Bagunça em casa pode afetar memória, concentração e aumentar o estresse
Especialistas em psicologia e neurociência explicam como o excesso de objetos e a desorganização dos ambientes podem sobrecarregar o cérebro, dificultar a concentração, prejudicar a memória e aumentar a sensação de estresse no dia a dia.

A bagunça dentro de casa pode parecer apenas uma questão de organização, mas especialistas citados pelo Infobae apontam que ambientes cheios de objetos, roupas, papéis e móveis também podem interferir na atenção e no funcionamento mental. O excesso de estímulos visuais exige um esforço constante do cérebro e pode contribuir para a sensação de sobrecarga.
Segundo a neuropsicóloga Diane Roberts Stoler, o desordenamento funciona como uma distração visual que dificulta a concentração e pode afetar a memória de trabalho.
"A desordem gera caos, o que afeta a capacidade de concentração. Também limita a capacidade do cérebro de processar informações. A desordem é uma forma de distração visual que aumenta a sobrecarga cognitiva e pode reduzir a memória de trabalho", afirmou a especialista.
A profissional também destacou que pessoas que trabalham ou realizam atividades em ambientes organizados tendem a se distrair menos, apresentar menor irritação e processar informações com mais facilidade.
Por que a bagunça pode cansar o cérebro?
Um dos principais fatores é a quantidade de estímulos presentes no ambiente. Quando há muitos objetos espalhados, o cérebro precisa lidar continuamente com essas informações visuais, mesmo quando elas não têm relação com a tarefa que está sendo realizada.
Isso pode dificultar a manutenção da atenção e aumentar a sensação de cansaço mental. Além disso, encontrar objetos em meio à desorganização pode consumir mais tempo e gerar frustração.
Para pessoas com dificuldades nas funções executivas, como aquelas com TDAH ou determinadas lesões cerebrais, administrar a organização cotidiana pode ser ainda mais complicado. Por isso, Roberts Stoler recomenda estabelecer lugares fixos para itens usados frequentemente, como chaves, celular e carteira.
Manter a casa organizada pode ajudar na memória
A organização também pode facilitar tarefas simples do cotidiano. Saber onde cada objeto está reduz a necessidade de procurá-lo constantemente e pode diminuir a tensão associada à procura.
O médico neurocientista Claudio G. Waisburg, diretor do Instituto SOMA, afirmou ao Infobae que a desordem está entre os fatores estressantes mais fáceis de modificar.
"A desordem é um dos fatores estressantes da vida mais fáceis de resolver", afirmou.
Segundo Waisburg, a organização dos ambientes pode contribuir para a clareza mental, a concentração, o humor e o bem-estar geral. Ele também contestou a ideia de que algumas pessoas simplesmente funcionam melhor em meio à bagunça.
"Nosso cérebro gosta de ordem, e um lembrete permanente de desorganização nos tira recursos cognitivos, reduzindo nossa capacidade de atenção", explicou.
A bagunça também pode influenciar a alimentação
Os efeitos da desorganização não se limitariam à concentração. Um estudo publicado na revista Environment and Behavior analisou como uma cozinha suja e caótica poderia influenciar decisões alimentares.
De acordo com o levantamento citado pelo Infobae, quando as pessoas não sentiam ter controle sobre a desordem da cozinha, elas consumiam mais biscoitos salgados do que quando estavam em um ambiente limpo e organizado.
O resultado sugere que a percepção de falta de controle provocada pelo ambiente pode interferir em comportamentos cotidianos.
Como começar a organizar a casa sem se sobrecarregar
Para quem tem dificuldade de se desfazer de objetos, a recomendação dos especialistas é evitar tentar organizar tudo de uma só vez. Começar por uma gaveta, uma pilha de roupas ou apenas um cômodo pode tornar a tarefa mais viável.
Roberts Stoler também sugere pedir ajuda a familiares, amigos ou profissionais quando houver dificuldade para decidir o que deve permanecer em casa.
Objetos com valor afetivo podem ser especialmente difíceis de descartar. Nesses casos, uma alternativa apresentada pela especialista é fotografá-los para preservar a lembrança sem necessariamente manter o item físico.
Outra possibilidade é separar aquilo que ainda está em boas condições, mas não tem mais utilidade, para doação. Dessa forma, a organização pode liberar espaço no ambiente e, ao mesmo tempo, permitir que outras pessoas aproveitem os objetos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



