atenção imediata

Alguns sinais não devem ser ignorados. Dor no peito persistente, acompanhada de falta de ar, náusea ou suor frio, pode indicar infarto e exige atendimento urgente. Alterações urinárias, como dificuldade para urinar, jato fraco, presença de sangue ou dor, podem sinalizar problemas na próstata ou infecções.

Sintomas neurológicos súbitos, como perda de força em um lado do corpo, dificuldade para falar ou alteração visual repentina, são sinais clássicos de AVC. Fadiga sem causa aparente, perda de peso inesperada, tosse prolongada e mudanças em manchas na pele também precisam de investigação médica.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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