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As duas memórias de infância que marcam para sempre a vida adulta, segundo estudos psicológicos

Quando os conflitos familiares não encontram uma resolução ou uma reparação afetiva, abre-se espaço para traumas crônicos

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Imagem ilustrativa. • Pixabay/Reprodução

Diferente do que muitos imaginam, as memórias da infância que exercem maior impacto na formação do caráter e na estabilidade emocional dos adultos não estão ligadas a grandes celebrações de aniversário ou a viagens de férias inesquecíveis.

De acordo com estudos psicológicos recentes, as experiências que verdadeiramente marcam a trajetória de um indivíduo para sempre concentram-se em dois tipos de momentos cotidianos, que frequentemente passam despercebidos no dia a dia, mas que são fundamentais para o desenvolvimento da mente e das dinâmicas relacionais.

O primeiro desses momentos cruciais baseia-se na experiência de sentir-se profundamente amado, protegido e validado por meio da presença tranquila e genuína dos pais ou cuidadores.

Respaldada pela teoria do apego, desenvolvida originalmente pelo psiquiatra John Bowlby e posteriormente expandida por Mary Ainsworth, a psicologia demonstra que o reconhecimento e o acolhimento paterno geram uma base interna de segurança e confiança. Especialistas apontam que essa percepção não exige elogios exagerados ou atenção ininterrupta.

Trata-se, na verdade, do valor de ser visto sem a necessidade de demonstrar desempenho, como ocorre na cena simples de uma criança desenhando no chão enquanto um dos pais lê um livro por perto, sem cobranças ou exigências. Adultos que consolidaram esse tipo de memória afetiva tendem a registrar maiores níveis de autoestima, maior capacidade para gerenciar o estresse e facilidade para construir laços de amizade e relacionamentos amorosos mais estáveis, sem vincular o próprio valor unicamente ao sucesso ou à aprovação alheia.

Por outro lado, o segundo marco na memória emocional está associado a experiências negativas de rejeição, abandono emocional ou humilhação, além da forma como os conflitos são gerenciados na infância. O cérebro infantil, por estar em pleno desenvolvimento, mostra-se extremamente sensível a situações de vergonha, medo ou desproteção.

Quando os conflitos familiares não encontram uma resolução ou uma reparação afetiva, abre-se espaço para traumas crônicos. Muitas das dificuldades enfrentadas por adultos na maturidade, como a baixa autoestima, o medo persistente da rejeição, a dependência psicológica e a necessidade constante de monitorar o estado emocional dos outros, têm origem direta nessas feridas da infância.

Contudo, os especialistas ressaltam que, quando uma relação é reparada após uma crise doméstica, a criança aprende uma lição valiosa: a de que o afeto é capaz de sobreviver à tensão e que os vínculos significativos podem ser restaurados.

Dessa forma, a ciência do comportamento reforça que o verdadeiro alicerce da saúde mental reside na constância das interações diárias e na qualidade dos laços de apego estabelecidos no início da vida. A boa notícia trazida pelos psicólogos é que reconhecer a origem dessas dinâmicas profundas constitui, na maioria dos casos, o primeiro e mais importante passo para que o adulto consiga trabalhar suas vulnerabilidades, ressignificar o passado e transformar sua narrativa pessoal.

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