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25 anos depois: Betty Ong, a comissária de bordo que fez a primeira ligação sobre o 11/9

Conheça Betty Ong, a comissária que fez a primeira ligação alertando sobre o sequestro do voo 11; saiba como seu legado vive em Chinatown

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25 anos depois: Betty Ong, a comissária de bordo que fez a primeira ligação sobre o 11/9
25 anos depois: Betty Ong, a comissária de bordo que fez a primeira ligação sobre o 11/9 • Pixabay/Reprodução

Betty Ann Ong embarcou no voo 11 da American Airlines em 11 de setembro de 2001. Ela não estava escalada para aquele turno, mas aceitou o trabalho extra para juntar dinheiro para uma viagem com as irmãs. Aos primeiros sinais de que algo estava errado, Betty ligou para a central da companhia, descrevendo o sequestro em andamento. Sua voz calma e suas informações precisas permitiram que autoridades começassem a compreender a dimensão do ataque.

A coragem demonstrada naqueles minutos finais transformou Betty em heroína nacional. Vinte e cinco anos depois, seu nome permanece vivo no bairro de Chinatown em São Francisco, onde ela cresceu, trabalhou no mercado da família e sonhou em conhecer o mundo. Seu legado se materializa em programas comunitários que honram sua memória e inspiram novas gerações.

A infância em Chinatown e o sonho de voar

Betty Ann Ong nasceu e cresceu em Chinatown, São Francisco, em uma família de comerciantes. Ela trabalhava no mercado dos pais na Jackson Street, ajudando no atendimento e nas tarefas diárias do negócio familiar.

Quando os pais decidiram se aposentar em 1987, ela partiu para viajar e ver o mundo. Betty queria se tornar comissária de bordo.

A profissão de comissária de bordo era a ponte perfeita entre o trabalho e a realização pessoal. Betty se dedicou à carreira com o mesmo profissionalismo que demonstrava no mercado da família.

O dia que mudou tudo

Betty não deveria estar no voo 11 da American Airlines naquela manhã. Ela havia pegado um turno extra para ganhar dinheiro adicional e bancar uma viagem planejada com as irmãs, Cathie e Gloria.

Quando os sequestradores assumiram o controle da aeronave, Betty foi a primeira pessoa a alertar as autoridades sobre o que estava acontecendo. Sua ligação para a companhia aérea forneceu informações cruciais nos momentos iniciais da tragédia.

O irmão mais velho, Harry Ong, assistia à televisão quando as notícias começaram. Ele não sabia que Betty estava naquele avião até cerca das 7 horas da manhã, horário local. Harry ligou várias vezes para a American Airlines antes de receber a confirmação de que sua irmã poderia estar no voo.

A angústia da família e a notícia que não veio

As irmãs de Betty deixaram mensagens no celular dela pedindo que retornasse a ligação. O silêncio de Betty fez o coração da família afundar rapidamente. Ela sempre respondia.

Harry teve que fazer a ligação mais difícil de sua vida: contar aos pais sobre o desaparecimento de Betty. Como irmão mais velho e único homem da família, ele carregava culturalmente a responsabilidade de protegê-la. "Minha sensação como irmão mais velho e o único irmão na nossa cultura era protegê-la, e eu tinha de alguma forma esse sentimento de não ter conseguido protegê-la", diz Harry. Mas ele também carrega orgulho: "Ainda estamos muito orgulhosos dela. Ela cumpriu seu dever, seu profissionalismo mostrou isso naquele dia."

Como o legado de Betty vive em Chinatown

Hoje, a memória de Betty é preservada através da Fundação Betty Ann Ong e do Centro Recreativo Chinês Betty Ann Ong, localizado no bairro onde ela cresceu.

O centro recreativo era o playground de Betty quando criança. "Este era realmente o playground dela. E ela vinha aqui sempre que não tinha dever de casa ou escola", relembra Harry.

O prédio reconstruído e renomeado abriga programas durante todo o ano para idosos e crianças da comunidade. O centro também organiza três grandes festas de feriados anualmente em homenagem a Betty.

A presença permanente de Betty no centro

O nome de Betty está em todos os lugares no centro recreativo. Nas paredes, nos pôsteres, nas placas que as pessoas veem ao entrar.

Uma placa de bronze marca a entrada do edifício, garantindo que visitantes e frequentadores vejam seu nome e conheçam sua história. A intenção é que ninguém esqueça.

Os programas oferecidos refletem os valores que Betty incorporava: comunidade, dedicação e cuidado com os outros. O espaço se tornou um monumento vivo ao seu sacrifício.

A dor que não passa e a memória que não pode morrer

Para Harry, a dor permanece intensa mesmo 25 anos depois. "Ainda dói. Você quase morre 25 vezes", ele confessa. "Todo ano você espera que a América e o mundo não esqueçam o 11 de Setembro, mas você mesmo quer esquecer o 11 de Setembro."

Ele carrega a memória da irmã caçula que chamava de "Bee". A cada aniversário do ataque, a tensão entre lembrar e esquecer se renova.

Harry faz questão de lembrar de todos os comissários de bordo onde quer que estejam. "Apenas nunca esqueçam, nunca esqueçam Betty, nunca esqueçam todos aqueles que se perderam", ele pede. "Eu sempre lembro e rezo pelos comissários de bordo onde quer que estejam, onde quer que possam estar, e apenas espero que as pessoas nunca esqueçam o 11 de Setembro."

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