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Brincar com bonecos ou bonecas fortalece a empatia nas crianças, aponta estudo

Pesquisa revela que jogos tradicionais ajudam no desenvolvimento emocional e social mais do que o uso excessivo de telas

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Pesquisadores ressaltam que o uso de tecnologia não deve ser totalmente descartado • Pixabay/Reprodução

Brincar com bonecos ou bonecas pode ser muito mais do que uma simples diversão infantil. Um novo estudo indica que essa atividade tradicional tem um papel importante no desenvolvimento emocional das crianças, especialmente na construção da empatia e das habilidades sociais.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Cardiff, analisou o comportamento de 152 crianças entre quatro e oito anos. O objetivo foi comparar os efeitos do brincar com bonecos e o uso de dispositivos digitais, como tablets, no desenvolvimento socioemocional.

Durante seis semanas, as famílias acompanharam e registraram diariamente o tempo que os filhos dedicavam a cada tipo de atividade, além de com quem eles brincavam. Ao final do período, os pesquisadores avaliaram as crianças em testes de laboratório voltados à interpretação de emoções e compreensão de pensamentos alheios.

Os resultados mostraram diferenças claras. As crianças que brincaram com bonecos demonstraram maior capacidade de identificar sentimentos, entender intenções de outras pessoas e criar narrativas mais complexas. Elas também utilizaram um vocabulário emocional mais rico durante as atividades.

Já o grupo que passou mais tempo em dispositivos eletrônicos apresentou avanços mais limitados nessas áreas. Segundo os pesquisadores, essas crianças tiveram mais dificuldade em reconhecer emoções e expressar sentimentos, tanto em casa quanto nos testes realizados.

De acordo com a coordenadora do estudo, a prática de brincar com bonecos estimula a imaginação e permite que a criança se coloque no lugar do outro. Ao criar histórias e personagens, ela passa a explorar diferentes emoções, pensamentos e situações sociais, o que fortalece a empatia.

Outro ponto destacado foi o aumento da interação social entre as crianças que participaram de brincadeiras tradicionais. Elas passaram mais tempo conversando com familiares e irmãos, o que contribuiu para o desenvolvimento do diálogo e da troca emocional. Esse efeito foi ainda mais significativo em crianças que inicialmente apresentavam dificuldades de socialização.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o uso de tecnologia não deve ser totalmente descartado. Dispositivos digitais podem ter papel importante no aprendizado, mas não substituem completamente as experiências emocionais proporcionadas pelo brincar tradicional.

A recomendação dos especialistas é buscar equilíbrio. Incentivar atividades que estimulem a imaginação, o contato humano e a expressão emocional pode ser essencial para o desenvolvimento saudável das crianças.

O estudo reforça uma tendência observada em pesquisas internacionais, que destacam a importância do brincar livre e simbólico nos primeiros anos de vida. Especialistas apontam que esse tipo de atividade contribui para habilidades como resolução de conflitos, comunicação e integração social.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.