Maribel e Vicente, aposentados nômades: "vivemos com 2 mil euros e viajando pela Europa"
Descubra como dois jubilados deixaram Mallorca para viver em autocaravana, ganhar qualidade de vida e gastar menos que em apartamento

Maribel e Vicente trocaram a rotina do apartamento em Mallorca por estradas, silêncio e natureza. Aos 60 anos, ele pedreiro aposentado e ela dona de casa, decidiram que era hora de viver para si mesmos depois de décadas dedicadas a pais e filhos.
Hoje percorrem a España numa autocaravana, visitam pueblitos tranquilos, conhecem pessoas e mudam de paisagem quando bem entendem. Tudo isso com um orçamento mensal de 2.000 euros provenientes de duas pensões comuns — valor inferior ao que gastavam quando moravam num imóvel fixo.
Como funciona o orçamento de 2.000 euros por mês
O casal vive com duas pensões de aposentadoria normais que somam aproximadamente 2.000 euros mensais. Desse total, entre 500 e 600 euros são destinados ao combustível, já que o veículo precisa se deslocar constantemente.
Mesmo com esse gasto fixo com gasoil, Maribel e Vicente afirmam que viver na autocaravana sai mais barato que manter um apartamento em Mallorca. A economia acontece principalmente na alimentação e nos custos fixos de moradia.
O casal reserva parte do orçamento para imprevistos, especialmente avarias no veículo. "Embora possamos viver com 2.000 euros, não significa que gastemos tudo. Sempre guardamos um pouco para ter um colchão, caso haja uma avaria grande", explicam.
Sistemas de autossuficiência que reduzem gastos
A autocaravana conta com placas solares, baterias e inversores que permitem passar dias sem conexão à rede elétrica. Essa autonomia energética elimina custos recorrentes e oferece liberdade para estacionar em locais remotos.
O espaço interno tem capacidade para armazenar comida e água, o que permite ao casal cozinhar a maior parte das refeições. Restaurantes raramente entram na rotina, o que representa economia significativa ao longo do mês.
Maribel e Vicente também levam ferramentas para realizar parte da manutenção e pequenos reparos do veículo por conta própria. Esse conhecimento prático evita gastos desnecessários com oficinas.
Por que vivem mais com menos coisas materiais
A vida em autocaravana exige redução drástica de pertences. O espaço limitado obriga a selecionar apenas o essencial, eliminando excessos acumulados ao longo dos anos.
"Esse estilo de vida é mais minimalista porque você aprende a viver melhor com menos. Com bastante menos", afirmam. A simplificação traz sensação de leveza e liberdade que compensa a ausência de objetos supérfluos.
A mudança de mentalidade acontece naturalmente: quando não há espaço físico, o apego material diminui. O foco passa a ser experiências, paisagens e encontros, não acúmulo de bens.
Onde escolhem passar o tempo e por quê
O casal prefere pueblitos pequenos e lugares silenciosos, longe das grandes cidades. A tranquilidade e o contato direto com a natureza são prioridades na hora de escolher onde estacionar.
"Não somos de grandes cidades. Nos gusta os pueblitos pequenos, sitios com muito silêncio, com muita tranquilidade. Isso é o que desfrutamos, e conhecer gente, por supuesto", relatam.
Se o lugar não agrada, a solução é simples: arrancam e seguem para outro destino. Essa flexibilidade é um dos maiores atrativos da vida nômade para Maribel e Vicente, que valorizam acima de tudo a possibilidade de mudança.
O que mudou na qualidade de vida do casal
Antes da aposentadoria, ambos dedicaram décadas inteiras aos pais e aos filhos. Agora sentem que chegou o momento de viver para eles mesmos, de realizar o sonho antigo de estar mais próximos da natureza.
"Demos 100% durante toda nossa vida, tanto aos nossos pais como aos nossos filhos. Agora é nosso momento e há que seguir adiante. Esta era uma ilusão que tínhamos: desfrutar a natureza", explicam.
A sensação de bem-estar aumentou significativamente. Além da proximidade com ambientes naturais, o casal destaca a liberdade de movimento: se algo desagrada, basta partir para outro lugar.
O preço de viver longe da família
A principal dificuldade da vida itinerante é a distância física dos entes queridos. Maribel e Vicente têm dois filhos e netas, e reconhecem que estar longe em pessoa pesa.
"Hoje em dia com os telefones estás em contato com todo o mundo, mas temos dois filhos, temos netas. Então, deves estar disposto a desconectar de vê-los em pessoa", alertam.
Essa é uma questão que outros adultos maiores devem considerar antes de adotar o estilo de vida nômade. A tecnologia ajuda, mas não substitui completamente a presença física em momentos importantes.
Por que não voltariam a viver num apartamento
Apesar das dificuldades ocasionais, o casal é categórico: não voltariam a morar entre quatro paredes. A experiência ao ar livre transformou definitivamente a forma como encaram a vida.
"Agora intentamos estar o melhor possível à nossa maneira. Mas encerrados num piso outra vez, não. Temos isso clarísimo. Natureza, campo, o que seja, é igual. Mas fora. Que tenhamos ar. Que toque o sol", finalizam.
A liberdade conquistada vale mais que qualquer conforto material deixado para trás. Para Maribel e Vicente, viver em contato direto com a natureza, respirar ar puro e sentir o sol são prioridades inegociáveis.
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