Astrônomos teriam detectado, pela primeira vez, um sinal de rádio atribuído a um exoplaneta: ele está a quase 64 anos-luz de distância
Emissão pode estar relacionada a auroras provocadas pela interação de partículas com o campo magnético do exoplaneta

Astrônomos conseguiram detectar, pela primeira vez, emissões de rádio diretamente associadas a um exoplaneta. O sinal foi identificado no Beta Pictoris b, um gigante gasoso localizado a cerca de 64 anos-luz da Terra, e pode ajudar os cientistas a entender melhor o campo magnético de mundos fora do Sistema Solar.
A descoberta foi feita com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul. Os pesquisadores observaram o sistema Beta Pictoris em diferentes ocasiões entre 2025 e 2026 e registraram rajadas de rádio que se repetiam.
O desafio era determinar se a emissão vinha do planeta ou da estrela ao redor da qual ele orbita. Para resolver a questão, os astrônomos compararam a posição da fonte de rádio com a localização conhecida do planeta, da estrela e de objetos muito distantes usados como pontos de referência.
Os dados indicaram que a emissão estava alinhada com o Beta Pictoris b, e não com sua estrela anfitriã. A identificação tem significância estatística de 4,4 sigmas.
Sinal está relacionado a auroras
Os pesquisadores acreditam que as ondas de rádio sejam produzidas por auroras geradas pela interação entre partículas carregadas e o forte campo magnético do planeta. O fenômeno é semelhante, em princípio, às auroras observadas na Terra e em outros planetas do Sistema Solar.
As emissões apresentaram alta polarização circular, uma característica compatível com um mecanismo conhecido como emissão máser ciclotrônica de elétrons, associado à presença de campos magnéticos.
A frequência das ondas também permitiu estimar a intensidade do campo magnético do Beta Pictoris b. Segundo os pesquisadores, ele teria pelo menos 1.250 gauss na região onde a emissão é produzida, valor muito superior ao campo magnético da Terra. O resultado representa a primeira medição direta desse tipo obtida para um exoplaneta.
O que se sabe sobre o Beta Pictoris b
O Beta Pictoris b é um gigante gasoso com massa estimada em cerca de 12 vezes a de Júpiter. Ele orbita a estrela Beta Pictoris a aproximadamente dez vezes a distância entre a Terra e o Sol e está a cerca de 63 a 64 anos-luz do nosso planeta.
O planeta é relativamente jovem e apresenta temperaturas elevadas. Sua rápida rotação também pode contribuir para a dinâmica de seu campo magnético e para a produção das emissões de rádio observadas.
A descoberta abre uma nova possibilidade para estudar os campos magnéticos de planetas localizados fora do Sistema Solar. Esses campos podem influenciar a atmosfera dos planetas e ajudam os cientistas a compreender como esses mundos se formam e evoluem.
Não há evidência de comunicação extraterrestre
Apesar de a descoberta envolver uma emissão de rádio proveniente de um planeta distante, os pesquisadores não associam o fenômeno a uma possível civilização extraterrestre. As características observadas são compatíveis com um processo natural relacionado à atividade auroral e ao campo magnético do planeta.
O trabalho foi publicado como preprint no arXiv e, portanto, ainda não passou pelo processo de revisão por pares.
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