Itatiaia

Baterias de carros elétricos duram mais do que você imagina, segundo estudo

Análise de 500 mil testes revela que aos 150 mil quilómetros a perda média de capacidade é de apenas 10%, com marcas sul-coreanas a liderar em durabilidade

Por
Carro elétrico carregando
Freepik

O medo de investir num automóvel elétrico e descobrir que a bateria se degrada rapidamente continua a travar muitas decisões de compra. A experiência com telemóveis, cujas baterias parecem perder energia após poucos meses, alimenta essa preocupação.

Mas os veículos funcionam de maneira diferente. Um estudo recente com meio milhão de testes de diagnóstico demonstra que as baterias modernas resistem muito melhor ao tempo e à quilometragem do que a maioria dos condutores espera. As conclusões tranquilizam tanto quem já tem um elétrico quanto quem pensa em comprar usado.

O que revelam 500 mil testes de baterias

A empresa Aviloo especializou-se em diagnóstico de baterias e reuniu resultados de testes realizados entre 2022 e 2026 em diversos continentes. A amostra abrangeu 20 dos modelos mais comercializados no mercado.

Os números mostram que, aos 150 mil km, os veículos analisados conservavam cerca de 90% da capacidade utilizável original das baterias. Importante ressaltar que essa média inclui modelos de primeira geração, cuja degradação ocorre de forma mais acelerada.

A análise baseou-se em testes de estado de saúde aplicados a veículos em uso real, não em condições laboratoriais.

Hyundai e Kia dominam em longevidade

A velocidade de perda de capacidade varia consideravelmente entre fabricantes. Os dados apontam vantagem consistente do grupo Hyundai-Kia sobre concorrentes, incluindo a Tesla.

Aos 50 mil km, o Hyundai Ioniq 5 liderou ao manter mais de 97% da capacidade original. Aos 100 mil km, voltou ao topo com mais de 95%, seguido pelo Hyundai Kauai Elétrico, que permaneceu acima dos 94%.

Aos 150 mil km, o Ioniq 5 conservava 93,79% da capacidade. O Mercedes-Benz EQA ficou próximo, com 93,97%, enquanto o Kauai manteve-se acima dos 92%.

Tesla fica a meio da tabela

Os dois modelos mais populares da Tesla posicionaram-se na metade inferior da classificação. Aos 150 mil km, o Model Y apresentava capacidade utilizável média de 90,3%.

O Model 3 fixou-se nos 88,94%. Ambos os resultados ficaram abaixo da média do grupo sul-coreano, embora ainda demonstrem durabilidade aceitável para uso quotidiano.

Modelos mais antigos apresentam degradação maior

As últimas posições foram ocupadas por modelos citadinos de concepção mais antiga. O Nissan Leaf das primeiras gerações e o Renault Zoe mostraram degradação mais acentuada.

Nestes veículos, as baterias de menor capacidade e a ausência de sistemas avançados de refrigeração contribuíram para o desgaste. A sucessão de ciclos de carregamento terá acelerado o processo.

A capacidade disponível desceu para cerca de 86% aos 150 mil km nestes modelos. A diferença em relação aos veículos mais modernos evidencia a evolução tecnológica na gestão térmica das baterias.

Estudo sueco confirma padrão semelhante

Uma análise anterior da plataforma Carla, com quase dez mil testes usando a mesma tecnologia de diagnóstico, já indicava resultados similares. Entre automóveis com mais de 100 mil km, o Kia e-Niro, equipado com bateria de 64 kWh, obteve o melhor resultado.

O modelo conservou 97,25% da capacidade original. O Hyundai Kauai Elétrico ficou em segundo lugar com 97,18%, seguido pelo Kia EV6 com quase 96%.

Richard Ahlin, responsável pela plataforma Carla, afirmou que "para quem pensa comprar um carro elétrico usado, estes resultados transmitem uma mensagem clara: os modelos modernos mantêm grande parte da sua capacidade mesmo após quilometragens elevadas".

Por que marcas sul-coreanas lideram em durabilidade

A longevidade superior das baterias Hyundai e Kia relaciona-se com opções de engenharia específicas. Os modelos utilizam células de iões de lítio com química à base de níquel, manganês e cobalto.

Essas células combinam-se com sistemas de gestão térmica por líquido. O controle ativo da temperatura protege os componentes químicos internos durante carregamento e uso intenso.

O grupo sul-coreano adotou também margens de proteção eletrônica que limitam picos térmicos. Essa abordagem reduz o desgaste dos materiais internos, um dos principais fatores de degradação ao longo do tempo.

Química e refrigeração fazem a diferença

A Aviloo sublinha a importância das escolhas de concepção na durabilidade final. Segundo a empresa, "os fabricantes utilizam químicas diferentes, com compromissos distintos, pelo que hábitos de carregamento idênticos podem produzir resultados muito diferentes consoante o modelo".

As células com química de níquel-manganês-cobalto (NMC) demonstram equilíbrio entre densidade energética e estabilidade térmica. Quando combinadas com refrigeração por líquido, mantêm temperatura operacional mais estável.

Essa estabilidade térmica traduz-se em menor estresse sobre os componentes internos durante os ciclos de carga e descarga repetidos ao longo dos anos.

O que significa perder 10% de capacidade na prática

Para a maioria dos condutores, uma perda de 10% após 150 mil km tem impacto prático limitado no uso diário. Num automóvel com 400 quilómetros de autonomia homologada, corresponderia a menos cerca de 40 quilómetros.

A diferença torna-se ainda menos significativa, considerando que poucos condutores esgotam a bateria completamente em viagens quotidianas. A autonomia reduzida afeta principalmente quem faz trajetos longos com frequência.

Mesmo assim, 360 km continuam suficientes para a grande maioria dos padrões de utilização urbanos e suburbanos, especialmente com a crescente rede de carregadores rápidos.

Como preservar a vida útil da bateria

Os cuidados de utilização continuam a fazer diferença na longevidade da bateria. Entre as recomendações mais comuns está evitar manter a carga nos 100% durante períodos prolongados.

Deixar o automóvel estacionado durante semanas sob temperaturas elevadas com a bateria completamente carregada acelera a degradação. O ideal é manter a carga entre 20% e 80% para uso quotidiano.

Outra prática recomendada é preferir carregamento lento em casa sempre que possível, reservando os carregadores rápidos para situações de necessidade. O carregamento rápido repetido gera mais calor e estresse térmico nos componentes internos.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

 

 

Belo Horizonte