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Banco Central prepara 'pente-fino' que pode suspender Pix em bancos com falhas de segurança

Medida do órgão regulador visa combater o avanço de fraudes e crimes cibernéticos; instituições financeiras que descumprirem exigências técnicas e patrimoniais correm o risco de exclusão do sistema de pagamentos

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Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. O meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. É prático, rápido e seguro.
Instituições devem se adaptar até outubro • Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O avanço dos ataques cibernéticos contra o ecossistema financeiro brasileiro fez o Banco Central (BC) adotar uma postura muito mais rígida sobre a segurança digital das instituições bancárias. A autoridade monetária está preparando um rigoroso processo de fiscalização,  apelidado no setor de "pente-fino", que avaliará minuciosamente a infraestrutura tecnológica das empresas habilitadas a oferecer o Pix. Aquelas que apresentarem vulnerabilidades graves ou não se adequarem às novas regras poderão ter o recurso bloqueado ou até mesmo sofrer exclusão definitiva da rede.

A ofensiva do órgão regulador não é por acaso. Ela acontece na esteira de uma sequência de invasões e golpes de engenharia social que resultaram em prejuízos bilionários ao setor ao longo dos últimos doze meses. O intuito principal do BC não é interromper ou prejudicar o funcionamento do Pix, que se consolidou como o meio de pagamento mais popular do país, mas sim elevar o padrão das barreiras digitais e punir as empresas que colocam o ecossistema em risco.

O risco da vulnerabilidade compartilhada

Na visão do Banco Central, o Pix conecta milhares de instituições financeiras em tempo real, o que significa que a segurança de toda a rede é tão forte quanto o elo mais frágil. Se uma única fintech ou banco tradicional operar com sistemas de defesa obsoletos ou controles internos falhos, criminosos podem usar essa brecha para invadir o ecossistema e realizar desvios em massa, gerando um efeito cascata que atinge clientes de outras marcas.

Durante o processo de supervisão, caso o BC identifique desconformidades ou indícios de fragilidade, a instituição avaliada será obrigada a prestar esclarecimentos imediatos, apresentar documentação complementar e se submeter a novas fases de auditoria. Para aumentar o controle preventivo, as regras de conformidade também mudaram: os bancos agora são obrigados a notificar o Banco Central sobre um volume muito maior de ocorrências e incidentes de segurança, incluindo episódios de menor gravidade que antes passavam fora do radar regulatório.

Exigências financeiras e prazos de adequação

Além do escopo estritamente tecnológico, o aperto regulatório do Banco Central envolve critérios financeiros e estruturais severos que vêm sendo implementados de forma escalonada:

  • Patrimônio líquido mínimo: as instituições de pagamento precisam comprovar um patrimônio líquido mínimo de R$ 5 milhões. Aquelas que ficarem abaixo desse patamar mínimo enfrentam a exclusão direta do sistema Pix.

  • Troca de intermediários: dezenas de empresas classificadas como participantes indiretas do Pix (que dependem de outras instituições maiores para se conectar ao Sistema de Pagamentos Instantâneos) receberam prazos estritos para migrar ou regularizar os contratos com parceiros autorizados, sob pena de perderem o acesso ao serviço.

  • Punições mais longas: o BC também estendeu de 12 para 60 meses o período de "quarentena" para que uma instituição sancionada com a exclusão do Pix consiga registrar um novo pedido de reingresso no sistema.

Com essas ações combinadas de governança, balanço financeiro e auditoria em tempo real, o Banco Central sinaliza ao mercado que o Pix atingiu maturidade de adoção e que, a partir de agora, a prioridade absoluta será blindar as contas dos cidadãos contra a engenhosidade do crime organizado.

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